Salmos - Gente Feliz (cap. 02)

Salmos - Gente Feliz (cap. 02)

Atualizado: Sexta-feira, 10 Maio de 2013 as 8:33

 

felicidadeSalmos Capítulo : 2
 
1 Por que se amotinam as nações, e os povos tramam em vão?
2 Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos conspiram contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo:
3 Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas.
4 Aquele que está sentado nos céus se rirá; o Senhor zombará deles.
5 Então lhes falará na sua ira, e no seu furor os confundirá, dizendo:
6 Eu tenho estabelecido o meu rei sobre Sião, meu santo monte.
7 Falarei do decreto do Senhor; ele me disse: Tu és meu Filho, hoje te gerei.
8 Pede-me, e eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por possessão.
9 Tu os quebrarás com uma vara de ferro; tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro.
10 Agora, pois, ó reis, sede prudentes; deixai-vos instruir, juízes da terra.
11 Servi ao Senhor com temor, e regozijai-vos com tremor.
12 Beijai o Filho, para que não se ire, e pereçais no caminho; porque em breve se inflamará a sua ira. Bem-aventurados todos aqueles que nele confiam.
 
 
 
Aqui temos um roteiro:
 
 
Cena 1- Deus constitui o seu Rei sobre o seu santo monte Sião (v 6)
 
Cena 2- Os reis da terra e os príncipes se rebelam (vv 2,3)
 
Cena 3- Deus se ri deles e sustenta o direito do seu Rei (vv 4-8)
 
Cena 4- O Rei ungido dá tempo para que os reis e os magistrados da terra se arrependam e se submetam (vv 7-120)
 
Deus, o Criador, reina de direito e de fato sobre tudo e sobre todos.
 
O fato de sustentar seres em estado de rebelião, uma vez que tudo existe nele, não fala da abrangência do seu reino, mas da sua forma de reinar.
 
O sustentar seres nesse estado não significa que Deus tenha aberto mão da honra a que faz jus, mas,  apenas que administra essa retomada.
 
O salmo 2 anuncia o fim da tolerância para com a rebelião. 
 
Um Rei é posto. Ele governará em nome de Deus. E todos devem submeter-se a ele.
 
Os reis e magistrados não o reconhecem.
 
Ele tem o direito de subjugar a todos por força férrea. Entretanto, prefere estender a todos a possibilidade da submissão voluntária.
 
A Igreja em Jerusalém viu, nas ameaças das autoridades à liberdade de pregação (At 4.23-30), o cumprimento desse salmo, abrindo espaço para que se considere cumprimento dessa palavra toda a tentativa de calar a Igreja.
 
Tal interpretação trouxe o que seria considerado escatologia para dentro da história em curso.
 
De modo que o tendente a ser classificado como escatológico, tornou-se, de fato, o palco da história.
 
A Igreja, nessa perspectiva, é tornada agência, na história, de manifestação do reinado desse novo rei, e de advertência sobre o tempo de arrependimento e de consequente submissão, que é agora.
 
A submissão pessoal é a conversão.
 
A submissão estrutural (da sociedade organizada) é a adoção do gabarito do Cristo para equidade na humanidade. (Mt 25.31-40)
 
Viver a vida abundante, ser feliz, ganha como contorno:
 
Feliz o que evita a gargalhada de desprezo do Poderoso.
 
Feliz quem é poupado do furor de quem o pode confundir.
 
Feliz o que observa a ordem no universo.
 
Feliz aquele que reconhece quem, nessa ordem, tem o direito.
 
Feliz quem percebe a lógica que estabelece o governo.
 
Feliz é quem se alia à exigibilidade do direito.
 
Feliz é o prudente em seus atos, diante do direito daquele que governa.
 
Feliz é o que serve a quem deve, com respeito.
 
Feliz quem não confunde a alegria no relacionamento, com ausência da tensão que todo o relacionamento exige, para que não se esvazie.
 
Feliz é quem se refugia naquele que, realmente, pode proteger.
 
 
Considerações:
 
Toda rebelião contra Deus é inócua. 
A questão é mais que a inocuidade, é que toda a rebelião contra Deus é contra a forma como é sustentado o funcionamento do Universo, o que acaba se voltando contra o rebelde, confundindo-o, tal qual vemos nas mudanças climáticas produzidas pela rebelião humana a Deus, pelo desrespeito ao ecossistema.
O reconhecimento do direito de Deus sustenta o reconhecimento do direito de todas, e de cada uma de suas criaturas.
Essa consciência do direito é que estabelece o significado de governo. Quando os que se pretendem reis e magistrados relativizam essa lógica de sustentação da administração do poder, perdem o direito ao governo.
Isso se dá nas relações pessoais, também, pois, embora, não sejam relações de poder ou de governo, são relações que não podem preterir o direito.
Toda a relativização do direito do outro, e todo desprezo para com o outro é rebelião contra Deus e o seu  Ungido.
O direito é uma tensão que não pode ser relativizada, porque a ausência de respeito ao outro, que é seu direito, torna o amor num fardo, quando deveria ser uma realização.
 
 
- Ariovaldo Ramos
 

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