Sylvana Bezerra: "Você não pode negociar a educação de seus filhos"

Sylvana Bezerra: "Você não pode negociar a educação de seus filhos"

Atualizado: Terça-feira, 17 Maio de 2011 as 2:03

Guerreira. Assim pode-se descrever a psicopedagoga, assessora da Adhonep emãe de três filhos, Sylvana Bezerra. Representante do Escritório Nacional e assessora do Apoio Feminino da Adhonep no Ceará e esposa de Marcos Bezerra - um empresário bem sucedido na área de auto-peças do Ceará -, ela não negociou a imposição de limites e o ensino de valores baseados em princípios bíblicos aos seus filhos.

Em entrevista exclusiva ao Guia-me, Sylvana falou sobre as dificuldades enfrentadas pelas mães (e esposas) na pós-modernidade e a cura de seu filho mais novo, que superou duras fases de quimioterapia após a descoberta de um câncer.

Confira a entrevista na íntegra:

Guia-me: Na sua opinião, ser mãe é um chamado, ministério, missão...?

(Risos) Eu creio que seja um ministério, porque ser mãe é dom de Deus, presente de Deus e é algo mais sublime que possa existir, mas também não é fácil. São renúncias, são lutas, preocupações, mas vale a pena ser mãe... no final vale a pena, porque os filhos são herança de Deus, são bênçãos... nós só temos a ganhar como mães.

Guia-me: Qual a maior recompensa que um filhopode dar a uma mãe?

Eu tenho três filhos: um de 20 anos, um de 16 anos e um de 7 anos (três homens). Então eu tenho conhecimento de causa (risos). Cada um deles é diferente. Cada um tem sua personalidade, mas eu tive o privilégio de ter três grandes bênçãos na minha vida. São três filhos que nunca me deram nenhum problema. São tementes a Deus, porque foram criados com esse temor, com princípios cristãos. A maior satisfação é ver um filho meu na Universidade, trabalhando - no caso do meu de 20 anos - ou como o do meio, que com 16 anos está morando longe daqui, na Nova Zelândia, buscando igrejas, tendo relacionamentos cristãos, com os irmãos de lá e o pequenininho, que cada dia que passa é uma festa aqui em casa. Então para mim esse é o maior prazer, a maior retribuição e vejo que valeu a pena. Como eu te falei: as lutas e preocupações valeram a pena, porque eu vejo os meus filhos tendo as realizações deles.

Guia-me: Em uma sociedade cheia de facilidades(que acompanham o surgimento, de novas tecnologias, por exemplo), como é possível impor limites aos filhos?

Não é fácil... principalmente quando você tem uma certa condição financeira e os seus filhos estudam em colégios bons, onde outras crianças também tem acesso a tantas coisas. Mas aqui em casa eu sempre mostro para os nossos filhos o seguinte: "Vocês não são ricos. Vocês são pessoas prósperas, que tem um pai que trabalha bastante... tem uma vida agradável". Sempre chega um e diz "Mãe, tem aquele computador tal... eu quero" e às vezes a gente tem que dizer "Não é o momento".. é tanto que esse meu filho mais velho já está trabalhando. Então nós colocamos para eles esse hábito "Você quer? Então agora você vai comprar". Agora você tem o seu dinheiro - que pode ser pouco -, mas você vai comprar. Então eu acho que tem que colocar limites logo desde que são pequenos. "Não é hora", "Não é nesse momento", "Mais tarde compramos", "Nós não estamos em condições"... elas precisam crescer, sabendo que há limites e que a vida não é um mar de rosas.

Guia-me: Então a conscientização dos valores,não somente na questão financeira, mas também de valores sociais desde cedo ajudam nisso também?

