Quantos lutos ainda serão necessários?

Quantos lutos ainda serão necessários?

Atualizado: Terça-feira, 13 Setembro de 2011 as 10:47

Fechada no trânsito, perseguição, discussão, morte. Álcool no bar, excesso nas palavras, briga, morte. Ódio a uma nação, holocausto dos judeus, morte. Paris se apaixona por Helena de Sparta, o fogo da paixão leva ao sequestro, ela se torna Helena de Tróia, uma guerra se inicia, morte. Uma torcida a caminho do estádio se encontra com a torcida rival, quebra-quebra e pancadaria, morte. Aviões são sequestrados, prédios são derrubados, o terror está no ar, morte. Por que tanta estupidez? Até quando?

No último domingo, dia 11 de setembro, os dez anos do ataque as torres gêmeas nos Estados Unidos foi a manchete de praticamente toda a imprensa. Temos datas demais que lembram nossos fracassos. Estatísticas falham em nos responder a razão para tanta morte. A dor da família que perdeu seu adolescente numa inconsequente noitada é a mesma de uma nação frente a um ataque terrorista. Seja famoso ou anônimo, tenha ou não se tornado notícia, a perda de uma vida é irreparável. A morte só nos lembra nossa impotência e limite.

Coexistir, respeitar, colaborar, compreender e amar são verbos, indicam ação. Enquanto cor de pele, nacionalidade, posição social e conta bancária continuarem definindo a forma de tratar nosso semelhante, todo tipo de insanidade continuará nos assombrando. Quando aqueles aviões foram sequestrados todos nós também fomos. Quando as torres caíram, todos caímos. Quando africanos, muçulmanos, judeus, italianos, brasileiros ou americanos são atacados, injustiçados e assassinados, todos nós também somos, é o ápice do nosso fracasso como seres criados para amar.

Os céus sabem o que é luto. Deus, o Pai, assistiu a morte do próprio Filho. Diferentemente das milhares de mortes relatadas na história, a morte de Cristo se fez necessária. Era Ele ou nós, Ele ou toda raça humana. Ele enfrentou a parada e suportou a cruz. Até porque o mundo todo não solucionaria a questão, pois sem a morte dEle em nosso lugar, estaríamos até hoje morrendo sem qualquer chance de quitar a dívida contraída pelos trilhões de pecados que assolam o mundo. Por isso Ele assumiu a bronca, enfrentou a morte do mundo para garantir a vida a este mesmo mundo.

Lutos e mais lutos, assim tem sido escrita nossa história. A morte só encontra sentido por causa da vida, e só Jesus conseguiu atingir este nível, pois morreu e ressuscitou. Se aproxima o fim de todas as coisas como as conhecemos. Todo velório tem seu final. Vida é a nossa esperança, nEle veremos nosso pranto finalmente converter-se em riso.

Paz!

Por Edmilson Mendes

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