Primeira Igreja Batista do Brás comemora 100 anos

Primeira Igreja Batista do Brás comemora 100 anos

Atualizado: Quarta-feira, 29 Junho de 2011 as 3:23

No domingo 5 de junho, às 9h, a Primeira Igreja Batista do Brás iniciou as comemorações oficiais de seu centenário com a participação do Coral Alvorada, da Igreja Batista em Vila Gerte. O pastor Marcos Antônio Peres, titular da igreja centenária, em suas palavras iniciais enfatizou o momento significativo que a igreja passava, declarando sua gratidão a Deus. Em seguida ele apresentou o pastor Mario Pereira da Silva, de Vila Gerte, que orou ao Senhor pela igreja. A congregação exaltou a santidade de Deus com o Salmo 100 e o hino 2 do Hinário para o Culto Cristão: “Santo! Santo! Santo!”.

Naquela manhã o portador da mensagem foi o pastor José Vieira Rocha, que por mais de 30 anos esteve à frente da PIB do Brás. Tendo como base o texto de Provérbios 22.28 ele falou sobre sinais. “Alguns desses sinais ficaram no passado. Outros podem ser vistos no presente”. Entretanto, segundo ele, “é preciso prosseguir”. Sua admoestação foi no sentido de que todos devem empenhar-se na busca de outros sinais, “que se encontram no futuro”, missão da igreja para a continuação da expansão do Reino de Deus. Num rápido mergulho no passado, sua palavra resgatou marcas que ficaram em muitas vidas dedicadas a Deus. Vidas que o Senhor usou para que sua mensagem chegasse até os brasileiros, desde Villegagnon, no ano de 1555 (que se deparou com os jesuítas, opositores aos planos de Deus), a Thomas Jefferson, em 1850, primeiro missionário batista em solo brasileiro, e muitos outros destemidos servos de Deus que aqui chegaram para anunciar as boas novas de salvação.

No culto da noite a igreja foi abençoada por seu Coral Masculino. Reforçado por algumas vozes de igrejas co-irmãs, além de instrumentistas, o coral, com cerca de 130 participantes, apresentou em louvor a Deus a cantata “Princípios”. A mensagem, baseada em Romanos 10.11-13 e 17, foi proferida pelo pastor Marcos Peres, que, fazendo alusão à cantata, lembrou a todos sobre a presença de Deus na vida do ser humano desde o princípio para guardá-lo das investidas do inimigo.

Noites frias abençoadas A despeito da chuva e do intenso frio que chegaram no fim do outono, nos três dias que se seguiram a igreja compareceu para continuar agradecendo a Deus pelos seus 100 anos.

Na segunda-feira, dia 6 de junho, o louvor ficou por conta do Conjunto Adorare, da PIB do Brás. Já o irmão Gesildo Calixto deixou os presentes emocionados ao cantar “Cem anos de trabalho”, letra que faz a travessia pela história dos servos pastores que lideraram a PIB do Brás, desde Bagby a Marcos Peres.

A Primeira Igreja Batista de Maceió, com seus 126 anos, emprestou o pastor Tércio Ribeiro de Souza para ser um instrumento de Deus na transmissão de sua Palavra à igreja. Ministrando a partir do texto de Gênesis 15.1-6, ele chamou a atenção da igreja para o novo tempo que se deseja celebrar. Para que a obra não sofra prejuízos, “é necessário que sejam observados posicionamentos”. A igreja deve celebrar um novo tempo “sob os cuidados de Deus. Ele é o seu protetor, o seu provedor. É preciso crer nas promessas de Deus”. Buscar sempre direcionamento em sua Palavra, na certeza de que “o Senhor proverá”.

Na terça, dia 7, mais uma vez o Coral Masculino ofereceu louvores ao Senhor. Deus usou mais uma vez o pastor Tércio para levantar o ânimo dos irmãos. Centrando sua palavra em Filipenses 4.4-13 ele alertou sobre o cuidado que se deve ter em relação às circunstâncias que envolvem a vida dos servos: “Elas não devem anular a alegria do crente”.

