Sobre tudo o que conquistei - por Mario Freitas

Sobre tudo o que conquistei - por Mario Freitas

Atualizado: Segunda-feira, 22 Abril de 2013 as 1:12

 

bicicletaUma amiga russa me contou uma história curiosa certa vez. Ela e o esposo tinham suas bicicletas, que ficavam sempre encostadas à entrada do prédio onde viviam, na periferia de Moscou. O local era seguro, portanto não precisavam prender as bicicletas com grades.
 
Um dia, pronta para sair de casa, ela percebeu que sua bicicleta não estava no local.  Imediatamente, atravessou a rua e perguntou a uns meninos que brincavam no parque se eles tinham visto sua bicicleta. 
 
Responderam que sim: “O fulano pegou; ele mora a duas quadras daqui”. Tratava-se de um outro jovenzinho. 
 
Minha amiga e seu esposo foram atrás, já que o suposto “meliante” era simplesmente um adolescente que costumava brincar pelas redondezas, e que tinha família. Não demoraram para encontrá-lo em pé, em frente à sua casa, com seus pais, agarrado à bicicleta. 
 
“Eu vim em missão de paz, mas queria minha bicicleta de volta” – afirmou minha amiga. “Eu vi que vocês tem duas. Eu não tenho nenhuma. Não é justo. Resolvi pegar uma” – o adolescente replicou. 
 
Logo, os pais interviram, e ordenaram que ele devolvesse a bicicleta. Minha amiga pegou e saiu, com um sorriso constrangido, mas voltou triste. 
 
A verdade é que, por muito tempo, a Rússia esteve sob intervenção comunista. Portanto, as coisas de fato eram comuns às pessoas, e o sentimento de posse não era sequer permitido pelo governo.
 
Resumindo, se alguém tinha duas casas, essas eram entregues ao governo e distribuídas entre duas famílias. Embora o pensamento do jovem fosse equivocado, essa história toda me leva a questionar meu sentimento de posse. 
 
O que eu tenho é de fato meu? Meu carro, minha TV, o que eu comprei, o que já conquistei... De quem é? Acho que, na verdade, fica mais fácil ceder e conceder quando percebo que nada possuo. 
 
Repartir passaria a não mais ser um ato heroicamente cometido por alguns filantropos, mas um modus vivendi compartilhado pela igreja de Cristo. Investir no pobre passaria a ser investir em mim mesmo. Como a primeira igreja, em que ninguém considerava exclusivamente sua nenhuma posse (Atos 4:32). 
 
Sem adesão a qualquer sombra de comunismo, mas sob a possibilidade de vivermos o evangelho por Cristo e para o outro. Assim seja.
 
 
- Mario Freitas
 

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