Senadora Gleisi Hoffmann se reúne com religiosos

Senadora Gleisi Hoffmann se reúne com religiosos

Atualizado: Quinta-feira, 14 Outubro de 2010 as 2:07

Gleisi Hoffmann (PT), eleita ao Senado com o maior número de votos no Paraná - 3,1 milhões -, esteve ontem em Maringá para agradecer os 82.207 votos que recebeu na cidade e impulsionar a campanha do PT, para o segundo turno, no interior do Estado.

Na Cidade Canção, a senadora eleita se reuniu com líderes religiosos católicos e evangélicos para mostrar que é importante haver o debate sobre o aborto e deixar claro que a decisão não é de competência do presidente da República. "O tema será debatido e definido pelo Congresso Nacional. Serão os deputados e os senadores que foram eleitos no dia três de outubro que vão participar dessa discussão".

Os dois encontros com os líderes religiosos, segundo Gleisi, serão importantes para esclarecer o posicionamento de Dilma sobre o assunto. Para a ela, a candidata petista à Presidência tem sido vítima de uma campanha de difamação, principalmente na internet, onde circulam e-mails denegrindo a imagem dela.

"Isso não pode continuar porque é muito ruim para a nossa democracia", comenta. A senadora eleita também mencionou a frase que teria sido dita pela mulher do tucano José Serra, Mônica Serra, de que Dilma "quer matar criancinhas". "Isso não pode acontecer em uma campanha eleitoral. O aborto é um tema que merece tratamento responsável, que não pode ser feito em vinte dias e nem em um plebiscito de quem é a favor ou contra".

Antes de ser candidata, Dilma concedeu duas entrevistas nas quais afirmou ser favorável à descriminalização do aborto, em 2007, à Folha de S. Paulo e, em 2009, à revista Marie Claire. Serra, quando ministro da Saúde implantou no Sistema Único de Saúde (SUS) procedimentos de aborto previstos em lei - em casos de estupro e risco à vida da gestante.

Segundo estimativa do próprio candidato, o fato teria resultado na perda entre 500 mil e 1 milhão de votos quando se candidatou à presidência pela primeira vez, em 2002.

Gleisi, que é uma das coordenadoras da campanha de Dilma, no Paraná, afirma que o debate político deve tratar também de outros temas e não estar centralizado no aborto.

"Queremos mostrar o que significou o governo Lula para o Brasil e o Paraná e, principalmente mostrar as qualidades da Dilma. Ela foi a mulher que ajudou o Lula a governar o País, que coordenou o PAC e o Minha Casa, Minha Vida". Para a senadora eleita, a exploração do pré-sal deve entrar na discussão.

"Nós queremos que o governo brasileiro coordene o pré-sal, assim como queremos que os royalties da Petrobras sejam distribuídos entre todos os Estados. A posição do Serra é de que os royalties fiquem com São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, que são os Estados produtores. Não dá para ter um presidente que pensa assim".

O desafio de Gleisi a 17 dias do segundo turno das eleições é tentar arrastar parte dos votos que recebeu para Dilma. No Paraná, José Serra venceu Dilma, por 46,94% a 38,94%, diferença de 296.390 votos.

"Sempre foi difícil para o PT vencer no Paraná. O Lula só ganhou uma eleição no Estado, que foi em 2006, no segundo turno, mesmo assim por uma margem muito pequena de votos. O Paraná tem um perfil conservador e nós vamos conversar com a população e mostrar o que está em jogo.

Não podemos ficar nessa corrente de discussão de um tema só".

Além dos contatos políticos e da articulação com os líderes religiosos, Gleisi conversou com diretores e associados da Sociedade Rural, e participou da solenidade de posse do novo reitor e da vice-reitora da Universidade Estadual de Maringá. Nesses dois compromissos, ela esteve ao lado do governador do Paraná Orlando Pessuti (PMDB).

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