Pastor norte-coreano prega a reconciliação entre as duas Coreias

Pastor norte-coreano prega a reconciliação entre as duas Coreias

Atualizado: Segunda-feira, 25 Janeiro de 2010 as 12

Ele se chama Kang Chul-ho. Escapou da Coreia do Norte através da China. Uma pastora protestante chinesa ajudou-o a chegar à Coreia do Sul. Tornou-se pastor de uma pequena Igreja de inspiração metodista e reclama mais assistência aos refugiados do Norte. Mesmo sabendo que podia ser condenado à morte caso fosse apanhado e repatriado, Kang Chul-ho arriscou escapar, atravessando o rio Amnok, que separa a China e a Coreia do Norte, em 1992. As memórias daquele primeiro ano na China não são fáceis de apagar: ''Fui um sem-abrigo que passou fome, muita fome''. Foi então que encontrou uma pastora protestante chinesa em Shenyang, a quem chama: ''Salva-vidas''.

Graças a ela, Kang entrou num colégio da Marinha com um cartão de identidade falso. Após três anos de estudo, recebeu um certificado de qualificações em 1997. Foi-lhe oferecido um lugar num barco que estava no Japão. Para lá chegar, tinha de apanhar um avião que fazia escala em Seul. Ao chegar à capital sul-coreana, revelou a sua identidade e aí se estabeleceu.

Após se ter inserido perfeitamente na sociedade sul-coreana, conheceu um pastor metodista que o encorajou a entrar na Universidade Teológica Metodista de Seul. Não foi fácil aprender teologia, pois não tinha ainda o essencial que estes estudos requerem: uma fé profunda. Mas conseguiu vencer o desafio, tornando-se oficialmente pastor, em 2004. Na altura, juntaram-se-lhe 10 refugiados norte-coreanos que lhe ofereciam parte do dinheiro que o governo sul-coreano lhes dava.

Atualmente, a sua congregação conta com 120 membros, tal como a maior parte das milhares de Igrejas protestantes espalhadas pelo país. Kang acredita que, quando as duas Coreias se reunificarem, os refugiados norte-coreanos poderão ter um papel importante no processo de aproximação político e ideológico das duas Coreias. Até 1 de Setembro de 2009, o número de refugiados norte-coreanos a residir na Coreia do Sul era de 15.238.

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