Pastor, meio irmão de Lula, ora pela recuperação do ex-presidente

Pastor, meio irmão de Lula, ora pela recuperação do ex-presidente

Atualizado: Terça-feira, 1 Novembro de 2011 as 9:17

Depois de pegar o trem em Franco da Rocha, onde mora e comanda uma pequena igreja,  o pastor Antonio Roberto Góes, 65 anos, desembarcou às 18h30 deste domingo (30) em Jundiaí. Sem ser notado pelas pessoas que acompanhavam o final da parada gay, em frente à estação ferroviária, aguardou pacientemente a carona para o templo da Igreja do Evangelho Quadrangular, no Jardim Guanabara, bairro simples da periferia.

Ninguém ao redor sabia, mas estava ali, de terno e gravata, um indivíduo que tem laço sanguíneo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Irmão por parte de pai do ex-metalúrgico que governou o Brasil, pastor Roberto, como é conhecido entre os fiéis, disse que a família “já imaginava” que Lula pudesse estar com algum problema de saúde. “Ultimamente ele dava sinais de que estava escondendo alguma coisa”, afirmou ao BOM DIA.

O pastor disse que mantém contatos periódicos com Lula e os outros irmãos. “Ontem mesmo conversei com o Vavá [Genival Inácio da Silva]”. A conversa, segundo o pastor, girou em torno da notícia sobre o câncer de laringe diagnosticado no irmão famoso.  “Acho que ele [Lula] quis preservar o público enquanto pôde”.

Com Lula mesmo, o irmão pastor esteve pela última vez há cerca de três meses. “Foi depois do enterro da Marinete, ele me pediu oração”, lembra. Marinete Leite Cerqueira da Silva, irmã mais velha entre os oito filhos dos pais de Lula, morreu de câncer no pulmão aos 72 anos, no final de junho.

Oposição na igreja

Ter um irmão tão famoso já trouxe problemas para o religioso. Na década de 1980, quando o religioso iniciava nas pregações, Lula era temido pelos pastores evangélicos. “Falavam que ele era comunista, que se chegasse ao poder, iria mandar fechar as igrejas. Mas eu sabia que isso era mentira. O Lula me dizia que nós estávamos amparados pela Constituição, que garante liberdade religiosa, mas as pessoas não acreditavam”.

Pastor Roberto lembra da primeira campanha de Lula para presidente, em 1989, quando as igrejas evangélicas chegaram a divulgar um documento orientando os fiéis a não votarem em Lula. “Na época, o meu superior me chamou e disse que eu estava liberado para votar no meu irmão”.

Clamor a Deus

No final do culto deste domingo à noite no Jardim Guanabara,  o pastor chamou os fiéis a orar pela saúde do irmão ex-presidente. “Pedimos para Deus visitar o Lula e restaurar a saúde dele”, disse o pastor Márcio Correa, responsável pela igreja do bairro.

Apesar de a celebração religiosa ter prestado apoio espiritual ao ex-presidente, a visita do pastor Roberto já estava programada há um mês. No bairro, os moradores sabiam que o “irmão de Lula” estaria ali.

A oração pela saúde dos governantes é um costume nas igrejas evangélicas, especialmente nas de linha neopentecostal. Segundo o pastor Roberto, esse hábito segue um preceito bíblico. “Nunca votei no Fernando Henrique [Cardoso], mas também já orei por ele”, garantiu.

Irmãos de famílias diferentes

Lula foi criado pela mãe Eurídice Ferreira de Melo junto com 7 irmãos. O pai, Aristides Inácio da Silva, formou nova família em Santos com uma prima de Eurídice, Valdomira Ferreira de Góes, com quem teve outros 13 filhos, entre eles o hoje pastor Roberto.     Com informações da Rede Bom Dia

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