Pastora e cantora Baby do Brasil acaba de lançar CD gospel

"Oro muito por Lady Gaga" diz Baby do Brasil

Atualizado: Terça-feira, 24 Abril de 2012 as 12:10

A pastora e cantora gospel Baby do Brasil concedeu entrevista recentemente ao site Ego onde falou sobre sua família, conversão e o lançamento de seu novo CD gospel.

Com 59 anos, virou evangélica há 13, não faz mais sexo desde então e fundou uma igreja, o Ministério do Espírito Santo de Deus em Nome do Senhor Jesus Cristo, e diz “A carne não me vence“.

Baby – que por causa de um “chamado de Deus” tirou o Consuelo e passou a assinar Baby do Brasil – acaba de lançar o CD “Geração Guerreiros do Apocalipse”, após dez anos sem gravar. Diz que precisou de um tempo depois que se converteu. “Tive muitas experiências fantásticas com Deus. Precisava viver aquela quarta dimensão”, explica.

Leia a entrevista na íntegra:

Por que ficou 10 anos sem gravar?
BABY DO BRASIL: Dei uma parada geral para olhar para dentro de mim. Durante muito tempo não aceitei fazer nada. Tive muitas experiências com Deus, foi fantástico. Precisava viver aquela quarta dimensão, sair um pouco da terceira aqui e viver aquela coisa maravilhosa. Tive muitos arrebatamentos, muitos milagres, uma vida com Deus mesmo, intensa… Depois de um bom tempo só na introspecção, formei o Ministério do Espírito Santo de Deus em Nome do Senhor Jesus Cristo, em 5 de abril de 2000. É muito louco, mas tenho que dizer porque você tá fazendo uma entrevista muito louca: isso (abrir uma igreja) também foi indicação de Deus. Não queria abrir porque achei que os evangélicos iam me matar.

Por que nunca divulgou amplamente onde ministrava os cultos?
Era para ser uma igreja imensa, mas Deus nunca deixou crescer nem botar letreiro. É super V.I.P. A ideia não era expandir em grana, não tem nada a ver com grana, mas sim estar em intimidade com Deus. Tive convites de programas de TV para fazer entrevistas, e Deus disse para mim que não era para fazer nenhuma entrevista. Se eu deixasse as portas abertas e botasse uma placa dizendo igreja da apóstola Baby do Brasil, seriam milhões… E para isso, Deus falou não. Há muitos outros pastores maravilhosos que estão de portas abertas. Eu tô cobrindo outra área, que está quebrando paradigmas de caretice, de religiosidade. Tive um comando de Deus para ir mundo afora levando meu testemunho.


Você mudou o nome de batismo e depois ainda tirou o Consuelo. Por quê?
Desde criança tenho visão aberta do mundo espiritual. Tinha 13 para 14 anos e sonhava ser cantora. Mas não queria que meu nome fosse Bernadete, que é meu nome de batismo. Queria que fosse BB, porque era apaixonada pela Brigite Bardot. Aí ouvi Deus falando “mas você é a Baby, esse é o seu nome”. O Consuelo (Moraes Moreira inventou, após o filme “Meteorango Kid – Os Intergaláticos”, de 1969, do cineasta André Luiz Oliveira), um dia eu estava andando na rua e Deus falou comigo: “não mandei você botar Consuelo, era só Baby (risos)”. Falei “e agora?”. Fiz todo o Caminho de Santiago, na Espanha, e quando voltei, pensei: “não sou a Baby da América nem a dos Estados Unidos, sou a Baby do Brasil”. Agora, com minha carreira nos Estados Unidos, é fabuloso. Baby from Brasil, olha que maravilha! Tudo direitinho. Deus é perfeito.


É verdade que você está há 13 anos sem sexo?
Sem transar, né? É legal mexer nisso, principalmente para dar uma força para a galera feminina, que para conquistar tem que transar, senão o cara diz que não quer namorar. No gospel ninguém é obrigado a transar. Não existe essa lei de que se não transar é careta. Deixamos o sexo como a última coisa, para celebrar mesmo o negócio. Minha vida está muito mais completa, com muitas outras coisas maravilhosas. Quando se é criança, você tem mais conteúdo, outras coisas para fazer, não fica pensando em transar o dia inteiro. É nesse nível.