Com certeza. O meu filho do meio estuda em um colégio aqui de Fortaleza, que é bem diferenciado. Então lá eles trabalham bastante com crianças especiais. Dá para ver o amor que ele tem por essas crianças, o cuidado com elas. Eles vão para hospitais de crianças com câncer, vão fazer trabalhos relacionados a isso. Essa parte social também se forma enquanto eles estão pequenos. Depois que eles crescerem, não adianta mais impor limites. Quando eles ainda são pequenos é preciso cria-los nos caminhos do Senhor. É ensina-los, dizendo o que é certo e o que é errado e colocar limites, sim. O que eu vejo hoje em dia é que os pais não dão limites aos filhos e muitos tem medo dos próprios filhos. "Ah! Eu vou dar esse computador, porque senão ele vai se rebelar", "Tenho que dar esse tênis...". Não pode ser assim. Tem que cria-los realmente, ensinando-os a terem temor a Deus.

Guia-me: A mãe foi por muito tempo conhecidacomo a mulher que dava conta da casa, dos filhos e até mesmo do marido. Na sua opinião, esse conceito mudou ou ainda precisa ser mudado?

Esse conceito tem mudado. Hoje as mulheres estão conquistando o seu espaço na sociedade, trabalhando e dando conta do recado muito bem. Grandes profissionais, grandes donas de casa. Quem pode, coloca sim uma funcionária [empregada doméstica] em casa, mas eu acredito que é você não pode entregar os seus filhos a terceiros. Gente que  trabalha um expediente ou mais... não tem tempo de ir em casa para almoçar com o marido... coloca o filho o dia todo em uma escola, aos cuidados de pessoas que não tem competência para cuidar deles, aí o problema é bem maior. Eu fui um exemplo particular. Sou psicopedagoga, formada, mas tomei uma decisão na minha vida: chegou um determinado momento em que eu disse “Não vou mais trabalhar. Eu vou criar os meus filhos”. E foi o que eu fiz. Hoje eu crio os meus filhos, tenho uma vida social, trabalho na Adhonep como voluntária, mas hoje eu estou colhendo os frutos, que são ter três filhos obedientes, tementes a Deus, educados, porque eu realmente tomei essa postura. Agora, para quem não pode fazer o que eu fiz – eu entendo que nem todas tem esse privilégio – tem que ter somente este cuidado: não entregar os seus filhos a terceiros, a pessoas que não possam dar uma educação no mínimo, básica.

Guia-me: Você tem um testemunho de cura do seufilho mais novo, que é algo muito forte. Quando você se viu naquela situação, o que te segurou realmente, para conseguir permanecer firme com junto ao seu filho?

Não é fácil, não, mas uma coisa eu posso te falar: Foi a graça de Deus. Porque quando eu estava na luta com ele, fazendo quimioterapia – passamos 1 ano e meio nesse processo – às vezes o Senhor me falava assim: “A minha graça te basta!”. Ele me dizia isso e em outro momento me disse: “Isso é apenas uma leve e momentânea tribulação!”. Então eram palavras de consolo que o espírito santo me trazia. Por mais intimidade que eu tivesse alí com Deus, temor, ainda era muito difícil. Mas pode ter certeza, você que está lendo essa entrevista, é a graça de Deus. É o poder de Deus te aperfeiçoando, literalmente, na sua fraqueza. Então nessas horas não existe o “grande cristão”, a “grande mulher de Deus”... é o poder de Deus e a dependência que nós temos dEle. Você vence, como eu venci, porque Deus é fiel.

Guia-me: Então em um momento assim não existeuma “superioridade espiritual”, todos acabam sendo iguais diante de Deus, não é?

É sim! O chão se abre... não tem nem chão para se ajoelhar, porque ele se abre. Parece que o mundo cai sobre a sua cabeça. A natureza humana e o nosso desespero vêm à tona. Mas aí você tem o espírito santo, que vem consolar, falar ao seu coração, aí você começa a exercitar a sua fé e o Senhor honra. Hoje eu tenho o meu filho, com 7 anos de idade, curado, para a glória de Deus, restaurado, as nossas emoções também estão sendo restauradas, porque também não é de uma hora para a outra que isso acontece. E eu só tenho isso a dizer: É o poder de Deus na sua vida, o poder do espírito santo na sua vida.

Por João Neto - www.guiame.com.br

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