Pra não deixar a peteca cair

Pra não deixar a peteca cair

Atualizado: Quinta-feira, 13 Junho de 2013 as 10:03

petecaO dia mau chegou. Depois de lutar, não foi possível sustentar, acabou. Além da tristeza e da dor, ele seria alvo dos olhares analíticos e julgadores. Além do fracasso, o preconceito.
 
Mas tinha dois amigos, que queriam manifestar apoio, dizer que estariam por perto e que sabiam que dias melhores viriam. Eram amigos diferentes daqueles da história de Jó, não se preocuparam em explicar o sofrimento, nem cobrar-lhe coerência, esses dois sabiam que seu amigo sofria e que ele é quem precisava de cuidados. Na hora da dor, não são nossos preconceitos filosóficos e teológicos que precisam ser protegidos, mas o amigo que sofre. Estes dois amigos sabiam disso.
 
Não se conheciam, tinham em comum apenas o amigo sofrido, cada qual em seu tempo e contexto pensou que um presente poderia expressar cuidado. Presentes na hora da dor são mais significativos que na hora da festa.
 
Primeiro um lhe presenteou com o singelo objeto que carregava grande significado. Tempos depois, o segundo amigo, o mesmo presente e as mesmas palavras de ânimo. Serve pra não desanimar, pra se lembrar de que é importante prosseguir, de que a vida continua e de que, apesar da dor, ainda se está no jogo.
 
Pra saber que não deve deixar a “peteca cair”, ele ganhou uma peteca num bonito embrulho. Isso mesmo, uma peteca! E tem presente mais criativo que este para inspira-lo a não desistir de seguir? Imagina então ganhar duas vezes, de dois amigos diferentes e igualmente queridos?
 
Peteca na mão, sorriso discreto e certeza grata. Ah! Tem Alguém lá em cima sim que gosta de nos chamar pra brincar, enquanto o tempo leva a dor que a vida trás.
 
 
- Alezxandre Robles
 

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