"Se eu nunca mais cantar, vou achar um meio de pregar o evangelho", afirma a Pra. Miriam Pessanha

"Se eu nunca mais cantar, vou achar um meio de pregar o evangelho", afirma a Pra. Miriam Pessanha

Atualizado: Quarta-feira, 15 Julho de 2009 as 12

Por Nany de Castro - http://www.guiame.com.br/

Foi com oito anos que ela recebeu seu primeiro chamado de Deus, porém, só aos 28 concretizou sua carreira musical na banda Sal. A pastora Miriam Pessanha é líder da 3 ª Igreja do Evangelho Quadrangular em Curitiba(PR), possui vários CDs gravados, estúdio e viaja pelo Brasil ministrando o seminário "Leve a Arca". Além de sua carreira musical, a pastora trabalha com a comunidade Terapeutica Odá de Castro Pessanha, onde assiste famílias de usuários de drogas.

A pastora Miriam concedeu ao Guia-me uma entrevista exclusiva, nela fala sobre suas experiências musicais e ministeriais, sobre o trabalho com dependentes químicos e a situação atual da Igreja no Brasil.

Guia-me: Como é o trabalho da Comunidade Terapêutica Odá de Castro Pessanha?

MP: A maioria das famílias que nos procuram são pessoas que já estão nas ruas. Tem situações em que a gente olha pessoas deitadas na rua, que pedem ajuda e a gente estende a mão. Tem até um caso de um rapaz que encontramos perto de Garuva, ele estava muito drogado e o pastor Bethoven chegou e falou:  "Se você for para Curitiba, vá direto para esse lugar aqui". E ele foi, e o internamos . Quando são mulheres, colocamos os filhos conosco, mas quando são homens, não. Normalmente o homem não é tão ligado quanto a mulher. Se não colocarmos os filhos juntos com as mulheres, elas não conseguem se recuperar. O tempo de duração é de nove meses, um ano, dois é muito relativo. Mas o nosso tratamento é de nove meses.

Guia-me: Como caracterizar os seus trabalhos musicais?

MP: Tenho um CD com composições minhas, do meu marido (Marcelo Davi de Souza) e do meu filho, Felipe Davi, e meu outro filho, Rafael Werner, fazendo a produção na bateria, trabalhamos em família. Tenho também o volume 1, 2 e 3 ,que são louvores congregacionais, canções como "Conheci um grande amigo","Há momentos que na vida", dos anos 80, 90 e 70. Gravei um DVD na ExpoCristo passada e já estou na gravação do próximo CD, com composições minhas e do meu esposo.

Guia-me: A senhora não poderia mais cantar. Como ocorreu esse processo de descoberta da doença e de cura?

MP: Cada coisa que acontece na vida e não conseguimos nem entender! Estou trabalhando na obra, viajando, e de repente fui ao médico e ele pegou no meu pescoço uma bola. Ele disse que deveria ir imediatamente a um oncologista. Isso me assustou. O oncologista disse que estava com um nódulo na tireóide e que precisaria fazer uma cirurgia porque não estavam conseguindo pegar células para saber o que era. Quando fiz a cirurgia, infelizmente, era um câncer. Travou a prega vocal, não conseguia cantar mais porque virou uma ampulheta, perdi a musculatura da prega vocal. Os médicos disseram que não teria mais condições de cantar. Eu orei a Deus e entreguei, falei: "Deus, não é só isso que me faz cantar, o meu louvor não está nos meus lábios, está no meu coração. Se eu nunca mais cantar, vou achar um meio de pregar o Evangelho". Mas aprouve ao Senhor, e numa madrugada ele me disse que iria andar sobre as águas, estou andando até hoje.

Guia-me: Em sua opinião, qual o período que a Igreja no Brasil atravessa?

MP: Hoje, o que mais toca o meu coração é o momento que a Igreja está vivendo, que é muito perigoso. Que não é mais voltado às coisas pequenas, e isso me preocupa terrivelmente, porque o nosso Deus sempre preocupou-se com as coisas mínimas. Sou de igreja grande, a minha mãe foi uma pessoa que plantou igreja grande. Então, às vezes vejo que as pessoas estão perdendo a visão, que não são as coisas, mas as pessoas.          

Guia-me: Deixe uma mensagem para os internautas do Guia-me.

MP: Volte sua visão para Cristo e contemple o quanto ele é lindo. Que todos tenham uma visão voltada para o Reino de Deus, que são as pessoas. Jesus morreu pelas pessoas e elas são mais importantes do que qualquer coisa na nossa vida. Quando somos chamados para sermos sacerdotes, é para servir as pessoas.     

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