Salmos - Gente Feliz (cap. 04)

Salmos - Gente Feliz (cap. 04)

Atualizado: Sexta-feira, 17 Maio de 2013 as 3:03

 

felicidadeSalmo 4 (NTLH)
 
    1 Salmo de Davi. Ao regente do coro para instrumentos de cordas. Ó Deus, defensor dos meus direitos, responde-me quando eu te chamar! Eu estava em dificuldade, mas tu me ajudaste. Tem misericórdia de mim e ouve a minha oração!
    2 Homens poderosos, até quando vocês vão me insultar? Até quando amarão o que não tem valor e andarão atrás de falsidades?
    3 Lembrem que o SENHOR Deus trata com cuidado especial aqueles que são fiéis a ele (distingue para si o piedoso - RA); o SENHOR me ouve quando eu o chamo.
    4 Tremam de medo e parem de pecar. Sozinhos e quietos nos seus quartos, examinem a sua própria consciência.
    5 Ofereçam sacrifícios como o SENHOR exige e ponham a sua confiança nele.
    6 Há muitas pessoas que oram assim: Dá-nos mais bênçãos, ó SENHOR Deus, e olha para nós com bondade!
    7 Mas a felicidade que pões no meu coração é muito maior do que a daqueles que têm comida com fartura.
    8 Quando (tão logo[1]) me deito, durmo em paz, pois só tu, ó SENHOR, me fazes viver em segurança (sem medo[2]).
 
 
Davi foge de Saul[3]
 
Saul se recusa a reconhecer a escolha de Deus.
 
A escolha de Deus faz de Davi um sujeito de direito. O Trono lhe pertence por outorga divina, que é o princípio básico para todo o direito.
 
(Por exemplo: todos os seres humanos são iguais por ação divina, que se apresenta como Pai de todos. Se Deus está pronto para se ver como Pai de todos, logo, todos são iguais.)
 
Davi ora para que Deus sustente o que, por decisão divina,  passou a ser o seu direito.
 
Homens, que se veem poderosos, desprezam o direito por causa de seu amor ao poder
 
O amor ao poder tira de qualquer um o direito de exercer o poder, o exercício do poder só pode ser serviço aos demais.
 
Deus escolheu alguém piedoso (fruto de construção graciosa de Deus – Ef 2.10): voltado para o próximo, para o serviço ao outro no reconhecimento do outro como sujeito de direito.
 
Deus ouve o que se dispõe ao serviço do outro, para a glória de Deus.
 
Só pode exercer o poder quem vê o exercício do poder como prestação de serviço, para que o outro tenha acesso aos seus direitos.
 
Todo aquele que usurpa o exercício do poder, tornando-o exercício para benefício próprio, deveria tremer de medo diante de Deus, porque Deus é o defensor dos direitos.
 
Há graça suficiente para que o usurpador se conscientize e se arrependa, abandonando o posto em favor da escolha divina.
 
O perseguido por causa da justiça sabe da alegria de participar do caminho do Senhor, e é feliz! (Mt 5.16,17)
 
O perseguido por causa da justiça dorme sem medo, sabe que está onde Deus quer que esteja, não importa o que lhe aconteça.
 
 
A vida abundante - o que é ser feliz a partir desse salmo:
 
 
Feliz o que sabe que Deus é guardião do direito.
 
Feliz o que, na busca de seus direitos, ora, reconhecendo em Deus a fonte do direito e a força para reinvidicá-lo.
 
Feliz o que sabe que o amor ao poder é usurpação.
 
Feliz aquele em que Deus pode construir um coração voltado ao serviço ao próximo.
 
Feliz o que sabe que Deus ouve a oração que privilegia o direito e nele se estriba, sabendo que o direito é a vontade de Deus.
 
Feliz o que tem medo de Deus e vigia o seu coração para não amar o poder.
 
Feliz o que sabe que ser perseguido por causa da justiça é privilégio e exulta.
 
Feliz o que abre mão do conforto pelo direito.
 
Feliz o que, numa luta pelo direito, dorme sem medo, por estar no lado certo, o do direito.
 
 
Considerações:
 
Deus zela pelo direito.
Deus está atento ao clamor pelo direito.
Deus só entende o exercício de poder entre as suas criaturas, como prestação de serviço ao outro.
Deus estabeleceu um mundo sustentado no direito.
Deus não tomará por inocente o amor ao poder e a consequente usurpação ao direito.
Tomar partido do direito é tomar partido da vontade de Deus.
Lutar pelo direito é causa que vale em si, porque o direito é estabelecido por Deus.
Quem está ao lado do direito não precisa ter medo de Deus, pode dormir em paz.
 
[1] Calvino, João; O Livro dos Salmos, Edições Paracletos, 1999 pg 105
[2] Kidner ,Derek; Salmos 1-72, Série Clutura Cristã, Ed Mundo Crsitão e Edições Vida Nova, 3ª Edição, 1987, pg73i
[3] Calvino, João; O Livro dos Salmos, Edições Paracletos, 1999 pg 105 Só Calvino sugere que seja fuga da perseguição de Saul, concordei, porque Davi se apresenta como homem piedoso, o que seria inapropriado no caso de fuga da perseguição de Absalão, uma vez que este atuou, em parte, como espada de Yavé. Um dos pecados por detrás dessa crise com Absalão deu ensejo ao Salmo 51. Logo, piedoso era uma denotação que Davi não teria como usar nessa situação, se a exemplo do Salmo 3, ainda estivesse a falar da insurreição de Absalão.
 
 
 
- Ariovaldo Ramos
 

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