Pastor fala sobre desafios de evangelizar na Jordânia: “Poucos se arriscam a ir em um culto”

Os cristãos não podem sequer fazer reuniões em casa, pois são consideradas 'atividades de igreja'.

fonte: Guiame, com informações da Lagoinha

Atualizado: Segunda-feira, 8 Janeiro de 2018 as 12:14

O principal obstáculo dos cristãos na Jordânia é o fato da religião oficial ser o islamismo. (Foto: Arquivo do Ministério).
O principal obstáculo dos cristãos na Jordânia é o fato da religião oficial ser o islamismo. (Foto: Arquivo do Ministério).

Na Jordânia o cenário religioso é bastante complicado. Lá, os cristãos não podem plantar igrejas desde 1943. A religião oficial do país é o islamismo e os muçulmanos não dão trégua aos que servem a Jesus Cristo. Apesar disso, igrejas acabam se reunindo de forma oculta ou sigilosa. É o caso dessa sede da Igreja Batista da Lagoinha na região.

No final do ano, eles fizeram um culto de ação de graças para comemorar o novo ano, mas as ministrações tiveram de ser encerradas três horas antes de acabar o dia. As pessoas que ali estavam tiveram que celebrar a virada do ano em casam mesmo ou poderiam ser presas. A igreja é fruto de parceria com uma igreja local, que já existia antes da determinação.

A igreja enfrenta algumas dificuldades, mas têm resistido. Ela divide o espaço com a congregação veterana e só consegue usar o templo duas vezes por semana, sendo que cada reunião só pode ter três horas de duração.

Além disso, os cristãos também são proibidos se reunirem em suas casas, sem poder realizar qualquer evento religioso. Tal atividade é caracterizada como atividade de igreja, e igrejas só podem ser estabelecidas em locais já pré-determinados e autorizados pelo governo. Essas são, contudo, apenas algumas das dificuldades enfrentadas pelos cristãos na nação.

O principal obstáculo dos cristãos na Jordânia é o fato da religião oficial ser o islamismo e por isso há tanta dificuldade para pregar o Evangelho. Para exemplificar, um pastor que trabalha no país contou detalhes de seu trabalho árduo. Deus tem dado graça a ele e suas ovelhas, mas é bem raro ver muçulmanos visitarem templos evangélicos.

“São muito poucos os que se arriscam a frequentar um culto sem medo, pois, legalmente, não existem pessoas que mudaram de ‘time’. Se eles nasceram nesse ‘time’, sempre terão que ser dele”, disse o pastor para o site da Lagoinha.

Esperança

Mas, quando algo parecido acontece, uma grande festa é feita. “No nosso culto de fim de ano, tivemos três deles. Foi uma bênção e gratificante vê-los cantando e adorando conosco”, ressaltou o pastor. Apesar disso, as igrejas não podem fazer apelos para que eles se convertam a Cristo. “Não fizemos apelo. Nenhuma igreja aqui faz apelo. Não é permitido. Mas temos certeza que a semente foi plantada e oramos para que germine em terra fértil”, salientou.

E para além dos cultos, a Lagoinha Jordânia procura levar consolo por meio do Espírito Santo e atendido às necessidades básicas dos refugiados, doando alimentos, roupas, calçados e brinquedos para as crianças. “Temos visto muitas dessas vidas que foram devastadas pela guerra receberem algo tão precioso que é o amor do nosso Pai”, disse o pastor.

A igreja ainda dá aulas de esporte como forma de compartilhar o amor de Deus. “Foram muitos desafios e dificuldades que o Pai nos ajudou a superar com essa parceria [com a igreja local] e Ele tem nos dado a vitória. Até aqui o Senhor nos ajudou”, finalizou.

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