Qual é a imagem de nós mesmos que desejamos projetar?

Qual é a imagem de nós mesmos que desejamos projetar?

Atualizado: Sexta-feira, 21 Outubro de 2011 as 1:22

Respondeu, porém, Jó, dizendo: “Ainda hoje a minha queixa está em amargura; a minha mão pesa sobre meu gemido. Ah, se eu soubesse onde o poderia achar! Então me chegaria ao seu tribunal”. Exporia ante ele a minha causa, e a minha boca encheria de argumentos.

Jó não era um foragido da justiça, alguém que tentava se esconder de seu devedor, se disfarçar e mudar para endereço desconhecido. Ele está disposto a um confronto com Deus e revela um intenso e profundo desejo de se encontrar com o Reto Juiz. Quer entender, quer concertar quer expor a sua causa e se possível, negociar.

Uma reação bem humana é esconder a verdadeira identidade desenhando, com traços fortes e acentuados uma imagem mais aceitável. O papel aceita tudo. Às vezes, em nossas declarações, insistimos e superestimamos nossa honestidade, esforço e justiça. Há ainda quem constrói uma imagem mais elevada por detrás de alegações de visões de anjos e demônios, tentando construir uma auréola espiritual ao se redor, induzindo as pessoas a pensar que são seres extraordinários. Outros escondem projetos sombrios por detrás de frases como: “Deus me disse, me orientou, me revelou, etc...”

Para chegar perto deste tipo de gente é necessário atravessar barreiras subjetivas e físicas: Distanciamento, faixas de contenção, evasivas, seguranças, distorções e mentiras. Acrescentem-se ainda os pseudônimos, a pseudo espiritualidade, as pseudo profecias, os pseudo ensinamentos, as pseudo visões, pseudo revelações e disfarces religiosos.

Ele sabia que Deus não contenderia com um humano, utilizando-se de força desproporcional, embora tivesse um enorme arsenal de balas na agulha, e balas de diversos calibres.

“Porventura segundo a grandeza de seu poder contenderia comigo? Não: ele antes me atenderia. Ali o reto pleitearia com ele, e eu me livraria para sempre do meu Juiz”.

Mas Jó não deixa de revelar a sua frustração, pois, apesar de seus esforços, não consegue achar o endereço deste tribunal celestial.

“Eis que se me adianto, ali não está; se torno para trás, não o percebo. Se opera à esquerda, não o vejo; se se encobre à direita, não o diviso”.

Este tipo de gente tem um encontro com Deus diário   Por Ubirajara Crespo

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