Pós-modernidade, imediatismo e (des)informação

Pós-modernidade, imediatismo e (des)informação

Atualizado: Quinta-feira, 21 Novembro de 2013 as 10:18

Pós-modernidade, imediatismo e (des)informaçãoQuando alguém pede para que você pesquise sobre alguém ou algo, quais são suas fontes? Tais fontes são seguras? É possível encontrar tais recursos com mídias tão abertas e "colaborativas"?
 
Recentemente, li um texto no blog da editora-assistente da revista "sãopaulo", Anna Virginia Balloussier sobre a publicação do livro – ou pelo menos a tentativa de publica-lo – “A Grande Onda Vai te Pegar – Marketing, Espetáculo e Ciberespaço na Bola de Neve Church”. A página está hospedada no site da Folha.com e fala sobre o mundo religioso de forma geral.
 
Confesso que não me agradou o teor do texto. Apesar do espaço se caracterizar pela opinião da autora, é complicado quando se quer falar sobre algo ou alguém que não conhece direito. Ao descrever o pastor Rina, ela deu bons sinais que não conhece bem o líder da Bola de Neve.
 
Mas como o seu texto se destinava a falar sobre a obra, escrita por Eduardo Meinberg de Albuquerque Maranhão, a blogueira apresentou algumas informações sobre a vida do autor e a sua motivação para lançar a obra.
 
Segundo a blogueira, a história contada por Eduardo sobre como ele conheceu a igreja já imprime logo no início uma imagem por ela própria contestada (como é possível ver no texto).
 
Tendo passado pouco mais de um ano, frequentando a comunidade, Eduardo se foca em descreve-la como um “clube descolado”, cheio de “celebridades” da TV nacional e objetivos mercadológicos e midiáticos, tentando justificar que estes termos usados para definir a igreja (agência religiosa, marketing, espetáculo e midiatização) “são entendidos de forma diferente do senso comum”.
 
Como o próprio autor conta em seu livro, quando foi apresentado à igreja, já havia conhecido wicca, bruxaria, kardecismo e “mil igrejas evangélicas”. Porém, ao ver tal depoimento, tem-se a impressão de que o então vocalista de rock olhou para o evangelho, como olhou para qualquer outra “onda de fé”.
 
Ao invés de contar com um depoimento oficial da liderança da igreja, que daria mais credibilidade à sua obra, Eduardo preferiu ficar com a opinião inicial de sua amiga, que de maneira distorcida, lhe falou sobre o grupo.
 
Não estou aqui para simplesmente defender uma denominação (Quem conhece verdadeiramente a Bola de Neve, sabe que eles não precisam exatamente disto). Porém este caso me lembra uma situação muitos mais complexa. Este é apenas um exemplo de uma triste e cotidiana em nossa sociedade pós-moderna. Atualmente se fala tanto contra “Pré-conceitos”, mas ninguém mais quer parar para analisar nada. É bater o olho e pronto: “minha opinião está formada!”. E aí surge uma grande contradição: Pessoas que lutam contra o preconceito tornam-se preconceituosas contra aquilo que aparentemente não está de acordo com suas filosofias de vida.
 
“A religião é o ópio do povo!”; “Pastores são marketeiros”; “Igrejas só servem para arrancar dinheiro do povo”. Tais frases são tão clichês e mal formuladas, que se abrirmos um pouco nossa mente, perceberemos a tamanha insensatez que elas trazem.
 
Este livro - assim como tantos outros textos / obras / artigos- me parece escrito por um cara que não soube ler. Não soube fazer uma leitura digna do contexto por ele apenas frequentado e não estudado, vivenciado. É a realidade de quem quer informar, mas não tem tempo / paciência para SE informar.
 
O mais triste é saber que ele não é o único.
 
Por João Neto – www.guiame.com.br 

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