"Pulseirinhas coloridas": Inocência ou mera desculpa para o sexo?

"Pulseirinhas coloridas": Inocência ou mera desculpa para o sexo?

Atualizado: Quinta-feira, 22 Abril de 2010 as 12

Elas estão nos braços e pulsos de jovens e adolescentes. São coloridas, de borracha e ainda acessíveis em inúmeras bancas de jornal ou lojas de acessórios para a geração ''teen''. Conhecidas por pais e orientadores como as ''pulseirinhas do sexo'', este adereço tem sido motivo de preocupação, não somente para os responsáveis pela garotada, mas também para governantes autoridades judiciais - como no caso do estado do Paraná, no qual uma garota chegou a ser estuprada por usar o enfeite. Já em alguns colégios do Rio de Janeiro, o uso do adorno chegou a ser proibido dentro das dependências escolares. Muitos as usam, alegando que são simplesmente enfeites simpáticos, mas elas podem também ser usadas em um brincadeira que pode ganhar proporções de um verdadeiro jogo sexual. Ao usar o adereço, faz-se um ''pacto'', que se cumpre quando a peça se arrebenta. Um beijo, um abraço e até mesmo relações sexuais estão entre as ''prendas'' a serem pagas nesta ''brincadeira'', conforme a cor de cada uma delas.

Entrevistados exclusivamente pelo GUIAME.com.br, orientadores de jovens falaram sobre o mal que as pulseirinhas coloridas podem proporcionar aos jovens e adolescentes brasileiros. Entre os temas abordados em seus depoimentos estão a banalização do sexo, as medidas tomadas por autoridades estaduais e a função de pais e educadores no combate à influência que esse jogo pode exercer sobre a nova geração.

Para o pastor de jovens da Igreja Adventista da Promessa de São Paulo, publicitário, escritor e palestrante Edmilson Ferreira Mendes, o combate ao jogo que tem as ''pulseirinhas do sexo'' como peças essenciais não deve ser reduzido a um discurso meramente legalista e que, para que isso não aconteça, deve-se ter opiniões baseadas em princípios sólidos. O colunista do GUIAME.com.br e autor de um artigo informativo sobre o assunto propõe em seu texto que o ''clichê'' seja logo eliminado e que o debate não se dirija por perguntas que possam ser facilmente respondidas como ''Todos irão cair?'', ''Uns usarão por brincadeira?'', ''Outros usarão somente para compor um visual moderninho?''. Segundo o autor, essas seriam perguntas que permeariam mentes moralistas, porém a validade dos argumentos baseados em princípios de um cristão verdadeiramente crítico estaria relacionada justamente ao fato de poder fugir desse raciocínio tradicionalista.

''Escrevi: 'Estas perguntas estão aqui para eliminar qualquer desconfiança sobre um viés meramente moralista', pois existe uma porcentagem de leitores que insiste em reduzir nossa opinião a fanatismo, moralismo, legalismo, tradicionalismo. Para estes leitores somos pessoas para quem toda 'culpa é do diabo', ou seja, para eles não temos pensamento crítico'', esclareceu.

Continuando o raciocínio de que o problema não está somente no simples fato de usar ou não usar a famosa pulseirinha, o escritor lembra que é preciso estar atento para os significados e sugestões que ela carrega consigo. Segundo o palestrante, ser ''descolado'' ou ''antenado'' é uma proposta sedutora para adolescentes que estão em busca de aceitação. Em seu artigo, o escritor lembra: ''O problema reside no que sugere esta moda, e na força como sugere. Afinal, ser atual, moderno e antenado é desejo de 9 entre 10 adolescentes'' e explica a afirmação.

''Em outras palavras, a moçada enfrenta de tempos em tempos o que chamo de 'pressão da tendência atual'. Hoje são 'pulseirinhas do sexo', amanhã serão outras pressões, o inferno certamente já tem novidades preparadas. Portanto eu não responderia qual a 'utilidade', mas diria que é uma atitude 'utilitarista', pois é 'útil' para se estar na onda do momento, e também é, sem dúvida, uma forma de status entre boa parte dos adolescentes'', apontou.

Proibição

Quando questionado em relação às atitudes de governos como o do Paraná e do Rio de Janeiro, que proibiram a venda das pulseirinhas coloridas ou o uso delas dentro das escolas, Edmilson lembra que os resutados a longo prazo de tais medidas podem não ser tão satisfatórios quanto se espera. Segundo o pastor, a ideia de que o ''proibido é mais gostoso'' pode ganhar ganhar ainda mais espaço em situações como esta.

