Pastores viram peões em obra de construtora no Panamá

Pastores viram peões em obra de construtora no Panamá

Atualizado: Terça-feira, 22 Maio de 2012 as 8:22

Curundu abriga uma das favelas mais violentas do Panamá. O brasileiro Julio Lopes é um dos diretores de contrato de Odebrecht, construtora responsável pela obra de reurbanização da cidade.

A violência e a briga entre gangues rivais são características da região, tanto que no dia em que recebeu alguns jornalistas brasileiros, três homens armados exigiam que membros de uma gangue rival, empregados na reurbanização do bairro encomendada pelo governo, fossem demitidos.

Enquanto o retorno financeiro da obra para a construtora não é tão bom, em termos institucionais é imenso. Segundo Julio Lopes, só no ano passado, a imprensa destacou mais de 120 notícias positivas sobre o processo de transformação de Curundu.

Para a realização da reurbanização, moradores da região são contratados como ajudantes. A curiosidade fica no fato de que entre os capatazes das obras, muitos pastores de igrejas ou ex-líderes de gangues, que receberam treinamento técnico.

Evitando possíveis conflitos entre as muitas gangues de Curundu, fez-se uma negociação entre todas elas. Um dos encontros que Lopes diz que mais o marcaram aconteceu no hotel Sheraton da cidade. A reunião terminou com um pacto de não agressão assinado em uma Bíblia.

O futuro de Curundu parece mais incerto. Dependerá em breve, entre outras coisas, de como o governo federal continuará os esforços de integração social e da pressão de gangues externas pela área de Curundu, hoje fortemente policiada. Segundo Lopes, a participação da construtora se encerrará em breve. A expectativa é entregar as obras até o final deste ano, um pouco antes do prazo limite, que vence em abril de 2013.


com informações do iG

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