Pichador do Cristo Redentor depõe ao lado de pastor

Pichador do Cristo Redentor depõe ao lado de pastor

Atualizado: Sexta-feira, 23 Abril de 2010 as 12

Um dos pichadores da estátua do Cristo Redentor, o pintor de paredes Paulo Souza dos Santos, de 28 anos, foi indiciado ontem por crime ambiental e injúria por preconceito, mas vai responder ao inquérito em liberdade. Santos se apresentou nesta manhã da última quarta-feira à Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), onde prestou depoimento por cerca de três horas. O pintor reafirmou que quis fazer apenas um protesto para lembrar pessoas desaparecidas e pediu desculpas à população.

''Não imaginei que o caso causaria essa repercussão toda. A minha ideia era só fazer um protesto. Sou católico e não tenho preconceito com outras religiões'', afirmou Santos, ao lado do pastor Marcos Pereira, da igreja evangélica Assembleia de Deus dos Últimos Dias (Adud), que articulou a apresentação do pintor à polícia. ''Peço perdão a toda a população do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo''.

Embora tenha dito que não teve a intenção de desrespeitar a imagem do Cristo Redentor, a delegada-titular da DPMA, Juliana Emerique, informou que o crime de injúria também fará parte do inquérito. ''Ele alegou que realmente não foi nenhum ato discriminatório a qualquer tipo de religião, mas vai responder pelos dois delitos'', disse.

A pena para o crime de injúria por discriminação é de um a três anos de reclusão e multa. Para pichação em monumento tombado, que caracteriza crime ambiental, a pena é de seis meses a um ano de prisão, além de multa. A delegada acredita, no entanto, que Santos deve prestar serviços comunitários pelo segundo delito. ''Estamos diante de crimes cometidos sem violência ou grave ameaça, então podemos ter a substituição dessa pena por uma prestação de serviços''.

Santos foi identificado por investigadores da DPMA e da 9ª Delegacia de Polícia pela assinatura ''Aids'', feita ao lado das frases de protesto pichadas na estátua do Cristo no último dia 14. A polícia espera ouvir, na próxima segunda-feira, o depoimento de outro pichador, Edmar Batista de Carvalho, amigo de Santos e identificado pela assinatura ''Zabo''. A delegada afirmou que vai apurar a participação dos dois em grupos que danificaram túmulos e outros monumentos.

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