“Quem escolhe meu futuro cônjuge: eu ou Deus?”, autor tira dúvidas sobre namoro cristão

No Dia dos Namorados, o Guiame entrevista o pastor Klauber Maia, autor do livro “O que não te contaram sobre o Namoro”, para responder às principais dúvidas dos cristãos solteiros.

fonte: Guiame, Cássia de Oliveira

Atualizado: Sexta-feira, 11 Junho de 2021 as 9:25

O pastor e palestrante Klauber Maia, realiza cerimônia de casamento. (Foto: Reprodução/Facebook).
O pastor e palestrante Klauber Maia, realiza cerimônia de casamento. (Foto: Reprodução/Facebook).

O Guiame entrevistou o pastor Klauber Maia, autor do livro “O que não te contaram sobre o Namoro”, para responder dúvidas sobre relacionamento cristão, enviadas pelos nossos leitores no quadro “Pergunte-me”.

Klauber é pastor da Assembleia de Deus em Natal (Rio Grande do Norte), casado há 31 anos e pai de três filhas. O autor tem palestrado para jovens e casais sobre namoro e casamento cristão há mais de duas décadas.

Muitos jovens solteiros que desejam se casar e constituir família tem dúvidas em relação ao quanto Deus é responsável e interfere na escolha do futuro cônjuge e se questionam se o Senhor separa uma pessoa certa para cada um.

Segundo o pastor Klauber não existe nenhum texto na Bíblia que afirme que Deus escolhe uma pessoa específica para outra.

“Além disso, existem outras questões a considerar: o número de homens e mulheres não é igual (nem no Brasil, nem no mundo), existem aqueles que o apóstolo Paulo fala sobre a opção de permanecer solteiros, para se dedicar ao Senhor (1Co 7.32,33) e Jesus também faz referência (Mt 19.12)”, explica o autor.

Klauber pondera também que estes fatos nos levam a entender que nem todos se casarão e que a história da “cara metade” que irá nos completar não passa de uma fábula. “Não existe uma “outra metade” que precisa ser encontrada, inclusive porque somos pessoas integrais e não precisamos ser ‘completados’ por ninguém”, afirma.

A escolha certa


Casamento de Israel e Priscila Subirá. (Foto: Casal Original).

O autor diz que a responsabilidade de escolher com quem se irá casar é nossa e não de Deus: “Nunca devemos esperar que Deus envie Miguel com um envelope dourado que nos revelará quem é a pessoa que Ele escolheu para nós. Também não esperamos que faça isso por meio de uma profecia ou sonho”.

Para o pastor Klauber, Deus pode falar conosco, mas é preciso ter cuidado com os “sinais”. “Devemos lembrar que o método de pedir a Deus um sinal, através de um novelo, foi utilizado uma única vez (Jz 6.36-40), em um período muito conturbado de Israel (Jz 21.25)”, alerta.

A escolha do futuro cônjuge deve ser feita seguindo as orientações da Palavra de Deus, aconselha Klauber. “O que devemos fazer é observar as características do outro e perceber se elas correspondem ao que desejamos em um relacionamento e conhecer o projeto de vida do outro, para ver se combina com o nosso”, diz.

O pastor acredita que Deus deu a oportunidade de escolha ao ser humano em todas as áreas da vida, inclusive do relacionamento amoroso, e que também é responsabilidade do jovem arcar com as consequências de suas escolhas.

“Não gosto de generalizar, mas podemos ver muitos casos de pessoas que nunca namoraram porque esperavam que Deus lhes indicasse a decisão que deveriam tomar, não entendendo que a decisão é nossa, e que devemos tomá-la segundo as orientações da Palavra de Deus”, afirma.

O palestrante também esclareceu como deve acontecer o período de oração antes de namorar, enquanto os jovens estão se conhecendo, sem haver defraudação emocional.

Ele explica que todos têm um “modelo” de alguém que querem para um relacionamento. “Se alguém lhes apresenta alguém que não corresponde a esse modelo, a resposta é: ‘não faz o meu tipo’.

E quando se encontra uma pessoa que se adequa ao nosso modelo, é necessário primeiro observar suas características. “É fiel a Deus? Está disposto a servir? Tem um bom relacionamento com seus pais e com a família? É obediente ao seu líder e seu Pastor? Tem projetos para uma carreira profissional? Tem disposição para trabalhar? É briguento? Gosta de mentir?”, ensina Klauber.

As respostas dessas perguntas irão determinar a decisão pelo namoro e devem ser buscadas durante o período de oração, pedindo sabedoria e discernimento a Deus, esclarece o pastor.

