Premiê turco acusa Israel de trair a própria religião

Premiê turco acusa Israel de trair a própria religião

Atualizado: Segunda-feira, 7 Junho de 2010 as 2:47

O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, engrossou a retórica anti-Israel ontem quando, em discurso televisionado na Turquia, acusou Israel de trair sua própria religião. "Você [Israel] matou brutalmente Furkan Dogan, de 19 anos. Que fé, que livro sagrado pode servir como desculpa para matá-lo?", perguntou Erdogan, referindo-se a um dos nove ativistas turcos mortos no ataque israelense. "Estou falando com eles em sua própria língua. O sexto mandamento diz 'não matarás'. Vocês não entenderam? Vou dizer novamente. Vou dizer em inglês: 'you shall not kill'. Vocês ainda não entenderam? Então vou dizer a vocês em sua própria língua. Vou dizer em hebraico: 'Lo Tirtzakh'."

Na madrugada de segunda-feira (31), cerca de 700 ativistas tentaram furar o bloqueio imposto por Israel a Gaza para levar cerca de 10 mil toneladas de ajuda humanitária quando foram atacados e sequestrados por militares israelenses em águas internacionais. Pelo menos nove ativistas foram mortos na operação.

Funeral

Em Istambul, o pai de Cevdet Kiliclar caiu ao lado do caixão do filho, enquanto milhares de pessoas se ajoelhavam para rezar na mesquita de Beyazit pelo jornalista de 38 anos, que trabalhava para uma organização de caridade turca que organizou a flotilha. "As pessoas deram uma resposta apropriada, mas o governo ainda não", disse Nuri Dogan, estudante de 19 anos. No dia anterior, moradores de Istambul acompanharam o funeral de oito dos turcos mortos no ataque israelense.

O ataque da segunda-feira levou a relação entre os dois países a um ponto crítico. Prometendo nunca abandonar o povo palestino, o premiê turco comparou os assassinatos de palestinos por israelenses às mortes de civis turcos causadas pelo conflito com militantes separatistas curdos. "Eles mataram bebês nos braços de suas mães como os terroristas aqui. Eles mataram crianças inocentes em suas bicicletas", disse.

Erdogan defendeu a legitimidade do governo do Hamas. "O Hamas é um grupo de combatentes de resistência lutando por sua terra, eles são palestinos. Eles venceram uma eleição e agora estão nas prisões de Israel. Eu disse isso aos americanos, que não vejo o Hamas como um grupo terrorista".

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