Profissionais de saúde encontram equilíbrio em evento

Profissionais de saúde encontram equilíbrio em evento

Atualizado: Sexta-feira, 1 Outubro de 2010 as 11:04

Ela veio de Belém, no Pará, atraída pela ideia de ver reunidos colegas da área de saúde e saber mais sobre as pesquisas internacionais na área. Recebeu bem mais que isto. Larissa Costa, mestre e professora de Nutrição na Universidade Federal do Pará, foi uma das profissionais da saúde que compareceram ao encontro oferecido pela União Sul Brasileira, aberto também aos estudantes. “Fiquei surpresa com o foco que não é só a questão da alimentação, mas o porquê de fazer tudo isto.

Não é só ter saúde, viver mais e sim louvar e glorificar a Deus. O encontro superou muito minhas expectativas”, explica Larissa.

Convidado para o evento, o médico Allan Handysides, diretor de saúde para a Igreja Adventista no mundo, deixou bem claro que antes de procurar ser o mais especialista, o profissional adventista deve procurar a Cristo. “O que separa um médico adventista dos outros é o espírito de Cristo. Temos que encontrar Jesus, crer nEle e aí então faremos a sua Obra. Como  podemos trabalhar para cristo se não acreditarmos nele?”, indaga Handysides. Foi esta ênfase espiritual que Eduarda Tramontin Siegel, estudante de tradução, buscava. “Queria ampliar os conhecimentos, pois a área de saúde vive sempre se modificando e tem o lado espiritual, que as faculdades ignoram”, argumentou a jovem que veio junto com a amiga Taiara de Souza, estudante do 3º ano de psicologia. “Eu gosto muito da área, mas sei que existe muito ateísmo e preciso estar sempre bem equipada com a Bíblia e o Espírito de Profecia. Este curso abriu minha mente para as diversas áreas que posso trabalhar com meus futuros pacientes”, planeja.

Para este público, que ainda está na universidade, as histórias de fé e provação do Dr. Helnio Nogueira foram uma motivação e tanto. O médico nefrologista que é preceptor dos residentes da Santa Casa de Curitiba contou como enfrentou professores ateus e provas aos sábados na Universidade Federal do Paraná, há alguns anos. Ele também traduziu o pastor Handysides e deu palestras mostrando a diferença que o estilo de vida adventista faz na expectativa de vida, mas ressaltou o equilíbrio.  “Eu fui correr na praia e achei que deixaria todos, inclusive os jovens, para trás. Não foi o que aconteceu. Eles não podiam ficar esperando pro mim e eu não conseguia correr como eles. É assim na reforma de saúde. Não se pode exigir que outros sigam seu ritmo. É isto que pregamos aqui”, ressaltou o médico que coordenou o Hospital Adventista do Pênfigo por quase duas décadas.

O evento que está na segunda edição pretende estabelecer a ligação entre o espiritual e a ciência e mostrar como pode haver harmonia nas duas áreas, como se vê nos escritos de Ellen White, uma escritora norte-americana que, orientada por Deus, foi a precursora do chamado estilo de vida saudável que pelo qual a Igreja Adventista é conhecida. Para o pastor Marcos Bomfim, líder de Saúde para o Sul do Brasil e organizador do encontro, não faz sentido alguém ser adventista e não crer no Espírito de Profecia. “Muitos dentre os adventistas tem rejeição à mensagem de saúde porque dizem não crer no Espírito de Profecia e eu acho isto uma grande incoerência. Se isto acontece é por três motivos, o primeiro é falta de ler os escritos, depois é possível pensar que ela de fato não foi inspirada como dizia, aí então vem outro problema, pois ela seria uma mentirosa e como ficar numa igreja que crê, publica e divulga livros e materiais de uma mentirosa? É uma incoerência ser adventista assim”, argumenta Bomfim.

Independente de ser da área da saúde, pessoas que se interessam pelo assunto também tiram proveito. Maria Eugênia, locutora e vendedora de comerciais numa rádio de Brusque, SC,  até já fez um curso técnico no passado, mas se dedica ao ministério da saúde por pura paixão mesmo. “Eu não sou profissional de saúde, mas gosto muito do assunto e aproveito cada oportunidade para aprender mais, conversar com os médicos e passar adiante o que aprendo, ensinando um estilo de vida saudável para amigos e vizinhos”, diz Maria Eugênia.

No curso, palestrantes como a nutricionista e doutora em alimentos, Márcia Martins, explicaram mitos relacionados aos alimentos e ao regime vegetariano. O médico Helevon Rosa bateu na tecla da postura ética e advertiu que “santidade na vida é essencial para trabalhar. Nós, profissionais da saúde, necessitamos de comportamento íntegro no atendimento aos pacientes. Cuidar com o que nossos olhos vêem e nossa mente imagina”. A tônica do equilíbrio ao pregar e viver a mensagem de saúde também teve muito destaque, lembrando que é comum acontecerem polarizações entre os que comem carne e os vegetarianos que são tidos como chatos. Contudo, a despeito da ênfase no conhecimento médico, foi advogado o princípio de que o dom na área de saúde é também uma responsabilidade com a sociedade e um compromisso com Deus. Incentivar os jovens e mais velhos a encarar uma fase missionária em algum lugar carente rendeu interessados.

Para o pastor Handysides, estes encontros ao redor do mundo unificam a missão da Igreja Adventista nesta área, pois o “ministério da saúde não é para viver 10 anos mais ou para pregar o vegetarianismo, mas para agradecer a Deus pelo que Ele fez. A mensagem de saúde é muito importante, mas não é ‘a’ mensagem. Colocá-la em primeiro lugar é não entender nada. Cristo vem antes. Ele é a mensagem”, enfatizou o médico que também é missionário.  

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