Pr. Leonel Ferreira teria oferecido 50 mil euros para encobrir crime

Pr. Leonel Ferreira teria oferecido 50 mil euros para encobrir crime

Atualizado: Terça-feira, 9 Novembro de 2010 as 3:24

Cinquenta mil euros. Esta terá sido a quantia oferecida a uma mulher pelo pastor Leonel Ferreira, o fundador da igreja Kharisma que ontem começou a ser julgado no Tribunal de Gaia, em Portugal, por traficar urânio. Graça Silvestre, de 60 anos, confessou ontem diante do colectivo de juízes que estava com graves dificuldades financeiras e aceitou viajar com o pastor até à Roménia para trazer uma encomenda. O pastor Leonel recusou-se a falar.

"Um amigo falou-me do senhor Leonel, disse-me que se fosse à Roménia buscar uma encomenda para ele me davam 50 mil euros. Eu estava desesperada, tinha muitas dívidas e aceitei. Não sabia o que ia buscar, na altura pensei que fosse droga", explicou a testemunha.

Segundo a acusação do Ministério Público, Graça iria buscar urânio enriquecido, produto que depois seria vendido pelo pastor Leonel, a quem cabia a função de arranjar um comprador. O negócio acabou por correr mal e ambos voltaram sem o urânio. "Comecei a ficar com muito medo e confrontei o senhor Leonel. Ele disse que a seu tempo eu iria saber que negócio estávamos a tratar. No dia seguinte voltamos para Portugal", contou Graça.

A viagem para a Roménia terá sido preparada ao pormenor. O pastor reuniu-se dias antes com a mulher no Algarve, comprou as passagens e reservou um hotel. "Falamos pouco durante a viagem. No avião fomos até em lugares distantes pois o senhor Leonel disse que não queria levantar suspeitas", continuou a testemunha.

Durante a audiência, a juíza - presidente confrontou ainda Graça com alguns contactos entre aquela e o pastor. Nos faxes trocados entre ambos, Leonel explicava que 30 gramas do produto que iam buscar à Roménia custavam mais de 356 mil euros. O arguido referia-se ainda a Graça como "querida amiga" e dizia que para continuarem com as boas negociações entre ambos "tinha de haver confiança". A testemunha negou, no entanto, todos os factos e garantiu que nunca possuiu fax.

Na sessão de ontem foram ouvidos ainda um inspector das Finanças e um mediador imobiliário. Esta última testemunha contou que alugou uma casa ao pastor. A moradia terá sido, no entanto, habitada por Eusébio, um amigo do arguido que também viajou com ele para a Roménia. O julgamento prossegue durante o dia de hoje.

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