Pastor presencia agressão a José Serra, no RJ

Pastor presencia agressão a José Serra, no RJ

Atualizado: Quinta-feira, 21 Outubro de 2010 as 3:41

O candidato José Serra (PSDB) foi atingido na cabeça durante briga entre militantes do PSDB e do PT em caminhada de sua campanha no calçadão de Campo Grande, zona oeste do Rio. O tucano foi submetido a tomografia no Hospital Samaritano, em Botafogo (zona sul), mas não foi identificada lesão grave. Ele cancelou a agenda no restante do dia.

Serra afirmou que a ação de petistas fora "pré-organizada" e a comparou a "movimentos fascistas". O PT-RJ rechaçou em nota "a tentativa de imputar ao PT ou a militantes qualquer tipo de agressão" e sugeriu vínculo da campanha tucana com milícias - grupos paramilitares que agem na zona oeste.

O tumulto começou quando dois dirigentes do Sint-Saúde (Sindicato de Trabalhadores de Combate a Endemias) - um deles Sandro Cezar, candidato derrotado a deputado estadual pelo PT - chegaram ao local com cartazes criticando a gestão de Serra no Ministério da Saúde.

Aos gritos, os dois chamavam o tucano de "pior ministro do País" e "assassino". A dupla o culpava pela epidemia de dengue no Rio no fim de 2001. Nos cartazes havia as inscrições: "Quem é Paulo Preto? R: Amigo do coração".

Cabos eleitorais do PSDB rasgaram os cartazes, o que deu início às primeiras trocas de agressões físicas. Minutos depois, militantes do PT que estavam próximos ao local se juntaram à dupla do Sint-Saúde. A briga generalizada se instaurou de vez, envolvendo cerca de cem pessoas.

O grupo do PSDB era formado por cabos eleitorais da deputada estadual eleita Lucinha. Serra estava numa loja, onde entrara antes do protesto. Permaneceu ali por dez minutos, até o fim da briga. "O PT tem tropa de choque. Lembra das tropas nazistas? É típico de movimentos fascistas", afirmou.

Um pastor que acompanhava Serra disse que viu o momento em que o candidato foi atingido. "Eu estava abraçando o Serra, e ele levou um rolo de fita crepe na cabeça. Eu levei uma paulada, que era uma espécie de cabo de vassoura", afirmou Paulo César Gomes, da Assembleia de Deus. A assessoria do candidato informou que a recomendação médica é de repouso, e por isso os compromissos no Rio - uma ida ao Maracanã e um encontro na churrascaria Porcão, no Flamengo - foram cancelados.

Ao voltar à rua, passou a ser alvo de gritos dos militantes do PT. Comerciantes fecharam as lojas para evitar depredação. Serra tentou entrar em outra loja, mas foi impedido por vendedoras. O tucano caminhou por cerca de dez minutos em meio a intenso empurra-empurra. Brigas aconteciam ao redor dos seguranças, que tentavam mantê-lo isolado. No início, Serra buscou acenar e ignorar o caos. Depois, irritou-se e ameaçou ir em direção a petistas que o provocavam. Foi contido pelo vice Índio da Costa (DEM), mas xingou de volta. Ele foi atingido próximo à van da campanha, após caminhar os 350 metros do calçadão. Disse que um rolo de adesivos o atingiu na testa. "Achei que fosse desmaiar, mas deu para segurar", disse, ao sair do hospital.

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