Silval é Batista, Mendes católico e Wilson declara não ter religião

Silval é Batista, Mendes católico e Wilson declara não ter religião

Atualizado: Quarta-feira, 14 Julho de 2010 as 10:22

Na primeira, de muitas perguntas, o informatvo fulmina os postulantes com uma das perguntas mais difíceis, do ponto de vista eleitoral, levando-se em conta que, como candidato, eles precisam agradar o maior número de eleitores.

Perguntado se acredita em Deus, a resposta óbvia, foi sim, uma vez que em nosso país, e num Estado supostamente laico, ser 'crente' é quase que um registro de identidade, e negar a divindade, pior do que roubar, matar ou praticar os atos mais sórdidos que possa existir.

Na segunda pergunta, 'Qual religião você pratica', o candidato Wilson Santos conseguiu jogar confete para todos os lados, declarando-se ecumênico, ou seja, sem uma religião definida, abrindo precedente para que o eleitorado de todas as religiões o identifique, a cada aparição em seu território, ou templo. Mauro Mendes foi lacônico e Silval Barbosa, adotou a sinceridade, mesmo que ela desagrade uns e outros.

Confira:

Diário de Cuiabá - O senhor acredita em Deus?

Silval Barbosa - Acima de tudo. Deus é minha fonte de inspiração. Entendo que todas as energias que eu reúno hoje, a fé e a esperança, eu consigo mentalizando nessa crença que vem de Deus.

Wilson Santos - Mais do que acreditar, eu sou testemunho de Deus. A minha vida, as dificuldades que enfrentei para vencer na vida, é o testemunho que Deus existe.

Mauro Mendes - Fui criado numa família cristã. Acredito muito em Deus. Por ser cristão é que aceitei estar neste desafio em que me encontro agora.

Diário - O senhor é praticante de alguma religião?

Silval - Frequento a Igreja Batista Boas Novas, em Cuiabá.

Wilson - Sou cristão ecumênico. Acredito na segunda volta de Cristo. Acredito no juízo final. Acredito na trindade. Sei que o maior dos mandamentos é o amor ao próximo.

Mauro - Católico, praticante. Vou sempre à igreja.

Diário - Em sua opinião, de que forma a religião pode contribuir para a formação do cidadão?

Silval - Primeiro, independente da igreja, acredito que todos precisam buscar fortalecer a espiritualidade. Então, a religião, sobretudo, as igrejas possuem um papel fundamental na sociedade: de ressocializar pessoas, estruturar famílias, de manter união entre as famílias. Elas têm um papel muito importante também no governo, principalmente nos serviços sociais prestados. É uma ajuda muito significativa que chega até os presídios, em campanhas sociais. Muitas igrejas têm o trabalho de recuperação de pessoas dependentes químicas. Trabalhos que seriam papel dos gestores públicos em nível estadual, municipal e federal são feitos pelas igrejas voluntariamente. Isso sem dúvida ajuda o governo em duas áreas essenciais que são a segurança pública e a saúde. Quando a igreja tira uma pessoa do vício, diminui as demandas do Estado. Por esses e outros motivos, respeito todas as religiões. As igrejas têm um papel fantástico, por isso busco estreitar e intensificar cada vez mais o relacionamento delas com o Governo.

Wilson - Da maneira mais ampla possível. Essas loucuras a que estamos assistindo diariamente são resultados da falta de religiosidade, da inexistência do temor a Deus. Se achar autossuficiente para tudo, que não vai prestar contas a ninguém no plano espiritual. O ser humano criado com uma base religiosa erra menos. Está preparado para se reconstruir permanentemente.

Mauro - A espiritualidade é importante para o equilíbrio das pessoas e para a harmonia da própria sociedade.

Diário - Sobre a família. Hoje observamos vários episódios de violência entre familiares. Pais que não respeitam filhos e filhos que não respeitam pais. A que o senhor atribuiu essas situações?

Silval - Formação. Tudo é formação. Volto a falar na igreja porque ela tem tido o importante papel de estar acompanhando a estrutura familiar. Infelizmente, o governo não consegue prever o que está ocorrendo dentro das residências, mas está fazendo um trabalho muito importante na Secretaria de Trabalho, Emprego e Cidadania. A Secretaria tem chamando as pessoas, mobilizado os agentes sociais para estar acompanhando nas casas, tem feito casamentos comunitários que dão às pessoas a possibilidade de dar identidade jurídica para seus filhos. Infelizmente, a maior parte das situações de violência vem dos vícios, das drogas da falta de uma religião. O Estado também está preocupado em atrair empresas, principalmente em regiões em desigualdade regional, através da política de incentivos para proporcionar empregos e melhoria de vida. Além do emprego, nos preocupamos com a educação dessas pessoas. O Estado prioriza essas áreas que são essenciais e afastam as pessoas de situações de violência e outros males.

