Resgate apresenta músicas inéditas sem se esquecer das antigas

Resgate apresenta músicas inéditas sem se esquecer das antigas

Atualizado: Sexta-feira, 11 Junho de 2010 as 2:45

Depois de quatro anos, a banda Resgate realizou um show, ainda que pocket, com músicas inéditas. Num ambiente intimista, com presença de amigos e familiares, a banda liderada por Zé Bruno também trouxe faixas de trabalhos anteriores, como "Infinitamente Mais", e novas do CD Ainda Não é o Último, como "Genérica". O evento aconteceu na última quinta-feira, 10 de junho, no Tom Jazz, em SP. Cerca de 300 pessoas lotaram o espaço dividido em dois andares.

Ao lado de bandas como Oficina G3, o Resgate investiu no rock 'n' roll numa fase em que o gospel era menos diluído em estilos, na década de 80. Questionado pelo GUIA-ME.com.br qual seria o diferencial do grupo em 2010, o vocalista foi categórico: "Não temos nada de especial". As letras fáceis, aliadas ao som com acordes de guitarras e baterias, são o que, na opinião de Zé Bruno, fazem a banda conquistar o público formado em sua maior parte por jovens. "O grande lance é ser comum e conseguir transitar e viver entre os comuns. Talvez isso seja o que temos de especial", expõe.

Considerada uma banda simples por Zé Bruno, o Resgate faz, de acordo com Maurício Soares, diretor executivo da Sony Music desde fevereiro, um som autêntico, distante de estereótipos. "Foi um dos primeiros artistas que eu pensei em trazer para o casting [gospel], porque eu acho que eles têm uma capacidade de fazer um 'cross over' muito grande. De não só lidar no mercado gospel, mas também no secular. Isso foi comprovado com esse CD", afirmou Soares que dedica a Deus a possibilidade de trabalhar com um grupo cujo interesse em contratar já existia desde a sua atuação em outras gravadoras.

"Eu não poderia ter estreado na Sony com um projeto que não fosse o Resgate", destacou o diretor que, ao contrário dos planos iniciais, passou a prever um DVD em Blu-ray da banda para o final deste ano, num formato inédito para o segmento gospel. "Eu não posso adiantar informação, mas vai ser algo que tem a cara do Resgate. O segredo é a alma do negócio", disse  Soares que já enviou o clipe "Depois de Tudo" para canais como Multishow, da Globosat.

Em uma nova gravadora, os integrantes da banda de rock paulista também têm passado por um momento distinto no ministério. Após 20 anos na Igreja Renascer em Cristo, o bispo Zé Bruno deixou a denominação de Estevam Hernandes numa iniciativa tomada depois de um período de oração, como assegura Blanche Bruno, esposa de Zé.  Vou me Lembrar, faixa 12 de Ainda Não é o Último, foi composta nessa fase de decisão.

 "Quando o bispo Zé fez essa música, em janeiro, estávamos passando por um momento muito difícil na nossa vida. Nenhuma transição é fácil. Quando ele começou a dedilhar no violão, eu disse: 'Meu Deus, essa é a minha música'. Foi a música que me consolou, me abençoou e fortaleceu nesses últimos meses", contou Blanche ao Guia-me.

A relação espiritual com os antigos líderes, conforme afirma o bispo Rúbens de Sá, continua. "Essa conexão existe por causa do mesmo Deus. Mas enquanto isso cada um tem o seu espaço, a sua identidade e proposta", disse o bispo Rubão, que também se desvinculou da Igreja Renascer.

O show de pré-lançamento do novo álbum no Tom Jazz demonstrou a raiz da banda Resgate: a apresentação do evangelho de uma forma descontraída. Entre brincadeiras e filosofias, o líder Zé Bruno também parodiou com um pseudo inglês. "Tap pass undo Mall? Tag guest undo to do Nancy pop?", diz a letra de Jack, Joe and Nancy in The Mall. "Eu sempre quis fazer uma música em inglês e estourar nas paradas americanas. Apesar de ter 20 anos, nunca ganhamos o Troféu Talento. Espero agora ganhar o 'Troféu Tarrápidas'", gracejou o bispo que anunciou para o mês de agosto o lançamento oficial do disco Ainda Não é o Último.

Sony Music deve anunciar nos próximos meses o re-lançamento da

discografia completa do Resgate.

"Nada é para sempre"

O vácuo de quatro anos sem lançar novas músicas não chegou a deixar o DJ Alpiste com saudades do Resgate. "Você sempre quer ouvir uma antiga que marcou. Eu senti falta de uma, "Daniel", que é uma música que me marcou quando eu cheguei na igreja. É bom ter uma carreira assim, de lançar coisas nova e o pessoal querer ouvir aquilo que você já fez. É legal porque você tem uma continuidade", explica o rapper.

Atenta à discografia da banda, que costuma ser pedida nas apresentações, a gravadora Sony deve anunciar nos próximos meses a distribuição de trabalhos antigos.  "Em junho, julho, vão acertar burocraticamente esses detalhes. Queremos relançar todos, porque isso é um acervo. O primeiro disco ainda fala com a galera. O rock sempre vai falar", afirmou Zé Bruno.

Sem se deslumbrar por estar numa multinacional, que almeja ser a maior gravadora gospel do Brasil, o bispo Zé Bruno tem certeza de apenas continuar perpetuando o propósito do Resgate, anunciar a salvação em Jesus Cristo.

"Nada é para sempre. A gente também morre. Pode ser que daqui um, dois, três anos, acabe o contrato [com a Sony] e sei lá. A verdade é que se ninguém quiser gravar o Resgate, não tem problema. A gente faz música e continua indo nos acampamentos, evangelizando a galera. O nosso ministério não é gravar o CD, é pregar a Palavra. Gravar CD é um caminho melhor que Deus nos deu. Mas que é muito legal estar na Sony, é muito legal", observou.

Resgate - Depois de Tudo:

Por Felipe Pinheiro

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