Presbiterianismo completa 120 anos em Cuba

Presbiterianismo completa 120 anos em Cuba

Atualizado: Quinta-feira, 1 Julho de 2010 as 9:13

As contribuições dos 120 anos de presença da Igreja Presbiteriana-Reformada à nação cubana foram ressaltadas no ato de comemoração celebrado na cidade de Remedios, no centro-norte do país, pelo moderador do Sínodo da denominação, Reinerio Arce Valentín.

Arce Valentín fez uma recontagem histórica da vida dessa denominação protestante na Ilha, desde 1890, começando por ser uma igreja nacional patriótica, passando pelas  contribuições à obra evangélica em Cuba, à educação e à cultura a partir dos colégios que fundou.

O culto central pelo aniversário foi celebrado na Igreja Presbiteriana-Reformada de Remedios, uma das primeiras vilas fundadas pelos espanhóis em Cuba, a qual leva o nome do fundador do presbiterianismo na nação, o reverendo Evaristo Collazo.

O também reitor do Seminário Evangélico de Teologia (SET), de Matanças, falou, ainda, das contribuições dessa denominação ao ecumenismo, pois integra o Conselho de Igrejas Evangélicas de Cuba, criado em 1941.

Segundo dados do livro Apontamentos para uma História do Presbiterianismo em Cuba, de Rafael Cepeda, o fundador Collazo expressava numa de suas cartas enviadas à Junta de Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana do Sul dos Estados Unidos datada de 22 de abril de 1890: "Sinto-me inspirado pela esperança de que esta semente que o Senhor, por seu Espírito, impulsionou-me a plantar, jamais desaparecerá."

Como aportes de Collazo, o escritor arrolou que à história do protestantismo cubano se agrega a compra de um pedaço de terra para instalar o que seria o segundo cemitério protestante de toda a Ilha.

Em 16 de março de 1891, pastores das igrejas Episcopal, Metodista e Presbiteriana reuniram-se "com o louvável propósito de dar impulso a nossos trabalhos e afiançar mais a fraternidade entre ditas igrejas"; sendo esta a data e a ocasião da primeira tentativa ecumênica que se tem notícia em Cuba.

Dentro do reconhecimento à história figurou o fato de que Collazo, e outros dois obreiros cristãos, também foram "missionários patriotas", incorporando-se ao Exército Libertador para lutar pela independência da Ilha contra a Espanha.

A obra presbiteriana foi interrompida em 1894 e seu fundador incorporou-se à insurreição, servindo como enfermeiro e dentista, chegando a ser primeiro tenente do Exército Libertador, único pastor ordenado que participou como combatente ativo na segunda grande guerra independentista.

A figura de Magdalena, primeira esposa do fundador, também foi reconhecida, resgatando-se assim a importância de sua obra, uma vez que esta "cristã singela e fervorosa" resultou ser uma magnífica auxiliar nas tarefas pastorais, além de contribuir para a música nos cultos. A ela se deve a criação de uma escola para meninas, fato marcante numa época profundamente discriminatória para a mulher.

Postado por: Felipe Pinheiro

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