Sem consentimento dos pais, jardim de infância era escola de religião

Sem consentimento dos pais, jardim de infância era escola de religião

Atualizado: Sexta-feira, 19 Agosto de 2011 as 10:15

A unidade do ensino público do jardim de infância da quadra 404 Norte de Brasília funcionava quase o tempo todo como uma escolinha de religião sem que os pais soubessem.

As crianças tinham de rezar antes das aulas. Durante as atividades, cantavam músicas religiosas, agradeciam o Papai do Céu, abençoam o parquinho, esse tipo de coisa. Até que alguns pais denunciaram a direção do estabelecimento à Secretaria de Educação.

A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) prevê ensino religioso apenas nos ensinos fundamental e médio -- e ainda assim como matéria facultativa. Na educação infantil, a orientação é que os professores deem noções de ética e diversidade cultural, sem qualquer menção religiosa.

Mas a direção do jardim de infância submetia as crianças ao proselitismo católico, sem consultar os pais, não se importando com a crença ou descrença deles.

Mafa Nogueira foi um dos pais que reclamaram. Ele disse que custava a acreditar que a escolinha estivesse dizendo a sua filha que Deus é masculino, um só e o criador. Não era o que ele estava planejando passar para ela.

Alguns pais, contudo, defenderam a escola e fizeram um abaixo-assinado para que as orações fossem mantidas. Flávio Henrique, por exemplo, disse que ali se fala de Deus, mas em um “momento espontâneo das crianças”. Uma mãe disse que na escolinha se “constrói o amor” e estão querendo acabar com isso.

Mas a contadora de histórias Lyvia Sena, que estranhou o seu filho estar cantando em casa música com a palavra “sacristão”, disse que a orientação religiosa cabe à família, não à escola, aos professores.

Esse jardim de infância faz parte de um plano piloto que inclui outras seis unidades. Todas foram denunciadas pelo mesmo problema, o que demonstra que não se trata de uma atitude espontânea de professores, mas de uma orientação que vem de cima, dos responsáveis do plano piloto.

Além de determinar o fim do proselitismo religioso, o que foi feito, a Secretaria de Educação deveria demitir  toda a direção do plano piloto.

Com informação do G1.

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