Sobre déficit de atenção

Sobre déficit de atenção

Atualizado: Terça-feira, 28 Maio de 2013 as 8:35

 

ajudaHá alguns anos, fui diagnosticado com TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Isso aconteceu antes ainda do TDAH se tornar a doença da moda. Conforme o neurologista foi explicando do que se tratava, enumerando as características da patologia, parecia que minha própria história ia sendo desvelada. “É isso que eu sou!” – exclamei no mais profundo da alma, num encontro súbito entre a euforia e o pavor. Sim, o TDAH mistura essas sensações. Nós dessa “classe” costumamos ser intensos, extremos...
 
Várias coisas começaram a fazer sentido nas semanas subsequentes. Lembrei das muitas vezes em que as pessoas brigavam comigo por não estar atento ao que diziam, quando na verdade, embora olhasse para o lado, eu estava. Também lembrei de outras situações em que as pessoas investiam suas emoções em explicar-me sua situação, quando eu, dessa vez ao contrário, não lhes ouvia. Eu fingia, mas minha mente vagava distante. Sobretudo, lembrei-me de quantas vezes eu detestei o que eu era, e tentei ser o que jamais seria. Mas o TDAH não me permitia dar sequência, ou concluir o projeto de ser um falso “eu”. Pacientes de TDAH não concluem quase nada, nem mesmo o estúpido projeto de clonar outro alguém. Então eu me contentava frustradamente em ser eu mesmo. 
 
Foi o evangelho que me fez mais “resolvido”. Fui percebendo que Deus não se queda desatento, por mais que tenha todo um mundo para fazer rodar. Pelo contrário, quando o salmista mais precisou Ele deu atenção (Salmo 66:19). Como se Ele voltasse Seus esforços exclusivamente para aquele sujeito, em seu momento de pavor. Alguém com TDAH não pode concentrar-se assim. Mas apesar de meus “divagares”, Ele atenta e socorre. Dá atenção inclusive a tudo quanto eu deixei sem atenção. E supre a todos quantos eu decepcionei. Ou causei transtornos, ou déficits, pela desatenção...
 
 
- Mario Freitas
 

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