A reforma começa em mim - parte 1

A reforma começa em mim - parte 1

Atualizado: Segunda-feira, 5 Novembro de 2012 as 11:21

 

Desejo compartilhar com vocês a letra da canção “eu preciso saber” do grupo Logos. A canção resume o início da vida de Moisés e o propósito para o qual nasceu (c.f. Êx 1-2). A canção diz assim: “Houve um dia que a mãe escondeu, um tesouro que de Deus recebeu. Foi seu filho precioso que nasceu exatamente quando o rei o procurava matar. (…) A história diz que o filho cresceu. Pois das águas o Senhor o tirou: Pra fazê-lo muito forte, pra mudar de um povo a sorte e torná-lo abençoado e feliz (…)”.
 
Bom, a vida de Moisés não foi fácil desde o começo. Sua infância (2.1-10), depois, um assassinato cometido (2.11-12) e sua fuga para Midiã (2.13-15). Apesar de sua boa criação, e de todos esses problemas ocorridos ao longo de sua história, ele poderia ter pensado em que não pudesse ser usado para uma grande obra, porém, pela Palavra de Deus (Êx 3.13-14), vemos verdades na vida de Moisés que são verdades para a nossa vida também.
 
A história de Moises é uma aventura. Ela nos mostra que Deus pode se manifestar no cotidiano da nossa vida (Êx 3.1-6). Nestes vs. 1-6, percebemos que Deus aparece a Moisés quando este está apascentando suas ovelhas. Ele está fazendo nada mais do que seu trabalho normal de cada dia, afinal segundo Atos 7.30: Decorridos quarenta anos, apareceu-lhe um anjo, por entre as chamas de uma sarça que ardia. Ou seja, Moisés já tinha provavelmente 80 anos, visto que quando ele morava no Egito quando completou quarenta anos, veio-lhe a ideia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel (At 7.23). Então é só calcularmos: 40 de Egito e mais 40 de Midiã, 80 anos, e é nesse tempo de idade que o Senhor aparece para ele no monte de Deus, a Horebe (Êx 3.1).   Este monte Horebe é o mesmo Monte Sinai (Êx 3.12), onde Deus lhe revelaria mais tarde a Lei, os Dez Mandamentos[1].
 
O anjo do SENHOR aparece de repente em uma sarça (Êx 3.2). O próprio Deus estava ali para falar com seu servo. E o elemento usado por Deus é o fogo (Hb 12.29). Porém ao avistar tal cena, Moisés percebeu que o fogo não queimava a sarça. Essa sarça era um “arbusto insignificante”[2]. Veja que coisa diferente: um fogo pegando em uma planta sem consumi-la, com certeza, Moisés já havia visto várias daquelas plantas, porém, nunca viu fenômeno igual. Isso o leva a ir mais perto para ver porque a planta não se queimava (v.3). De repente, além do fogo que não queimava a planta, Moisés ouve a voz do Senhor.
 
A resposta foi imediata: “estou aqui!” (v.4). Deus então o orienta a “tirar as sandálias dos pés” (v.5), essa expressão, segundo estudiosos do assunto, é um dos “símbolos asiáticos de adoração”. E tem pelo menos dois significados. Em primeiro lugar mostra o reconhecimento de posição inferior (ou seja, de servo) diante da divindade, pois os escravos viviam descalços. Em segundo lugar, pode representar deixar de lado toda aparência para servir a quem é digno de adoração[3]. Por isso, Deus chama aquele lugar de “terra santa”, não que o lugar fosse sagrado em si mesmo, mas devido à presença divina ali. E tendo Deus se manifestado a ele como o Deus de seus antepassados “Abraão, Isaque e jacó” (v.6), Moises por respeito e sabendo de sua condição humana não ousa olhar para Deus que se manifestou daquela maneira.
 
Naquele dia “o céu estava na terra” para Moisés. Deus aparece a ele em meio a um cenário muito típico. Pense em quantas vezes ele passou por ali, viu o arbusto, porém, naquele dia algo estava diferente. É que Deus desceu para se manifestar ao seu servo Moisés. De repente Deus pode fazer isso conosco. Você dona de casa quando está lavando roupa como faz todo dia, de repente Deus pode aparecer de uma maneira toda especial. Você que vai a caminho do trabalho pode ter algum sinal de Deus que servirá para mostrar que Deus quer te usar. Pense num louvor que você ouviu, em alguém que Deus usou, ou no simples fato de você ler a palavra, e Deus despertá-lo de uma maneira toda especial. Pode acontecer com você, o que aconteceu com Lutero, que dentre as suas atividades normais foi conhecendo mais de Deus: “Parcialmente devido seu contato com o vigário geral de sua ordem, Johann von Staupitz, e da sua leitura de Agostinho, mas principalmente por meio do estudo das Escrituras, enquanto preparava suas preleções universitárias, Lutero mudou paulatinamente o seu conceito de justificação”[4].
 
O maior de todos os avivamentos aconteceu em uma sala, no cenáculo. Onde uns 120 crentes estavam em Jerusalém esperando o poder do alto (At 1.8). Quem sabe qualquer dia desses Deus pode reavivar você durante uma simples tarefa que você faz. Quem sabe durante um telefonema, durante um culto que às vezes achamos “normal”. Quem sabe durante uma viajem. Creiamos nas surpresas de Deus. Devemos então prestar atenção nas coisas simples, no silencio que raramente acontece ao nosso redor, pois como diz a canção “no silencio Tu estás”. Ao perceber a presença dele, abandone todos os seus títulos, toda sua aparência e se descubra diante dele. Mostre a ele você. Reverencie ele ouvindo sua voz e adorando a ele como merece. E saiba que depois deste dia você nunca mais será o mesmo. Mas, pensemos: para que Deus nos aviva? Pense nisso… ore por isso!
 
por Andrei C. S. Soares 
 
 
[1] Adeyemo, Tokunboh (ed. g.). Comentário bíblico africano. Tradução: vários tradutores. São Paulo: Mundo Cristão, 2010, p.92.
[2] Wiersbe, Warren. Comentário bíblico expositivo: Antigo testamento: volume I. Trad.: Susana E. Klassen. Santo André, SP: Geográfica editora, 2006, 238.
[3] Cole, R. Alan. Êxodo: introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova e Mundo Cristão, p.62 e 63.
[4] ELWELL, Walter A. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã. Tradução: Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 2009, p.456.
 

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