Pastores ameaçados na Colômbia

Pastores ameaçados na Colômbia

Atualizado: Quarta-feira, 25 Março de 2009 as 12

A situação dos cristãos nas regiões dominadas pela guerrilha colombiana continua muito grave. Após ter sido condenado à morte por rebeldes esquerdistas pela realização de cultos cristãos, um pastor de Arauca, região norte da Colômbia, foi ameaçado de morte pelos guerrilheiros.

Rebeldes telefonaram para o pastor da Igreja Ebenézer, em Saravena, dizendo-lhe para encontrá-los em um lugar do rio Arauca. Quando o pastor, que pediu anonimato, chegou ao local, os guerrilheiros o levaram de canoa para o outro lado do rio, em território venezuelano, conduzindo-o a um acampamento da guerrilha a uns quarenta minutos de distância.

Durante as três horas seguintes, os rebeldes alertaram-no de que os pastores da região tinham três opções: cooperar com a causa revolucionária dos guerrilheiros, sair da região ou morrer.

Eles o advertiram de que os pastores não devem pregar para os guerrilheiros, pois a mensagem cristã de paz contradiz seus objetivos militares; e não poderiam apoiar candidatos políticos cristãos sem sua permissão.

"Não queremos que os pastores e os que frequentam suas igrejas participem de política", disseram ao pastor. "Não queremos os evangélicos na política porque vocês não apoiam nossos ideais. Não temos nada em comum com os evangélicos."

Os guerrilheiros disseram que o grupo não se opõe aos pastores pregarem dentro das quatro paredes da igreja, mas a congregação não deve falar de política, guerra ou paz. Antes de deixarem o pastor ir embora, disseram-lhe que não terão compaixão dos membros das igrejas se eles continuarem a desobedecer essas diretrizes.

Tais ameaças não são novas para o pastor. Em 2006, fontes disseram que ele e sua família tiveram de abandonar seus pertences e a igreja que pastoreavam no vilarejo de Fortul após os guerrilheiros ameaçarem matá-lo por pregar e dirigir cultos cristãos em casa e no templo.

Os guerrilheiros assumiram o controle da região em 2007 e rapidamente declararam que o culto cristão era ilegal. Até janeiro de 2008, os guerrilheiros tinham fechado sete igrejas e proibido pregar sobre Jesus nas áreas rurais.

De acordo com o Relatório de Liberdade Religiosa Internacional de 2008, a unidade de direitos humanos do gabinete do procurador-geral da Colômbia está investigando 14 assassinatos de evangélicos, ocorridos nos anos anteriores. Acredita-se que eles tenham sido alvo porque criticavam aberta e francamente as organizações terroristas. O programa presidencial para os direitos humanos relatou que quase todos os assassinatos de padres podiam ser atribuídos aos guerrilheiros esquerdistas.

"Os líderes das Igrejas católica e protestante perceberam que os assassinatos de líderes religiosos nas comunidades rurais eram normalmente mal relatados devido ao isolamento e ao medo de retaliação", observa o relatório. "Os líderes religiosos normalmente não buscavam proteção do governo por suas crenças pacifistas e pelo temor de retaliação de grupos terroristas."

Uma organização de direitos humanos afiliada à igreja Menonita, Justicia, Paz y Acción No-violenta (Justapaz) declarou que os guerrilheiros, ex-paramilitares e novos grupos criminosos cometiam violência contra os líderes das igrejas evangélicas.

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