Técnico evangélico não exigirá oração em campo

Técnico evangélico não exigirá oração em campo

Atualizado: Quinta-feira, 11 Março de 2010 as 12

As diferenças entre eles são enormes, mas a decisão de Grêmio e Internacional em contratar Silas e Jorge Fossati como treinadores é baseada em princípios idênticos.  

Os times gaúchos apostaram em renovação, rejeição a medalhões, salários enxutos e times que privilegiam o conjunto ao brilho individual de algum craque.

A preocupação com redução salarial ficou evidente quando Fernando Carvalho, homem forte do futebol colorado, recusou a oferta de Wanderley Luxemburgo, que pedia algo em torno de R$ 800 mil mensais para uma comissão técnica que incluiria até uma nutricionista. Seria muito mais do que os R$ 200 mil que Tite recebia antes de ser demitido e substituído por Mário Sérgio, que faturou um bônus de R$ 500 mil por ter classificado o Inter à Libertadores. Jorge Fossati acertou por R$ 100 mil.

O Grêmio também vai economizar com Silas. Ele vai ganhar R$ 120 mil, menos da metade do que os R$ 250 mil que Paulo Autuori faturava por mês.

Os dois treinadores chegaram com um discurso forte, mostrando quem é que manda a partir de agora. Havia em Porto Alegre uma grande expectativa pela contratação, pelo Grêmio, do preparador físico Paulo Paixão, que estava no CSKA. Parceiro de Luis Felipe Scolari na conquista do Mundial-2002, Paixão é um ídolo no Rio Grande. É chamado de "rei do vestiário" pelas preleções que faz aos jogadores. "O Paixão é um grande profissional, mas ele é preparador físico. No meu vestiário, quem fala sou eu, quem dá as ordens sou eu", foi o recado de Silas. O ex-treinador do Avaí também foi fundo ao dizer que sua fé não tem nada a ver com o trabalho. "Sou evangélico, mas não vou exigir que alguém fique rezando em campo ou no vestiário." Esse recado serviu de alívio para a torcida gremista, que tem péssima lembrança do time "evangélico" de 1998, que tinha Macedo, Capitão e Itaqui. Para eles, a derrota ou a vitória era sempre uma vontade divina. Que não podia ser mudada.

Fossati, em sua apresentação, falou diretamente a D'Alessandro, o habilidoso argentino. "Ele tem que prestar atenção apenas no futebol e abandonar questões pessoais. Nosso grupo tem de ser unido e com um vestiário fechado", afirmou, em um discurso que muita gente aposta que foi combinado com Fernando Carvalho.

Há diferenças, é lógico. Fossati joga com duas linhas de quatro zagueiros e privilegia a defesa. Silas conseguiu montar um Avaí ofensivo, sexto no Brasileiro.

Ao final do ano e de quatro Gre-Nais (dois pelo Gauchão, dois pelo Brasileiro), um deles será considerado ídolo. O outro, provavelmente, será demitido.

Por Luís Augusto Símon

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