Já a quarta-feira, dia 8 de junho, data de organização da igreja, foi bastante especial. O Coral Principal da PIB do Brás abriu o culto daquela noite cantando “A Glória de Deus”. Muitos irmãos de outras igrejas marcaram presença, alguns deles ex-membros da PIB do Brás. Também compareceram pastores convidados, dentre eles Paulo Eduardo (da Primeira Igreja Batista em São Paulo), Manoel de Jesus The (auxiliar na Igreja Batista Nações Unidas), Francisco Sivi (Primeira Igreja Batista em Parque São Bernardo), Irland de Azevedo (Primeira Igreja Batista em São Paulo), que trouxeram saudações à igreja. A congregação também cantou o hino oficial do Centenário, “Vamos celebrar”, composto pela irmã Rosana Calixto. Em seguida o pastor Marcos Peres cumprimentou os presentes, rendendo graças a Deus pelos 100 anos da igreja, e convidou o pastor José Vieira Rocha para orar. Em sua oração o pastor Vieira lembrou, com gratidão a Deus, dos 23 irmãos que iniciaram o trabalho, pedindo ao Senhor que continuasse a sustentar sua igreja na missão de anunciar a salvação aos perdidos.

Mais uma vez o pastor Tércio foi instrumento de Deus para exortar a igreja. Firme e sério, mas sem deixar de expressar seu bom humor, inicialmente ele agradeceu o convite que lhe foi feito para ocasião tão significativa na história da igreja e pelo carinho demonstrado a ele e a sua esposa, irmã Kerem. Em seguida, abrindo em Isaías 43.18-19, ele referiu-se ao tema dos 100 anos: “Celebrando um novo tempo”. Assim ele indicou à igreja que “para que isso se confirme, seja de fato vivenciado, e não fique apenas como mais um tema ocasional, é preciso que se adotem algumas atitudes”, que venham atender a expectativas, transformando-as em algo real. O pastor relevou o fato de “a igreja não desprezar o passado”, suas marcas. Por outro lado, alertou-a para que “não fique presa ao passado, esquecendo o que está acontecendo e o que vai acontecer pela ação de Deus”, que quer todos plenamente ativos, olhando para Jesus e seguindo adiante confiantes.

O portal do tempo 8 de junho de 1911 - 8 de junho de 2011. Entre estas datas há apenas um lapso de 100 anos. Noites muito especiais na vida da igreja. O Senhor é quem dirige a história do seu povo e de todos.

No encerramento do culto, os presentes, robustecidos pelas bênçãos recebidas até aquele instante, foram conduzidos a um túnel do tempo. Apagaram-se as luzes. O silêncio “ouviu” os passos de 23 irmãos e irmãs adentrando ao templo. Vestidos a caráter e segurando lampiões, em singela e expressiva dramatização, alumiaram aquela noite, 8 de junho de 1911, lá no Brás de antão: O nascimento da “Egreja Baptista do Bráz”.

Um outono diferente Dele, poder-se-ia dizer, como tantas vezes se ouve dizer, que seria mais um dia como muitos outros. Mas aquele 8 de junho simplesmente era especial. Como também se diz, foi escolhido a dedo. De Deus. Uma quinta-feira fria do outono de 1911. Noite fria que prenunciava como seria o inverno daquele ano. Para o desalentado, precipitado em sua desesperança, mais um dia passado sem nada de proveito a ser acrescentado à sua fatigante rotina. Contudo, para alguns poucos batistas paulistanos - um grupo pequeno que, de maneira extraordinária, em poucos anos se multiplicaria -, uma noite fria aquentada pela presença de Deus, que deixaria a marca indelével de suas bênçãos derramadas naqueles corações que ali se achegaram para adorar ao Senhor.

