"Relacionamentos Estremecidos" começam a ser tratados no "Pastoreio de Famílias"

"Relacionamentos Estremecidos" começam a ser tratados no "Pastoreio de Famílias"

Atualizado: Quarta-feira, 19 Novembro de 2008 as 12

Por Adriana Amorim

Para falar sobre "Relacionamentos Estremecidos", no congresso Pastoreio de Famílias, que aconteceu entre os dias 13 e 15 de novembro, em Santos (SP), o bispo Luiz Henrique de Paula, escritor do livro "Quem manda na família hoje?", iniciou sua ministração tratando das diferenças entre homens e mulheres. Perguntou aos participantes: "Qual a principal reclamação das mulheres no casamento?" Algumas respostas foram: carinho, fidelidade, amor. Luiz Henrique respondeu: "Romance". Na seqüência foi a vez dos homens: "Qual a principal reclamação dos homens no casamento?" A resposta masculina foi unânime e acompanhada por algumas mulheres: "Sexo!". A ministração começava com muito bom humor, que acompanhou a palestra. A segunda questão proposta foi: "Como a mulher resolve os problemas?" Ele mesmo respondeu: "Falando", pedindo aos participantes que completassem: "Já o homem resolve os problemas...". A resposta correta seria "calando", não fosse a interrupção de um garoto no colo de sua mãe, que gritou: "Batendo!". Mais risos.

O preletor baseou-se na passagem bíblica de Gênesis 3:8, quando Adão e Eva, após comerem o fruto proibido, escondem-se da presença do Senhor entre as árvores do Jardim. "Quais tem sido as árvores de seu relacionamento?", "Onde você se esconde?", questionou o bispo, que é também doutor em família e terapeuta.

As "árvores" do relacionamento

Entre as árvores que podem servir de esconderijo para problemas no matrimônio, ele citou o "trabalho". Este pode tomar um tempo muito maior que o dedicado à família e tem como resultado pais ausentes, filhos com uma liberdade excessiva e sem referências. "Tenho ouvido em meu consultório: Eu não quero o dinheiro do meu marido. Eu quero o meu marido", contou Luiz Henrique. Outra "árvore" é o ativismo. Com muitas tarefas, mesmo aqueles que dedicam-se à obra de Deus, o casal não tem tempo para assumir seu papel no contexto familiar : "Muitas mulheres reclamam: 'Meu esposo não é o sacerdote do lar'". Luiz Henrique chamou a atenção dos participantes, dizendo: "Há uma incoerência entre prática e teoria".

O bispo também abordou as "emoções desequilibradas", mais uma árvore em que muitas pessoas se escondem, especialmente as mulheres: "Tem mulher que tem mania de limpeza  [...] Mas também tem homem que casa para ficar solteiro", brincou e alertou: "Preste mais atenção nos sentimentos de sua mulher. Case em primeiro lugar para a glória de Deus e depois para fazer o outro feliz".

A mentira é outra "árvore" em que, segundo Luiz Henrique, as pessoas ficam encobertas. O bispo comentou que atende em seu consultório pacientes que não conseguem desvencilhar-se da mentira.

Levar mágoas anteriores para o relacionamento é a "árvore" que Luiz Henrique chamou de passado: "Tem gente que é museu". Assim também como o orgulho.

O vício é outra "árvore" que abala um relacionamento. o preletor, em tom de alerta, chamou a atenção para o fato de muitos evangélicos hoje estarem envolvidos com pornografia: "Tome cuidado. Toda banca de jornal tem revistas pornográficas. Cuidado com a internet". Assim como o consumismo, vício impulsionado pela mídia: "A televisão te diz: Se você não tiver tudo não será feliz".

A "árvore filhos" é um esconderijo de muitas esposas para as dificuldades do relacionamento. O terapeuta, no entanto, compreende que muitos esposos não colaboram nas rotinas da casa: "Marido, ajude sua esposa, trabalhem juntos e depois deixem Deus trabalhar ", falou em tom bem humorado. O bispo deu mais uma dica que foi recebida com gargalhadas: "Mas irmã, quando seu marido chegar em casa, tire a camisa do vereador".

Luiz Henrique ainda fez mais um alerta, dessa vez sem expressar nenhum sorriso: "Um dos maiores problemas do povo evangélico é o adultério". Ele lembrou que Adão ao ver Eva disse: "Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne" (Gênesis 2:23), mas quando comeu do fruto proibido imediatamente culpou Eva. "A mulher é o auxílio do homem, assim como Deus é o nosso auxílio. Estão trocando uma vida toda por uma noite de prazer na cama", disse com semblante triste.

Ao final, o palestrante falou sobre oração, o que considera fundamental para um relacionamento forte e uma família estruturada e feliz. A vida espiritual deve estar em primeiro plano e ser o propósito do casal: "Se você não estiver bem com Deus, você não estará bem com seu cônjuge. É preciso orar juntos". Chamando à frente os casais que precisavam tratar o relacionamento e reconhecer que se escondem em algumas "árvores", O bispo pediu que alguém tocasse violão. Cantou então "Como Zaqueu" (música interpetada por Regis Danese), acompanhado por sua esposa, e assim como diz a canção, o Senhor começou a sarar muitas feridas.

Reflexão de um casal participante

Para o casal Nelson Kafouri Filho e Alessandra Albenese Kafouri, que esteve no Pastoreio de Famílias, a ministração foi uma oportunidade para reflexão. Casados há 15 anos, pais dos trigêmeos Pedro, Gabriel e Gustavo, de 8 anos, procuraram trazer a mensagem para a vida pessoal.

"Eu gostei porque a gente reflete [...] às vezes, a gente não consegue perceber que se esconde em algumas coisas do cotidiano. É preciso estar em comunhão para buscar Deus e sempre a mulher está muito atarefada com os filhos, o marido preocupado com o trabalho...", apontou Alessandra.

Nelson afirmou que assim como a esposa procurou relacionar a ministração com sua vida familiar, buscando atividades que tomavam o tempo da família:  "Eu comecei a pensar em internet, nas coisas que eu também considero importantes e que às vezes não são tão relevantes para o relacionamento de um casal [...] Pensar nas prioridades, no tempo que a gente está deixando para o casal, para os filhos, para Deus e buscar outras coisas que estão interferindo nessa comunhão, para ter um relacionamento ainda mais feliz e mais frutífero, como o nosso [...] A gente quer realmente edificar a nossa relação, é isso que buscamos aqui no congresso".

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