"Somos tentados a nos ver 'melhores' quando subimos ao púlpito", afirma pastor em Assembleia da IAP

"Somos tentados a nos ver 'melhores' quando subimos ao púlpito", afirma pastor em Assembleia da IAP

Atualizado: Sexta-feira, 4 Dezembro de 2009 as 12

Por Juliana Simioni - www.guiame.com.br

Nos dias 27, 28 e 29 de novembro, aconteceu a 45º Assembleia Geral da Igreja Adventista da Promessa, em Sumaré (SP). No sábado, durante todo o dia, o tema trabalhado foi Espírito Santo: "O Deus que vive na Igreja", "Seus grandes feitos", e "O Deus que atua na Igreja". No culto de domingo de manhã, o último realizado na Assembleia, o pastor Gilberto Fernandes Coelho ministrou o tema "Três visões a meu respeito".

Bolas murchas e bolas cheias

Na ministração, o pastor citou três diferentes formas pelas quais qualquer pessoa pode se ver: de acordo com a realidade, quando as pessoas se vêem exatamente como são; aquém da realidade, quando constroem uma auto-imagem negativa. "Se veem com certo menosprezo. Em uma linguagem popular, são as que pessoas que se veem como &bolas murchas&", brincou o pastor. A última forma apontada foi "além da realidade", quando os indivíduos constroem uma imagem exageradamente positiva. "Veem-se como melhores que todo mundo, são os &bolas cheias&", explicou Coelho.

Além das três visões sobre o indivíduo, Gilberto fez uma síntese da carta à Igreja de Laodicéia, descrita em Apocalipse 3:14-22, analisando: "Como ela se via, como Deus a via, e como Deus queria vê-la".

Adjetivos e &paparicação&

"Laodicéia se gabava de sua pujança como cidade próspera", disse o pastor, que frisou o fato de os irmãos laodicenses se vestirem bem, possuírem indústria de lanifícios e produzirem colírio. "A arrogância e a prepotência estão implícitas nessa expressão: &e não preciso de coisa alguma&", observou [versículo 17].

Gilberto fez uma breve passagem pela parábola do Fariseu e do Publicano (Lucas 18:8-14) para mostrar duas formas possíveis para o homem se analisar: além da realidade ou sob uma visão do estado pecador. O pastor chamou a atenção para como as pessoas pensam sobre si mesmas hoje. "Sobram adjetivos e formas de tratamento honrosas dirigidas a pastores e presbíteros, e a folha de serviços prestados passa a ser advogada por alguns como cartão para a impunidade ou senha de acesso a certas prerrogativas ministeriais", disse ele, que também afirmou que tal racionalização é nula para Deus, a exemplo de Moisés que, apesar de sua "folha de serviços", não teve a permissão de Deus para entrar em Canaã. "Somos tentados a nos ver melhores do que somos, especialmente quando subimos ao &púlpito& ou ao &palco&; mas se podemos ser badalados ou paparicados, também podemos ser detestados", alertou Coelho.

Provados e Aprovados

Citando os versículos 15 a 17 de Apocalipse 3, o preletor destacou a visão perfeita de Deus: "ela não está sujeita a nenhum tipo de distorção, independentemente das circunstâncias", e atentou para os três estados espirituais citados: "frio, quente e morno", explicando que a igreja em Laodicéia foi comparada a este último por simbolizar indiferença religiosa.

Repetindo o versículo 17, Gilberto também mostrou que os laodicenses eram materialmente abastados, mas, espiritualmente, "viviam às mínguas". "Deus detesta indefinição. Como será que Deus me vê e lhe vê? Frio, quente ou morno? Estou promovendo alegria ao coração de Deus ou náuseas em suas entranhas? Até que ponto posso estar enganando a mim mesmo?", questionou.

De acordo com Coelho, a igreja em Laodicéia avaliava a si mesma segundo padrões de riqueza material, porém Deus atribui valor a ela segundo seu padrão de santidade: "Deus quer vê-la como ouro refinado pelo fogo, provado e isento de impureza". Ele afirmou que Deus quer observar aos seus filhos com a "percepção e conceitos reformulados, com a convicção de pecado e necessidade de arrependimento e transformação". "Deus nos quer provados e aprovados! E que a exemplo do publicano [parábola], saiamos daqui &justificados", exclamou.

Deus espera definição

"A carta à igreja em Laodicéia é de natureza pessoal. Eu e você somos os destinatários dessa carta", indicou o líder, que alertou o fato de nesta carta Deus confrontar a maneira como cada um olha para si mesmo. "É preciso coragem e submissão para ser confrontado por Deus, especialmente quando Ele expõe nossas misérias", frisou Gilberto. "A despeito do que mostra a radiografia espiritual, Deus reitera o seu amor por mim e por você ainda que estejamos mornos, Ele está à espera de definição",afirmou.

O pastor releu o versículo 20, passagem geralmente usada para fazer apelo a descrentes, mas lembrou que ele também pode ser usado para os crentes, a exemplo da carta de Laodicéia, que narra Jesus fora da igreja e do coração dos crentes. "É preciso destronar o &eu& e entronizar o Cristo vivo em meu e em seu coração", enfatizou.

Por fim, Coelho leu o último versículo da passagem, que diz: &Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas&. Em entrevista ao Guia-me, o pastor, que também é psicólogo, afirmou que a maioria das pessoas tendem a se verem melhores do que são. "Todo ser humano é tentado a ser ver melhor do que realmente é. Dentro dessas três visões, é claro que há pessoas que se veem de acordo com a realidade, tem uma percepção real do que elas são, com suas virtudes e limitações, porém, muitas pessoas, por questões de natureza emocional e psicológica, veem-se aquém do que são, inferiorizadas. Por outro lado, pelas mesmas questões, há pessoas que se veem além do que são, se acham melhores que todas as outras, o que acontece na maioria dos casos", expôs.

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