Reconstrução

Reconstrução

Atualizado: Sexta-feira, 6 Julho de 2012 as 12:25

Dizem que, em uma época distante, depois de um forte terremoto, o rei perguntou ao general do exército o que deveria ser feito. Ele respondeu prontamente: sepultar os mortos, cuidar dos vivos e fechar os portos. Simples, franca e pode soar um tanto quanto dura a resposta. Não é o mais agradável conselho para seguir depois de turbulências onde o chão parece não existir mais e tudo agora é desencanto, morte, dor, desalento e poeira. Mas a direção que o general apontou ao rei traz a saída para o recomeço.

Não digo que é fácil. O presente recebido não permite desembrulhar o passado. Passar por cima de momentos que não param de passar no filme em branco e preto que se desenrola na memória, definitivamente, é uma escolha para quem espera a criação do futuro, que será um novo presente. Só não se esqueça de cuidar do verde empoeirado que mora nos sonhos de criança. Talvez, lágrimas da despedida o façam florescer. O que parece mínimo, com um pouco de açúcar, pode ser a força necessária para erguer a vida que se desfalece ao som de suspiros e murmúrios.

Sei que é difícil convencer alguém que viveu momentos sombrios e atemorizantes a abandonar ruínas escuras para ver que lá fora o sol do dia brilha e a brisa convida a apertar o sorriso nos olhos. Passar por situações difíceis, inevitavelmente, não é exclusividade de poucos. Não nos foi prometido um mar de rosas. No mundo, estamos sujeitos a aflições, mas a diferença está no modo como elas são experienciadas.

Ele disse que adversidades viriam, mas nada além do que o suporte que nos foi dado possa equilibrar. Além disso, o Autor da história já sabe bem que o curso de cada personagem depende da escolha vestida. Pode ser que tudo esteja embaçado e turvo; contudo, não se acomode em cacos de alma. O que é ruim não pode ser melhor sem a perfeição transformadora da mudança.

Não viva em ruínas. Reconstrua-se.

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