Projeto Na Crista com Cristo ensina surfe e bíblia para crianças carentes

Projeto Na Crista com Cristo ensina surfe e bíblia para crianças carentes

Atualizado: Terça-feira, 26 Abril de 2011 as 3:13

O surfista amador Carlos Franco, de 42 anos, julga ter escapado da morte por pouco, em 2005, quando, sem perceber, surfou perto de um tubarão, no Recreio. A partir daquele dia, sua vida mudou. Conhecido como Frank, o hoje bem-sucedido comerciante sofreu uma transformação radical. De pouco crente na força divina passou a adorador do Evangelho, o que aguçou o seu espírito de solidariedade. Surgia ali a ideia do projeto Na Crista com Cristo, que já beneficiou mais de 500 crianças e jovens, a maioria moradora do Terreirão, onde vive desde os 25 anos. Popular e extrovertido, Frank ensina surfe a seus alunos imaginando um novo horizonte para eles, construído com disciplina e dedicação ao esporte.

O GLOBO-Barra: Como surgiu o projeto? Frank: Tudo começou em 2005, quando eu estava surfando na Praia do Recreio e fui fotografado por um amigo. Ao ver a foto, ele constatou que eu estava surfando bem perto de um tubarão. A imagem foi enviada para alguns jornais, saindo em vários deles no dia seguinte. Aquilo me tocou. Para mim, é uma obra divina eu estar aqui hoje. Aquele foi um momento em que eu parei para refletir e vi que Deus vinha me ajudando bastante, já que a minha loja de artigos de surfe, a Frank’s Point, também estava dando certo. Eu me converti, passei a frequentar a igreja Assembleia de Deus e, então, resolvi compartilhar um pouco dessa minha alegria com as pessoas. Foi aí que resolvi ensinar surfe às crianças que não têm dinheiro para pagar aulas desse esporte.

Qual é o perfil dos alunos que já passaram pelo projeto? Frank: O projeto — que começou com o nome de Escola de Surfe Frank’s Point e hoje se chama Na Crista com Cristo — já beneficiou cerca de 500 pessoas, entre crianças e adolescentes. Quase todas moram no Terreirão, onde é a nossa sede. Atualmente, temos 30 alunos matriculados e a exigência é que todos estejam estudando. Já tive alunos que eram envolvidos com drogas antes de conhecerem o projeto. Conseguimos modificar a vida de muita gente.

O projeto se restringe às aulas de surfe? Frank: Não. Em primeiro lugar, avaliamos o desempenho das crianças na escola, através do nosso programa Boas Notas. Quem não está indo bem no colégio é afastado do projeto. Além do surfe, temos atividades extras, feitas em caráter esporádico, graças à ajuda de colaboradores. Outro dia, tivemos aula de jiu-jítsu. Vez ou outra, realizamos palestras e exibimos vídeos com atletas. Voluntários também prestam assistência psicológica e jurídica. Uma vez por mês, levamos as crianças para um rodízio de pizzas no quiosque Via 9, na Praia do Recreio. Elas lancham lá a convite do dono, Cleiton Rodrigues, que nos conheceu na praia e passou a colaborar com o grupo. Hoje, ele e os seus quatro filhos surfam conosco.

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