''Penso que [a proibição] ajuda um pouco, mas não resolve. O simples fato do governo proibir já desperta o 'desejo por aquilo que é proíbido', tão comum na fase adolescente. Conscientização, orientação persistente e conselho paciente entendo como esforços que apontam para um caminho melhor. Pois, como afirmo no artigo 'As tais pulseiras do sexo são apenas mais uma sutileza pensada para destruir jovens em formação, frágeis nas suas emoções e já confusos com tanta oferta de sexo fácil'', afirmou.

Algemas?

Uma desculpa para ''purificar'' a relação sexual fora do casamento. Essa também foi uma característica dada por Edmilson às pulseiras em questão. Ele a compara com a expressão ''só farei sexo quando eu encontrar a pessoa que eu realmente amar'' e coloca ambas as justificativas como semelhantes e errôneas, havendo como único fator de diferença o acréscimo dos adereços coloridos, os quais podem passar de pulseiras para algemas nos pulsos de seus usuários.

''Certamente é uma desculpa errônea, idêntica aquela desculpa mais antiga: só farei sexo quando eu encontrar a pessoa que eu realmente amar. O que mudou da desculpa antiga para esta foi só o acréscimo da pulseira. Para esta pergunta eu volto novamente ao artigo , no trecho onde procuro alertar: 'Cuidado com a adesão às pulseirinhas. De enfeite moderno para os pulsos as mesmas podem se transformar em algemas... Nossa liberdade é muito nobre para ser desprezada com objetos que nos tratam como objetos, pois se meu corpo se transforma em prêmio de um jogo, já não sou nada além de um mísero objeto.'', alertou.

Concordando com o pastor Edmilson, o missionário e pastor de jovens da Igreja Presbiteriana de Fortaleza (CE), conhecido como Marquito Santos também colocou as intenções que existem por trás dos adereços coloridos como um perigo para os adolescentes e ainda alertou que o envolvimento pode prejudicar não somente os seus usuários, mas também as pessoas que estão a volta dos jovens prejudicados por tal jogo que ele coloca como uma estratégia maligna, ainda que sutil.

''O Diabo é sujo! Esta sua estratégia envolvendo as 'Pulseirinhas do Sexo' é sem dúvida uma das sutis armadilhas que ele costuma lançar sobre a vida de adolescentes ao redor do mundo. Muito embora algumas pessoas se envolvam indiretamente nessa história, ou seja, apenas consumindo a coloridas a atuais pulseirinhas e outras não vejam problema nisso. Bem, o fato é que por não se preocupar com coisas aparentemente pequenas e inofensivas é que muitos jovens estão morrendo nas drogas, vivendo o inferno colorido das baladas entorpecidas pelo sexo 'livre' e acreditando que a vida é essa bonita propaganda de cigarros (que segundo o ministério da saúde no final o mocinho morre de câncer no pulmão...), mas segundo esses pais irresponsáveis: 'isso não me atinge!'', lembrou.

Banalização

Para Marquito Santos, o sexo verdadeiramente livre está longe da proposta feita pelo jogo das pulseiras coloridas, o qual em sua opinião também é uma prova da banalização de uma prática criada por Deus para a humanidade. Segundo ele, não é errado somente aderir à ''brincadeira'', mas também olhar para ela como uma moda inocente, que não traz perigo algum.

''A verdade é que o sexo puro e verdadeiro criado por Deus tem sido banalizado não só pelos integrantes desse jogo sujo, por quem usa as pulseiras, mas também por grande parte das pessoas que de maneira ignorante se apresentam como "sábios aos seu próprios olhos" e declarando que tudo isso não passa de mais uma modinha e que não devemos nos preocupar com isso'', alertou.

O papel dos pais

Além de alertar os jovens, Marquito lembrou que os pais também devem cumprir seus deveres no combate aos males que as sugestões das pulseiras trazem e ir além do simples papel de genitores e patrocinadores de seus filhos.

''Fechem bem as portas pois nossos filhos estão na mira! Em outras palavras: 'Sejam pais, não apenas genitores e patrocinadores que permitem que seus filhos sejam criados pela mídia e 'inofensivos' joguinhos mortais de vídeo game'', conclamou.

Testemunho

Ao falar sobre os resultados de seu artigo publicado no GUIAME.com.br, Edmilson Mendes relatou muitos jovens lhe falaram sobre a reflexão que o aviso presente no texto lhes proporcionou. Segundo o palestrante, vale a pena enfrentar críticas - ainda que sem base - para alertar e levar a nova geração a reavaliar seus conceitos.

''Vale dizer que, além do comentário-testemunho que está lá no artigo, também recebi e-mails de jovens concordando com o artigo e admitindo seus erros. São essas tomadas de decisões que me motivam a cada semana colocar a cara para bater através da coluna, recebendo ofensas e outras coisais mais! Mas tudo bem, as pessoas mudadas, renovadas e convertidas valem os conflitos, as polêmicas e as crises. Faz parte!'', assumiu   Por João Neto - www.guiame.com.br

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