As pedras não se tornaram em pães

As pedras não se tornaram em pães

Atualizado: Segunda-feira, 24 Junho de 2013 as 3:04

pedrasO encontro se consumara, Jesus, faminto e solitário, sofre investidas de Satanás. Não era para menos: Satanás perseguira a semente da mulher durante milhares de anos após ter seu destino traçado por Deus no jardim. Abraão, José, Moisés e Davi, por exemplo, foram alvos de Satanás, que temia ser um deles que esmagaria sua cabeça.
 
Contudo, não eram eles. Sinais suficientes apontavam para Jesus naquele momento e Satanás já tinha motivos para crer ser Ele o Enviado: nascimento virginal, o universo se comportando atipicamente e todos os requisitos históricos, políticos e religiosos O saudavam – Paulo chamou esse conjunto de fatos de “plenitude dos tempos” em Galátas 4.4.
 
Por isso, esse encontro foi emblemático, pois foi de comprovação a Satanás que a promessa de Gênesis três havia se cumprido. Para nós, era a chegada do Reino. Não humano, físico, mas espiritual. O Reino de Deus.
 
Isso ficou ainda mais claro logo na primeira proposta de Satanás ao perceber o estado de Jesus depois de 40 dias de jejum: “Se tu és Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pães”. Ao que Jesus respondeu: “Está escrito: nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mateus 4.3-4).
 
As pedras não se tornaram em pães! De quebra, há uma menção ao livro de Deuteronômio para confirmar por completo a finalidade da encarnação do Filho de Deus. Toda uma concepção humana sobre o reino de Deus caíra por terra com a chegada do Messias. Não seria ele um líder militar, político ou mesmo judaico. Mais do que isso: ele viera para resolver nosso litígio com Deus, promover nossa reconciliação e nos ofertar a vida eterna. Tudo isso por meio de seu sacrifício.
 
Eu penso que essa resposta de Jesus é suficiente para nos provar que a vida não está resumida naquilo que vemos e que Jesus não é alguém responsável – embora ele faça isso – por garantir apenas nosso alimento diário, o emprego ideal, o casamento dos sonhos, enfim, fornecer tudo aquilo reputamos ser uma vida perfeita. Reafirmo que ele faz e está preocupado com isso também. Apenas quero destacar o caráter espiritual da obra de Jesus, evidenciado, dentre tantos episódios, neste ao mostrar que, mais do que o alimento diário, o homem carece da palavra de Deus.
 
Toda a vida de Jesus foi uma vida em conformidade com a palavra de Deus revelada. São inúmeras citações aos profetas, aos salmos e à Lei, comprovando Sua visão da Escritura como sendo fonte de autoridade, inerrante e suficiente para nós. Em outra ocasião, disse aos seus discípulos que sua comida era fazer a vontade de Deus. Certamente, olhar para Jesus significa olhar para quem melhor andou “sob a lei”, prestando-lhe santa e plena obediência.
 
Que esta lição venha sobre nós e traga um efetivo temor e obediência à vontade de Deus expressa em sua palavra. Em tempos de cada vez mais interpretações distorcidas e existenciais da Bíblia, precisamos adequar nossa visão e nossa vida a este livro. E isso significará perguntar “o que o Autor quis dizer com este trecho?” ao invés de “o que eu entendo com este texto?”; vai também exigir a prioridade do “eu preciso entender e aplicar isso à minha vida” para depois se esforçar para que “as pessoas saibam sobre isso”.
 
Acho que não precisamos de uma nova reforma, nos moldes de Lutero. Precisamos, sim, de um retorno à Bíblia como regra de fé e prática. Porque tudo o que nos escandaliza tem como fonte primária o abandono e a ignorância “de toda a palavra que sai da boca de Deus”.
 
 
:: Tiago Lino Henriques
 

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