Publicação se retrata por artigo sobre Jesus

Publicação se retrata por artigo sobre Jesus

Atualizado: Terça-feira, 17 Agosto de 2010 as 1:48

Trabalho publicado pela Virology Journal que aborda a descrição bíblica da cura de uma mulher como um possível caso de influenza gerou polêmica no meio acadêmico.

O artigo "Influenza or not influenza: Analysis of a case of high fever that happened 2000 years ago in Biblical time", publicado em 21 de julho, especulava que uma mulher curada por Jesus seria um dos primeiros registros da doença.

Após uma série de críticas, inclusive da comunidade científica, o próprio editor-chefe Robert F. Garry pediu desculpas públicas pelo artigo. Em suas palavras, ele “claramente não contém o tipo de embasamento robusto de dados necessário”. Garry pede ainda desculpas por “qualquer confusão ou preocupação que o artigo possa ter causado entre os leitores, ou além”.

O editor esclareceu que a intenção do material era ser uma peça opinativa, mas que “as especulações contidas nele claramente seriam mais bem expressas fora dos domínios de um veículo peer-reviewed”. O termo é usado para descrever aqueles jornais e revistas que têm uma política para aceitar a publicação de uma peça com base no julgamento da obra por “pares” do autor. Isso quer dizer que um trabalho submetido é avaliado por dois ou três especialistas que irão julgar se o manuscrito pode ser publicado como está. Estes revisores podem sugerir mudanças, fazer críticas, comentários... Eles também têm a liberdade de dizer que o trabalho é bom, mas não está no escopo da revista, por exemplo.

O polêmico trabalho era um estudo de caso de uma mulher descrita nos evangelhos de Marcos (1:29-33), Lucas (4:38-39), e Mateus (8:14-15). A sogra de Pedro aparece com tendo uma febre alta e teria sido curada por Jesus Cristo. Entre as razões para a conclusão do diagnóstico de influenza está a de que dificilmente ela teria uma infecção bacteriana grave – já que tal quadro não seria resolvido instantaneamente. Os autores, da Universidade Chinesa de Hong Kong, também descartam doenças autoimunes, uma vez que a única descrição de sintomas é a febre.

O trabalho afirma ainda que não há indícios de que tenha se tratado de uma doença causada por um demônio ou diabo, já que, sempre que um caso desses aparece na Bíblia, ele é especificado e vem associado a uma convulsão quando o demônio é expulso.

A conclusão do trabalho é a de que, se a hipótese for verdadeira, este seria um dos mais antigos casos de descrição da influenza.

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