Serra acusa Dilma de explorar a religião em debate eleitoral

Serra acusa Dilma de explorar a religião em debate eleitoral

Atualizado: Sexta-feira, 22 Outubro de 2010 as 8:55

"A candidata passou a frequentar igrejas, coisa que ela não fazia. A base disso está no fato de que uma hora ela diz uma coisa e em outra hora ela diz o oposto", afirmou.

Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, na noite desta terça-feira (19), o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou que não explora temas religiosos em sua campanha e acusou o PT e a líder nas pesquisas, Dilma Rousseff, de terem introduzido assuntos desse tipo na corrida pelo Palácio do Planalto.

Questionado pelos apresentadores sobre as razões que o levaram a alimentar a polêmica sobre o aborto, inclusive no horário eleitoral obrigatório, o tucano respondeu: "Não fomos nós que levantamos, nem nós exploramos”. Pouco depois, afirmou: “Quem introduziu esse ingrediente foi o PT e foi a Dilma".

O presidenciável afirmou que a discussão sobre o tema só surgiu por conta do Plano Nacional de Direitos Humanos, do governo Luiz Inácio Lula da Silva, e de declarações de Dilma a favor da descriminalização do aborto, atenuadas às vésperas das eleições. "Nunca explorei isso do ponto de vista que ela estaria errada por ser a favor", afirmou.

"O que acontece é que ela afirmou uma coisa e depois afirmou o oposto. Nem reconhece que disse o oposto, e, numa campanha, esses temas acabam sendo postos pela própria população. Nunca me passou pela cabeça transformar isso num centro de campanha", disse Serra.

"A candidata passou a frequentar igrejas, coisa que ela não fazia. A base disso está no fato de que uma hora ela diz uma coisa e em outra hora ela diz o oposto", afirmou.

Caso Paulo Preto

O tucano voltou a negar vínculo de sua campanha com as denúncias de que um ex-diretor da empresa de estradas paulistas, Paulo de Souza, conhecido como Paulo Preto, teria ficado com R$ 4 milhões que ilegalmente seriam destinados a políticos do PSDB. "Não houve ninguém que tivesse doado e o dinheiro não chegado", disse.

"Isso não aconteceu. Sempre tem dentro de um partido gente que gosta de um, gente que não gosta de outro, mas o fato é que não houve o essencial que é o desvio de dinheiro da minha campanha, porque eu saberia. Em todo o caso, nós seríamos a vítima", afirmou o presidenciável, que, em seguida, atacou os adversários.

"Eu desmenti isso há muito tempo e o assunto volta, inclusive, posto pelo PT. Eles vêm com esses ataques meio incompreensíveis para nivelar todo mundo. Como se tudo isso pudesse ser reproduzido do outro lado. Não tenho nenhum chefe da Casa Civil que aprontou tudo que a Erenice aprontou", disse.

Sobre a contratação de uma filha de Paulo Preto para trabalhar no governo paulista, comandado pelo tucano até março, respondeu: "Essa menina foi contratada - eu nem a conhecia- para trabalhar no cerimonial. Sabe dois idiomas e sempre trabalhou correntamente. Ela não está em nenhum cargo que tome decisões, faça lobby, como era o caso do filho da Erenice", afirmou.

Serra atenuou uma declaração no último debate da TV Globo, quando disse que Dilma e a candidata derrotada do PV, Marina Silva, são parecidas. A senadora pelo Acre terminou em terceiro lugar na disputa presidencial, com quase 20% dos votos. O tucano afirmou que fez o comentário para provar que "fazendo comparação você pode chegar a qualquer conclusão".

O ex-governador de São Paulo também fez comentários sobre suas propostas de elevar o salário mínimo para R$ 600 a partir de 2011 e conceder reajuste de 10% aos aposentados. "Isso tem um custo. Calculei [que dá para fazer com] 1% do atual Orçamento previsto", disse.

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