Presidente Lula participa de ato cívico-religioso dos 150 anos da IPB

Presidente Lula participa de ato cívico-religioso dos 150 anos da IPB

Atualizado: Quinta-feira, 13 Agosto de 2009 as 12

Com a Catedral Presbiteriana do Rio, no Centro da cidade, lotada por fiéis de todo o país e de 30 delegações estrangeiras, além da comissão executiva do Supremo Concílio, os presbiterianos comemoraram, nesta quarta-feira, 12 de agosto, os 150 anos da chegada da instituição ao Brasil com a realização de um ato cívico-religioso que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Sérgio Cabral, do prefeito Eduardo Paes, do senador Marcelo Crivella e outras autoridades, reunindo ainda representantes de todo o país, dos Estados Unidos, Angola, Porto Rico e outros, mais integrantes de várias outras congregações evangélicas e religiosa.

O evento marcou a chegada ao Brasil do reverendo Ashbel Green Simonton, missionário enviado pela Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, em 1859 que contou na época com a proteção e o apoio do Imperador Dom Pedro II, que manteve grande e próxima amizade com Simonton e sua esposa Helen Murdoch.

Segundo nota divulgada pela instituição religiosa, apesar da instalação da Igreja no Brasil ter acontecido em 1859, sua presença no País remonta há 452 anos, quando foi realizado o 1º Culto Reformado, na Ilha de Villegagnon, na Baía de Guanabara.

A Igreja Presbiteriana do Brasil possui cerca de 800 mil membros, 5 mil pastores e 3,6 mil igrejas espalhadas por todo o território nacional. Entre 2003 e 2009, o número de membros da Igreja cresceu 56%. A instituição possui 300 estabelecimentos educacionais em 21 estados brasileiros, com 100 mil alunos matriculados, hospitais, orfanatos e um serviço de assistência aos indígenas, a Missão Evangélica Caiuá, em Mato Grosso.

Prefeito

Em seu discurso durante o evento, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ressaltou a importância histórica para a cidade da Igreja Presbiteriana, primeira em todo o país a formar uma comunidade, em torno do missionário americano Ashbel Green Simonton, que chegou ao Brasil em 12 de agosto de 1859. Simonton e a esposa Helen Murdoch estavam "presentes" durante o culto, representados por uma dupla de missionários, que atende a comunidades na Amazônia, vestidos com trajes do século XIX.

- Quando Simonton veio para o Brasil, nos deu a honra de escolher o Rio de Janeiro como porta de entrada, para o início do seu trabalho de evangelização. E, ao longo desses 150 anos, a comunidade presbiteriana marcou de forma definitiva a cidade, com essa catedral onde estamos, uma jóia da arquitetura carioca e também porque a Igreja Presbiteriana foi testemunha e participou das transformações que a cidade passou, construindo seminários, escolas e colégios - explicou Paes.

Governador

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, elogiou "a escolha" de Simonton pelo Rio de Janeiro lembrando que, em seu diário pessoal, o missionário considerou a cidade "o lugar mais lindo, mais singular e radiante que jamais havia visto". "Posso constatar que se tratava, portanto, de um jovem de muito bom gosto" brincou o governador.

Presidente da República

Depois da saudação feita pelo reverendo Guilhermino Cunha, da Catedral Presbiteriana, o presidente Lula, em seu discurso, exaltou o trabalho das igrejas evangélicas

- A semente plantada por Simonton encontrou solo fértil em meio ao nosso povo. Rapidamente, a igreja ganhou adeptos entre nós. E, sem divorciar-se dos laços históricos com o protestantismo europeu e americano, tornou-se uma religião de brasileiros que passaram a administrar a instituição, além de administrar os cultos. A institucionalidade alcançada ainda no Império se consolidou nesse século e meio de existência. E representou um fato fundamental para a criação de diversas outras denominações, contribuindo e muito para a diversidade e a liberdade religiosa no nosso país - definiu Lula.

O presidente Lula encerrou o ato elogiando o esforço da Igreja Presbiteriana em difundir os preceitos cristãos na sociedade, e defendeu que quanto mais as pessoas tiverem uma orientação religiosa voltada para a compreensão mútua e a tolerância, mais rapidamente se reduzirão os índices de violência, em todos os continentes. Ele também destacou a boa convivência entre as religiões no Brasil e lembrou que por ocasião do centenário da igreja, o então presidente Juscelino Kubistchek também prestigiou as comemorações na catedral.

- Nós brasileiros somos, por formação, um povo de fé. Sabemos respeitar e valorizar a religiosidade em suas mais diversas manifestações, e as diferentes matrizes culturais que nos formaram, também visíveis em nossas religiões, são um dos nossos maiores patrimônios nacionais. Intensificamos o diálogo com a sociedade e adotamos ações educativas, buscando promover o convívio saudável e respeitoso entre todas as religiões. São poucos os países do mundo em que a liberdade religiosa é praticada com tanta intensidade como ocorre em nosso país - defendeu Lula, admitindo, no entanto, que "existem ainda preconceitos herdados do passado".

Lula também afirmou que "muito mais graves que os problemas econômicos, sociais, existe um problema crônico que é a degradação da estrutura familiar deste País". "Quantos momentos de bons ensinamentos temos na televisão, a nacional e a importada?", questionou o presidente. Lula disse que está na Presidência da República "por obra de Deus" e que nenhum livro de ciência política do passado poderia prever a união "de um grande empresário e um operário" para chegar ao poder, citando o vice-presidente, José Alencar.

Além do ato cívico foi inaugurado, ao meio-dia, um monumento escultório interativo do casal Simonton (Ashbel e Helen) na Praça Mauá e, às 19h30, foi celebrado um culto solene na Catedral Presbiteriana.

História

No dia 12 de agosto de 1859, chegou ao Rio para pregar o cristianismo, de inspiração calvinista, um jovem missionário americano, Ashbel Green Simonton. Esta é a data que marca o início dos trabalhos no Brasil, embora a fundação da igreja propriamente só tenha ocorrido em 1862.

Antes de Simonton, muitos protestantes tentaram pregar a religião no Brasil, mas as tentativas foram fracassadas, porque a Corte portuguesa, de profissão católica, resistia à presença de protestantes em sua maior colônia, cuja população era igualmente católica. Mas, em 1859, o pastor americano encontrou um país mais liberal do ponto de vista religioso e ele pôde, com o apoio e a proteção de seu amigo pessoal, o Imperador Dom Pedro II,iniciar seu trabalho com segurança. De 12 de agosto de 1859 a 12 de agosto de 2009, a instituição se expandiu, cresceu e consolidou suas bases no Brasil.

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