Wilson - Primeiro, à falta de religiosidade. Segundo, à ausência cada vez maior dos pais no processo de educação dos filhos. Terceiro, de parte da programação da mídia ensandecida por audiência. Uma programação tentadora, vulgar, que explora as fragilidades do ser humano.

Mauro - Infelizmente existe uma degeneração dos valores familiares. Famílias desagregadas fazem com que a sociedade perca valores e referências. Isso prejudica na educação, na segurança pública... O primeiro pilar, a primeira base de uma sociedade, é a família. Temos que trabalhar para fortalecer valores familiares.

Diário - O senhor é a favor do aborto?

Silval - Sou totalmente contra o aborto. Com exceção do que a legislação permite, como é o caso de risco à saúde da mãe.

Wilson - Sou contra. Sou a favor da vida. Defendo que cada ser humano tem o direito ao livre-arbítrio sobre o seu corpo. Sobre o seu corpo! Não o corpo de um feto, de uma criança que já nasceu. Sou a favor da autodeterminação do corpo de uma pessoa. Mas, quem está dentro dela não é mais ela, ali já é outro ser humano.

Mauro - Não. Sou contra o aborto. Sou a favor da vida. Acredito que o tema deve ser discutido simplesmente em casos extremos que colocam em risco a segurança da saúde da mãe.

Diário - O senhor é a favor ou contra a legalização da maconha?

Silval - Sou radicalmente contra. Estou fazendo o maior trabalho de combate às drogas, às bocas-de-fumo.

Wilson - Sou 120% contra. A maconha é a porta de entrada para as drogas mais potentes.

Mauro - Sou contra a legalização da maconha, é uma droga. Sou contra, inclusive, ao próprio cigarro. É um mal para a sociedade, para os jovens, que deve ser duramente combatido.

Diário - O senhor é a favor ou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo?

Silval - Respeito as diversidades e acredito que precisamos avançar muito na discussão desse tema que é muito polêmico. O assunto é muito mais abrangente do que pensamos, precisa de regulamentação do Congresso Nacional.

Wilson - Defendo o livre-arbítrio. Cada um faz o que quiser na sua vida. A Bíblia é bem clara nisso. Um dia todos nós estaremos juntos.

Mauro - Todo ser humano precisa ser respeitado, nas suas diferenças, nas suas igualdades. Esse é um assunto muito polêmico que demanda um debate grande da sociedade. Cabe ao Congresso Nacional decidir aquilo que é melhor para a nossa sociedade.

Diário - O senhor acredita que a pena de morte pode reduzir os índices de criminalidade?

Silval - Precisamos trabalhar fortemente na formação das pessoas. Não acredito que uma medida dessa natureza diminuiria os crimes. Hoje a sensação da impunidade é que faz os crimes se tornarem recorrentes. Quando tivermos uma legislação mais clara, que realmente puna severamente uma pessoa que cometeu um crime, isso, sim, vai inibir os índices de criminalidade.

Wilson - Não. Onde ela existe não reduziu. Não é o caminho. O caminho é atacar as causas, a origem da violência. O analfabetismo, o preconceito, a discriminação, o desemprego, a falta de religiosidade, essas são as causas que levam à violência. Não dá para fazer política de segurança pública dissociada de política de ação social. Ambas devem ser casadas. A segurança pública ataca os efeitos da violência enquanto a área social ataca as origens. Isso seria muito mais eficaz que a pena de morte.

Mauro - Não acredito nisso. Só Deus pode dar a vida e tirar a vida. Para reduzir os índices de criminalidade, é preciso aumentar as políticas sociais, de educação, investimentos em segurança pública, esporte e lazer, enfim, criar oportunidades para que as pessoas não sejam cooptados pelo mundo da criminalidade. Investir em prevenção. Esse é o caminho mais barato e mais seguro. Todos os países que fizeram isso tiveram resultados positivos. Quem só investiu em pena de morte tirou milhares de vidas e não resolveu o problema da criminalidade.

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