Sobre amar apesar do medo

Sobre amar apesar do medo

Atualizado: Sexta-feira, 5 Abril de 2013 as 2:26

 

amorO texto de I João 4:18 diz assim: “No amor não há medo; ao contrário, o perfeito amor expulsa o medo” (NVI).
 
Eu não entendia isso até pouco tempo atrás. Mas o terremoto de 12 de janeiro de 2010, ocorrido no Haiti, foi a maneira como Deus revelou ao meu coração o significado real desse conceito. 
 
A verdade é que, a primeira vez que eu fui ao Haiti, eu estava morrendo de medo. Morrendo mesmo, sem hipérbole. O medo fazia meu coração palpitar, minha pressão cardíaca oscilava, eu sentia falta de ar. Fui muito desencorajado, e as pessoas tinham razão: era loucura.
 
Não havia acesso ao país, a violência e os saques nas ruas eram constantes, e o cheiro de morte pairava no ar. Sem falar do medo daquilo que as pessoas iriam pensar. Eu me sentia inadequado e despreparado. E estava mesmo.
 
Mas eu amei. Ah, como eu amei! O amor que senti por cada uma das crianças que vi nas primeiras reportagens de televisão era maior que o meu medo. Amei a mãe que precisava alimentar seus filhos com biscoitos de barro. Amei o pastor que recebeu 73 desabrigados no quintal de casa, todos dormindo ao relento. 
 
Amei a senhora que ficou 11 dias sob escombros, foi listada entre os mortos, mas sobreviveu para testemunhar que um homem de branco a visitava e trazia água e alimentos diariamente. Amei. Simplesmente amei. E o amor venceu. 
 
A partir daí, outras situações me vieram à mente. Por amor às minhas filhas eu não temeria um incêndio. Por amor à minha esposa eu não teria medo do bandido. Ou talvez tivesse, mas esse medo ficaria quietinho lá, encolhido, pois seria a hora do amor aparecer. 
 
Por mais simplista que seja esse pensamento, quero olhar com outros olhos para os meus medos. O amor é quem deve ter a voz final, não o medo. Se sou controlado pelo pânico, talvez o problema seja outro. Quem sabe eu não esteja com medo demais. Eu estou é amando de menos.
 
 
- Mario Freitas
 

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