Poder do voto religioso cresce em um estado laico

Poder do voto religioso cresce em um estado laico

Atualizado: Terça-feira, 19 Outubro de 2010 as 9:36

Apesar de o Brasil ser um país laico, ou seja, não possuir orientação religiosa, as organizações cristãs se articulam cada vez mais para defender seus interesses no campo político-eleitoral. A Igreja Católica adota uma postura neutra em relação às eleições. Já as igrejas evangélicas têm ocupado espaços valiosos na política, lançando candidaturas e defendendo-as, inclusive, nos cultos religiosos. A grande questão é se os políticos da igreja usam a crença para conquistar os votos ou colocam seus mandatos a serviço da religião. Independentemente das intenções do dono do mandato, o voto religioso ganhou força no decorrer das eleições e é disputado por todos os partidos políticos, tornando-se protagonista da disputa presidencial deste ano.

Voto baseado nos dogmas da fé ganha força nestas eleições e é disputado por todos os partidos Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press Em nível nacional, os eleitores evangélicos foram apontados como os principais responsáveis pelo crescimento da candidatura da senadora Marina Silva (PV), também evangélica, à Presidência da República. A candidata chegou a quase 20%dos votos válidos. No Rio Grande do Norte, as igrejas evangélicas fizeram de Antônio Jácome (PMN) o deputado estadual mais votado destas eleições, com 54.746 votos. O mesmo eleitorado deu ao vereador natalense Adenúbio Melo (PSB) 72.654 votos na disputa pela Câmara Federal. Ele ficou na primeira suplência da coligação "Vitória do Povo" (PSB/PT/PTB/PPS).

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que 20% da população brasileira seja evangélica. No Rio Grande do Norte, o mesmo órgão calculou, em 2009, que mais de 430 mil eleitores potiguares seriam fieis de igrejas protestantes. O número representa quase 25% do eleitorado do Estado. Apesar de as igrejas terem pensamentos diferentes sobre determinados temas, elas se organizaram politicamente para eleger candidatos de diferentes congregações.

De acordo com o cientista político João Emanuel Evangelista, a formação dos grupos evangélicos não ocorre de forma unânime. Ele afirmou, em entrevista ao Diário de Natal, que nas próprias igrejas existem grupos que discordam em determinados temas. "Há um número muito grande de igrejas evangélicas com distintas orientações, inclusive teológicas. É um erro considerar todos os evangélicos como a expressão de um tipo de religiosidade conservadora e atrasada, como se ouve em alguns setores elitistas", declarou.

Por Allan Darlyson

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