Semana Batista: Paulo Henrique Amorim mostra um Brasil sem "complexo de pardal"

Semana Batista: Paulo Henrique Amorim mostra um Brasil sem "complexo de pardal"

Atualizado: Quinta-feira, 16 Julho de 2009 as 12

Por Adriana Amorim - www.guiame.com.br

"Como diz um amigo meu: Olá, tudo bem?". Foi dessa forma que o jornalista Paulo Henrique Amorim iniciou a palestra "A conjuntura política e econômica do país", no "Encontro de Empresários e Profissionais Liberais, que aconteceu na noite de terça-feira, dia 14 de julho, na Igreja Batista Boas Novas, em São Paulo (SP).

Desde o início, PHA propôs-se a apresentar uma perspectiva econômica para o Brasil mais positiva e a longo prazo. Para exemplificar o sentimento de muitos brasileiros em relação a seu país no mundo, o jornalista citou o dramaturgo Nelson Rodrigues (1912-1980), que dizia que o brasileiro sofre de "complexo de vira-lata". "Na minha terra (Rio de Janeiro), a gente chama de pardal, aquele passarinho marrom, feinho, que fica embaixo da chuva. Eu quero dizer que eu não tenho complexo de pardal, ao contrário, eu tenho complexo de grandeza", brincou Paulo Henrique.

Correspondente internacional em boa parte de sua carreira, PHA comentou que durante palestras que ministrava nos EUA sempre descrevia o Brasil como uma grande potência. Com relação à crise econômica mundial que atingiu seu auge em setembro de 2008, com a queda do grande banco americano Lehman Brothers, Paulo Henrique afirma que o Brasil já está habituado com essas tempestades do mercado. "Só para lembrar os amigos e amigas, em 50 anos, o Brasil teve 22 presidentes, quatro constituições, cinco regimes políticos e seis moedas. E nós sobrevivemos. Agora, vamos sair dessa crise muito melhor do que entramos nela", apontou o jornalista. Paulo Henrique leu algumas notícias divulgadas na data (14/7), que demonstravam o crescimento do comércio brasileiro em 7% nos últimos 12 meses. O jornalista apontou o acesso ao crédito crédito e o consumo de bens duráveis como grandes propulsores da recuperação econômica brasileira, aliados à redução do IPI - imposto sobre produtos industrializados.

Paulo Henrique citou o historiador inglês Simon Schama. Na obra "A História do futuro do América", Schama utiliza o passado histórico da América para descrever a conjuntura social, política e econômica do continente futuramente.  O autor entende que a hegemonia americana durou de 1945 a 2008. "A partir daí houve uma reorganização da política mundial. E diz : 'Eu teria que ser um idiota para não acreditar na ascensão de países como Brasil, Rússia, Índia e China. É claro que os EUA continuarão fortes, mas haverá uma diminuição de seu papel. Não consigo pensar em outro cenário, não importa a velocidade ou obstáculos no caminho, mas chegou a hora de Brasil, Rússia, Índia e China'", narra PHA.

Durante a palestra, PHA fez questão de frisar que apesar de otimista, sua visão não está ligada a partidarismos políticos. "Eu costumo olhar o Brasil como se estivesse a 10 mil metros de altura e sob uma perspectiva de longo prazo".

Classe Média

Paulo Henrique fez questão de evidenciar o grande papel econômico da "banqueirização da classe média". Com a queda da inflação e estabilização da moeda, a entrada da classe média como consumidor em potencial estimulou o crédito, o que PHA definiu como "a capacidade de se endividar". "Como se sabe, não há capitalismo sem dívida", expôs.

Mudanças paradigmáticas

Para PHA algumas questões foram fundamentais para o crescimento econômico, como o avanço como país explorador e produtor de petróleo. "Eu sou jornalista econômico desde os tempos em que houve uma crise no petróleo nos anos 70. Eu trabalhava na revista Exame, e o Chá da Pérsia aumentou o preço do barril do petróleo 4 vezes [...]  e o mundo virou de cabeça. Aí está a origem da crise, o Brasil não tinha petróleo, começou a se endividar, foi tomando dólares emprestado [...] Agora, com a descoberta do pré-sal, o Brasil tem reservas de 80 milhões de barris, que vão do Espírito Santo a Santa Catarina, e essas reservas equivalem a 4 trilhões de dólares, é quatro vezes o PIB do Brasil. O Brasil será a 8ª potência exportadora de petróleo, vai investir para refinar, produzir, destribuir, 62 bilhões de reais em 2009. A Petrobras investe duas vezes mais do que a União, ela investe 100 milhões de dólares por dia e 4 milhões de dólares por hora [...] O Brasil vai produzir em 2020 mais petróleo do que a Exxon petróleo, no início do século passado, controlada pela família Rockfeller.", relatou o jornalista.

Além do petróleo, o país também possui outras fontes de energia, como o etanol de cana, quatro vezes mais produtivo que o de milho, produzido nos Estados Unidos. Mas, outra riqueza energética está sendo desenvolvida no Brasil, a produção de energia diretamente da cana. "A Votorantim inaugurou em Campinas uma empresa para produzir energia direto da garapa de cana, sem produzir o etanol".

País tropical

"Nós temos 10 a 12 meses por ano para transformar sol em comida", apontou PHA, evidenciando a capacidade de produção agrícola brasileira, em comparação com regiões temperadas: "Nós podemos produzir etanol, podemos produzir e fazermos o milagre que é produzir grão no trópico [...] Hoje temos soja do Rio Grande do Sul ao sul da floresta amazônica".

PHA destacou o papel da Embrapa no desenvolvimento do solo brasileiro: "Eu quando fazia palestras nos EUA dizia: 'Vocês aqui orgulham-se de um grande presidente chamado Thomas Jefferson, que dobrou o tamanho dos EUA. Fez a famosa compra da Louisiana e dobrou o tamanho dos Estados Unidos. O nosso Thomas Jefferson é a Embrapa. A empresa dobrou o Brasil, tirou a acidez do solo do cerrado e descobriu culturas específicas para produzir lá".

Democratização do acesso à casa própria

Outra mudança de paradigmas na história econômica brasileira é, segundo Paulo Henrique Amorim, a revolução na indústria imobiliária, com produção de imóveis para classe média e residências populares. "O governo lançou um programa chamado 'Minha casa, minha vida'. Programa que vai investir 60 bilhões para construir 1 milhão de novas moradias para compradores até 10 salários mínimos. Entre três e cinco salários mínimos, a casa nesse programa será 80% subsidiada. Você só entra com 20% [...] É bem provável que brasileiros que foram trabalhar na construção nos EUA voltem para trabalhar aqui", destacou PHA.

Brazilian dream

"Conseguir um emprego, botar o filho na escola e comprar uma casa", dessa forma, o jornalista definiu o "american dream", o sonho americano que movimenta a economia: "Faz parte do sonho de toda família que o seu filho tenha uma condição de vida melhor do que a sua, porque senão o sistêmica econômico não vai para a frente. Isso é o american dream. Isso é o brazilian dream".

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