Mas não sente desejo?
Sempre tive homem na minha cama. Fui casada 18 anos com o Pepeu, depois oito com o Nando Chagas (também músico). Sei que é bom. Tenho desejo, mas a carne não me vence. Não tenho que tomar o cálice até a última gota. Pai, afasta de mim esse cálice (risos)! Mas para mim nunca foi difícil [ficar sem sexo], sempre foi muito fácil. Graças a Deus nasci com este dispositivo.


Nunca encontrou alguém com quem quisesse se casar novamente?
Isso. Várias vezes pensei que podia ser com aquela determinada pessoa. Já tive pedidos de casamento, mas aí perguntava para o Papai e pedia o sinal.


Ainda mantém contato com o Pepeu Gomes?
Pepeu é uma pessoa fabulosa, um músico espetacular. É uma pessoa rara, não existem dois Pepeus. Tenho o maior carinho por ele, o maior respeito por seu trabalho. Fizemos mais de 200 músicas juntos, uma vida juntos, meia dúzia de filhos, mais uma neta. Ele teve outro relacionamento, teve uma filha que é um amor, coisa linda de garota, que todo mundo ama na família, inclusive eu. Continuamos a nossa amizade tranquilos, sem problemas.


A época em que você era do grupo Novos Baianos, nos anos 1970, era um período de transgressão, e muita gente pregava o amor livre. Viveu isso quando morava com os músicos (eles viveram juntos no sítio Cantinho do Vovô, na Zona Oeste do Rio)?
Amor livre, não! Nunca fui mulher de milhões homens ao mesmo tempo. Não tenho esse talento (risos). Isso para nós nunca houve, sempre fomos família. Éramos irmãos, cuidávamos um do outro. Todo mundo casado, direito. Essa bagunça de amor livre é perigosa, e sempre entendemos que não tinha nada a ver conosco. Ninguém ali tinha afeição a isso.


Planejou os seis filhos que teve com Pepeu?
Nunca planejei filho algum. Sempre desejei ter mais do que tenho.


Rolavam muitas drogas no sítio?
Nunca tivemos problemas com drogas. Fumar maconha um fumou, o outro fumou… Quem nunca fumou? No Brasil, na época da ditadura, a maconha foi muito difundida. Mas ninguém nunca entrou em cocaína, LSD… Criei meus filhos saudáveis, tudo bacana.


Se arrepende de alguma coisa daquela época?
A única coisa que deveria ter feito melhor era a parte do business. Nós tínhamos empresários ultrapassados, mas como estava parindo, tendo filhos, não tive tempo para isso. Dinheiro não traz a felicidade, mas é uma prosperidade, uma bênção de Deus. Queria ter tido essa visão para fazer com que o grupo fosse mais bem aproveitado, o Brasil teria nos curtido mais. Hoje, quando tentam nos juntar de novo, precisam de muito mais produção. Cada um tem que parar, largar sua agenda… Teria que ter pelo menos R$ 2 milhões de cachê. Mas acho que seria lindo, uma turnê maravilhosa.


Como você se converteu e virou evangélica?
Tive um arrebatamento no meu quarto. Quando tinha me separado do Pepeu, já tinham acontecido umas coisas bem “Poltergeists”, aí essas experiências começaram a voltar. Coisas fantásticas. Comecei a falar com Deus que tinha que conhecê-lo. Queria uma aparição Dele. Aí começou a acontecer, fui arrebatada. Deus me levou lá para cima e me mostrou tudo. Isso foi em maio de 1999.


O que seus filhos acharam quando você contou que havia se convertido?
De cara, todo mundo estranhou. Alguns ficaram com medo de que eu virasse aquela evangélica do coque, que ficasse muito radical como a Sarah (filha mais velha de Baby, que se converteu cinco anos antes da mãe) foi no início, e que foi nosso maior choque na época. Mas eu sempre soube que não ia trocar meu jeito por uma saia longa, coque e cara lavada. Com o tempo, meus filhos ficaram cada vez mais espirituais e viram coisas positivas na minha atitude. Quem tem chamado missionário, pastoral, está indo (além de Sarah, Baby tem outra filha pastora, Nanashara). E quem não tem, não tem problema nenhum. Não adianta forçar nada. A Bíblia fala que só o Espírito Santo convence.


