Pedreiro mata esposa evangélica por vício e paranóia

Pedreiro mata esposa evangélica por vício e paranóia

Atualizado: Quinta-feira, 2 Abril de 2009 as 12

A paranóia, um dos efeitos psíquicos crônicos causados pelo uso contínuo da pasta de cocaína, conhecida como "Merla", "Melado" ou ainda "Nóia", pode ter levado o pedreiro Diogo Vilhena Lima, de 40 anos, a assassinar a esposa Benedita do Carmo Lima, na noite de anteontem, no bairro do Guamá. Diogo matou a esposa, com quem vivia há vinte anos e teve seis filhos, com uma facada no peito. O crime ocorreu durante uma discussão e a filha mais nova do casal presenciou o assassinato da mãe.

Na madrugada de ontem, já preso, Diogo foi espancado pelos detentos da cela onde ficou encarcerado e teve que ser retirado do local pelos policiais da Seccional do Guamá, para não ser morto. O caso do assassinato cometido por Diogo vai muito além de um crime passional. Em entrevista, já mais calmo e sem estar sob efeitos das drogas, ele falou sobre o que recordava, mas em nenhum momento negou a autoria do crime. "Não recordo a hora em que aconteceu, mas lembro de ter pegado a faca e ferido ela (Benedita)", disse.

Menos de vinte e quatro horas antes de assassinar a esposa, Diogo havia sido preso por policiais militares da 11ª Zpol. Ele havia invadido uma loja de eletrodomésticos localizada na travessa Barão de Igarapé-Miri e danificado o telhado e alguns produtos. "Entrei lá porque achei que estavam querendo me matar, me perseguindo", recorda.

Aos policiais que o prenderam, Diogo dizia que traficantes do bairro queriam matá-lo e por isso invadiu a loja, não para roubar, mas para se esconder. Questionado se estava devendo dinheiro para traficantes, o pedreiro primeiramente se confessou viciado em drogas e depois esclareceu que não devia nada. "Disse isso porque nesse mundo (tráfico) muita gente passa a ter raiva de você, mesmo sem fazer nada. Mas isso era coisa da minha cabeça", comentou.

Vício

Diogo estava há três dias fora de casa e dormindo pela rua. Ele estava desempregado em razão do vício. Atualmente, como ele próprio diz, estava vivendo somente para o consumo da droga. O dinheiro vinha da aposentadoria de Benedita, que sofria do Mal de Alzheimer. "Eu era da igreja, trabalhava, mas acabei me afastando. Depois passei a beber cachaça e acabei nas drogas. Saí de casa correndo achando que havia pessoas querendo me matar", relatou.

Filha mais nova presenciou a morte da mãe

Diogo recorda que a esposa reclamava da vida que ele vinha levando e as brigas passaram a ser constantes. Porém, ele afirma que nunca agrediu Benedita. "Nós discutíamos porque havia ciúmes dos dois lados. Ficou pior desde a semana passada e terça-feira eu fiz essa besteira", contou.

A filha mais nova do casal, de apenas 13 anos, presenciou o crime e o mais velho, de 20, foi quem socorreu Benedita, levando-a para o Pronto- Socorro Municipal Humberto Maradei, no Guamá. Benedita morreu logo após dar entrada no hospital, para o desespero do filho. "Atende minha mãe! Ela não está morta! Tem que atender ela", gritava o rapaz.

Surra

Ontem pela manhã, já sóbrio, Diogo acordou com o corpo dolorido pelas agressões sofridas na cela onde estava preso. Ao saberem que ele havia matado a esposa e que ela era evangélica, os outros detentos passaram a agredi-lo violentamente. Ele só não foi morto por intervenção dos policiais que estavam no plantão noturno. "Nem sei mais o que vai ser da minha vida. Estou arrependido. Não sei qual vai ser a reação dos meus filhos. Não sei mais de nada", desabafou Diogo.

O caso está sendo presidido pela delegada Gorete Tourão e segue agora para o Ministério Público. Réu confesso, Diogo continuará preso aguardando as determinações da Justiça.

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