Alumiada por luz movida a querosene, a sala onde os irmãos se reuniam ficava no número 230 da Avenida Celso Garcia. Ainda que um pouco acanhada para receber os de casa, além de muitos convidados de outras denominações, estava preparada para ocasião tão importante como aquela. Em razão da impossibilidade de o missionário J. J. Taylor presidir a solenidade de organização da igreja, acometido de uma doença, a incumbência coube ao também missionário F. M. Edwards. Para fazer o registro dos acontecimentos e, posteriormente, lavrar a ata, foi designado o irmão José Gresemberg.

Às 19h iniciou-se o culto em louvor a Deus. Para expressar a alegria  que se achava aninhada no coração dos presentes e a disposição que tinham de se aproximar mais de Jesus, a congregação cantou o hino 336. Após esse momento de louvor, o missionário A. B. Deter valeu-se do capítulo 12 de Romanos para incitar os irmãos a consagrarem suas as vidas a Deus, a caminharem em humildade e a serem fiéis no uso dos dons recebidos.

Em seguida se seguiram instantes de extrema emoção, quando foram apresentados os membros-fundadores, que vieram da Igreja Batista da Liberdade e da PIB em São Paulo. Os 23 servos que cumpriram o desígnio recebido do Senhor de organizar a terceira igreja batista na cidade de São Paulo - a PIB do Brás -, cooperando assim com a expansão do Reino de Deus: Benjamim Rodrigues, Julieta Rodrigues, Manoel Januário da Silva Pinto, Maria da Silva Pinto, Francisco Ferreira da Silva, Joaquim Bernardo de Oliveira, Dorcas de Oliveira, Bento Theodoro da Cunha, Celestina Tibúrcio da Cunha, Innocêncio Thomaz, Maria José Oliveira Tinoco, Benedita da Silva Pinto, Clara Ferreira, Maria Ferreira, Aurora R. Oliveira, Evangelina de Oliveira, Joaquina Ferreira Silva Pinto, Pr. William Buck Bagby, Anna Luther Bagby, Alice Bagby, Helena Bagby, Olavo Bagby e Kate Carrol. Naquela noite, três mensagens foram entregues. O pastor A. D. Deter discorreu sobre “O que é uma igreja evangélica batista”. O missionário F. M. Edwards meditou sobre “As responsabilidades de uma igreja batista”. O terceiro a tomar a palavra foi o pastor Bagby, que falou sobre “A causa batista em São Paulo”. Após a entrega das mensagens, fez-se a leitura do Pacto das Igrejas Batistas, que foi colocado em votação e adotado pelos presentes.

Depois disso foi escolhido o pastor William Buck Bagby como primeiro pastor da igreja, e o irmão Manoel Januário da Silva Pinto para ser o primeiro-secretário. Participando da reunião, o coronel Antônio Ernesto da Silva, presbiteriano, também trouxe uma saudação à igreja: “Como te chamas”. Ao final daquele encontro, os 23 membros-fundadores escolheram o nome da nova igreja: “Egreja Baptista do Bráz”.

Ainda que se façam planos para concretizar projetos, é o Senhor, Senhor de tudo, quem decide. E é Ele também, em sua onisciência, com todos os cuidados prodigiosos que Lhe são próprios, quem desenha o nosso caminho. O Senhor havia reservado no calendário daqueles irmãos um acontecimento que se projetaria através dos tempos, resgatando muitos perdidos pelos caminhos, e chegaria aos nossos dias, como a história contou e registrou, ajuntando milhares de vidas ao seu rebanho. Nesses 100 anos de existência, período em que passou por 6 endereços até chegar ao atual - Rua Major Otaviano, 363 - a PIB do Brás esteve sob a liderança de 17 pastores, organizou 27 igrejas, realizou mais de 3 mil batismos, tendo registrado em seu rol cerca de 7 mil membros.    

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