O que acha de quem diz que você ficou maluca?
Se algupem ainda não estiver acostumado que eu sou muito louca, vou começar a rir. Meia dúzia de filhos, uma neta de 20 anos, os Novos Baianos… E comecei com 17 anos essa trajetória. Dou a minha cara a tapa bonitinho pra todo mundo. Sou cheia de vida e história maravilhosa, o cara vai falar o que de mim? Eu não quero julgar, quero ver o coração da pessoa. Mas tô num outro nível, minha cabeça está em outro mundo. Meu coração é bom para perdoar sempre. Acho que a galera do secular, que conhece minha história, deve observar mais. Vamos ver se a Baby virou uma carola, uma idiota, uma boba, se emburreceu…. Todo mundo acha que crente tem que ser feio, pobre e morar longe (risos). E eu já tôdizendo que cristão pode ter cabelo roxo, roupa muito louca, unhas coloridas e o coração cheio de Deus, cheio do bem.


Mas você não é carola?
Não. Não sou acusadora, cheia de preconceitos. Me vejo muito como sobrenatural, bem “Matrix” mesmo. Não estou além de nada, mas acho que tenho as antenas ligadas no sobrenatural de Deus. Vivo mais para o lado de lá do quepro lado de cá. Sou evangélica porque sou do Evangelho. Crente o diabo também é, porque ele sabe que Deus existe muito mais do que a maioria das pessoas. Sou crédula, da galera do “eu creio” (risos). Senão você taxa de alguma coisa, uma igreja ou pastor faz uma coisa errada e fica todo mundo com aquela cara… Sou evangélica, mas é bom que saibam que não estou fazendo parte de nada que está envolvido com qualquer coisa que não seja de fato os ensinamentos de Cristo.


Além dos direitos autorais de suas músicas, você vive com o dinheiro da igreja?
A igreja não tem cachê, ela oferta aos pastores. A oferta é como uma doação, tem o lado bíblico. É uma coisa de Deus ofertar. Dízimo não é oferta. Oferta você dá o que quiser, é do seu coração.


Uma de suas marcas é o cabelo colorido. Como chegou à cor roxa atual?
Foi Deus. Que situação, né? (risos). Está assim há cinco anos. Fiquei pensando, “Pai, qual deve ser a próxima cor, dá uma idéia aí”. O Pai deve estar dizendo “bota um anjo para ajudar essa menina porque ela quer saber tudo que eu quero” (risos). É uma relação paternal maravilhosa, você não cresce nunca, entendeu?


Você pinta o próprio cabelo?
Geralmente vai um cabeleireiro na minha casa. Não é tinta, é pigmento, então não tem amônia. Passo e sei que em um mês terei várias tonalidades, porque vai tingindo a cadeira, a casa, tudo…(risos). Como gosto da cor mais escura, passo o pigmento de 15 em 15 dias. Mas não tenho uma vaidade de terceira dimensão em cima disso. Esqueço de raspar a perna, de fazer a unha… Tenho esse lado masculino muito grande.


Lidou bem com o fato de se tornar avó? Como é a relação com a sua neta?
Quando a vi, achei maravilhoso (Rannah Sheeva é filha de Sarah Sheeva, filha mais velha da cantora e também pastora). Olhei a garota e disse “nooooossa, olha no que vai dar aquele negócio que eu e Pepeu fizemos um dia (risos)”. Tive uma sensação de coprodução com Deus. Minha relação com ela é maravilhosa, é a única que tem cabelo colorido na família, um verde azulado. E eu não a influenciei (risos).


Você só ouve música gospel?
Ouço muito gospel, mas sou apaixonada por Ella Fitzgerald. Adoro jazz. Também gosto de Paul MacCartney, João Gilberto, Stevie Wonder… Oro muito por Lady Gaga, temo muito por ela. Oro para que ela possa conhecer Deus como eu conheço. A galera que trabalha com ela faz muita alusão a trevas. Ela mexe em coisas negativas demais, tenho receio. Também pedi muito pela Whitney Houston, mas acho que ainda pedi pouco.

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