“Quando entendemos que a pessoa em que estamos interessados nos corresponde, devemos conversar e dizer dos nossos sentimentos e intenções'', conclui.

Opostos que se atraem ou sonhos que se conectam?


Casamento de Israel e Priscila Subirá. (Foto: Casal Original).

Klauber também alerta para o mito de que “opostos se atraem”. “Essa ideia só funciona na aula de magnetismo. Além do caráter e da personalidade do pretendente, é importante verificar se os sonhos e desejos são compatíveis. Na vida, devem haver sonhos que se conectam”, pondera o autor.

E exemplifica: “Uma moça pensa em fazer doutorado na Alemanha e morar na Europa e conhece um rapaz que pretende construir uma casa e uma pequena loja no terreno ao lado da casa dos pais, para nunca sair de perto deles. Se eles se casarem, certamente um terá que abrir mão dos seus projetos e poderá ter uma vida frustrada”, diz.
Todo namoro deve terminar

O período em que dois pretendentes estão se conhecendo e também durante o namoro, é o momento de conhecer bem o outro e estar atento para possíveis sinais de alerta.

Para o pastor Klauber, esses são os principais comportamentos que sinalizam que o parceiro não tem condições de manter um relacionamento saudável e de acordo com os padrões bíblicos.

“Se o pretendente te leva para longe de Deus, pois não está comprometido em obedecer à Palavra de Deus nem de servir em uma igreja local, e quer te levar nesse caminho, chuta que é laço! Se não aceita que você tenha tempo com sua família e quer priorizar a sua atenção, pode ser sinal de um relacionamento abusivo. Se tem explosões de ciúme e vive provocando atritos, pode ser o início de um relacionamento tóxico”, alerta.

Os cristãos solteiros devem escolher uma pessoa santa para namorar e casar, explica o pastor. “Ser santo significa obedecer a Deus e isso implica em ser um bom filho, um bom amigo, um bom funcionário, um bom membro do grupo de louvor. Não é mais santo o que mais ora ou mais jejua, e, sim, o que mais obedece”, afirma.

Segundo Klauber, todo namoro deve terminar. O término não somente deve acontecer quando os comportamentos acima são detectados, rompendo a relação. Mas também um namoro deve terminar quando o casal está convicto para dar os próximos passos em direção ao casamento.

“Todo namoro deve terminar, pois é um ‘estado’ transitório. Pode se acabar porque identificamos que é uma pessoa que não um caráter cristão ou porque os dois percebem que os sonhos e projetos de vida não são compatíveis. E também pode se acabar porque percebemos que é a pessoa certa para um relacionamento duradouro e o namoro se transforma em noivado, que se transforma em casamento”, explica o pastor.

Sua felicidade não depende de um relacionamento


Casamento de Israel e Priscila Subirá. (Foto: Casal Original).

Aos jovens cristãos que se sentem pressionados pela sociedade, e até mesmo pela igreja ou pela família, para namorar e casar, Klauber pondera que o casamento não deve ser uma imposição ou visto como uma obrigação, já que o matrimônio não é um mandamento divino, mas um dom de Deus.

“O casamento é uma benção e todos os que encontrarem uma pessoa que lhe corresponda devem casar. A exceção deve ser os que entendem que a vontade específica de Deus para sua vida e ministério é o celibato”, afirma.

O autor explica que tanto o casamento, como o celibato são dons de Deus: “Dons são dádivas, presentes. Algo que ganhamos, sem que tenhamos merecido”. Algumas pessoas têm o dom para o matrimônio, já outros possuem o dom para o celibato.

“Deus é o autor do projeto do casamento. Foi ele quem nos criou homens e mulheres, e nos deu a capacidade de amar e construir uma família. Ter habilidade para formar uma família equilibrada é um presente de Deus. Já no celibato precisa haver a capacidade de viver uma vida com satisfação em Deus, dedicado ao serviço do Senhor, abstendo-se completamente das práticas sexuais e ser feliz assim, entendendo que isso é o melhor que Deus tem para sua vida. Ter essa habilidade também é um presente”, diz o pastor.

Klauber esclarece que é importante estar satisfeito em Deus e não no parceiro, e entender que é preciso agradar a Deus acima de tudo, para viver uma vida santa. “É claro que deve haver alegria e satisfação em um relacionamento, mas a dependência emocional não pode ser excessiva”.

O autor de “O que não te contaram sobre o Namoro” conclui: “O casamento é um privilégio e não um dever. Adão estava só, mas hoje temos mais de 7 bilhões de habitantes no planeta. Estar solteiro dependerá do seu projeto de vida e de sua missão. A felicidade não depende de ter um parceiro”.

 

 

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