"Tentei ter atitude diferente na política", diz Marina Silva

"Tentei ter atitude diferente na política", diz Marina Silva

Atualizado: Segunda-feira, 18 Outubro de 2010 as 3:42

Em entrevista ao programa Manhã Maior na RedeTV, na manhã desta segunda-feira (18), a ex-candidata a presidência da República Marina Silva (PV), disse que o seu bom resultado nas eleições é fruto de um trabalho coletivo e que essa luta socioambiental está aos poucos se integrando ao Brasil inteiro. Também afirmou que durante todo o processo eleitoral sempre quis ter uma atitude diferente na política, não ir pelo caminho da "pegadinha", sem fazer ataques pessoais. "Acho que isso fez a diferença. Quis construir um novo caminho político".

Em relação à reforma política, Marina afirmou que o grande desafio é que a política saia do atraso de hoje em dia e comece a acompanhar os avanços sociais e econômicos do País. "As pessoas identificam a política como um lugar não da maioria, mas pessoal", enfatizando que essa reforma deve contribuir para que o processo político esteja engajado em benefício da maioria, defendendo os interesses legítimos dos brasileiros.

Marina disse que acredita no Brasil e não acha que o presidente possa mudá-lo sozinho. Além disso, a senadora também afirmou que é preciso parar de não reconhecer as conquistas do Brasil, independente em qual governo aconteceu. "Temos que ter uma atitudade cada vez mais respeitosa em relação à política, em termos de linguagem".

A senadora também falou sobre o seu compromisso com a Amazônia e a luta pelo socioambientalismo, que começou com Chico Mendes. "É importante que as pessoas economizem água e energia, separem o lixo, e cobrem uma atitude das autoridades para proverem um transporte coletivo de qualidade". Marina acredita que o grande problema do futuro será a ausência da água. "Daqui a dez anos, o Brasil será um País que fará uma transição do modelo insustentável para uma forma mais sábia e inteligente de usar as riquezas naturais para promover emprego, moradia, mas acima de tudo preservando o meio ambiente".

Futuro

Depois de ter passado o primeiro turno, Marina ainda tem dois meses no Senado e falou sobre a decisão de não sair para um terceiro mandato. "Eu achei que isso se tornaria um emprego e, para mim, estar na política é uma questão de sonhos, de utopia". Agora, ela afirma que pretende voltar para a sociedade e lutar por um Brasil mais sustentável, além de continuar seus estudos na área de psicopedagogia.

Sobre suas propostas, Marina disse que algo essencial é a educação e uma mudança de modelo de desenvolvimento, onde os investimentos estejam voltados em proteger o ambiente. Também lembrou que a saúde é muito importante. "Eu sei o quanto uma saúde de qualidade pública é prioridade". Outro ponto destacado pela ex-candidata foi a segurança pública. "A população está vulnetável. É preciso que o governo federal faça parcerias com os estaduais e que a segurança valorize a vida".

Religião

A ex-candidata lembrou que aos 13 anos pensava em ser freira. "Minha avó sempre me falava sobre Jesus, freiras e padres. Ela me ensinou o cristianismo. Eu perguntava o que eram freiras e ela me explicava que eram pessoas que se dedicavam a Deus. Mas como eu não podia ser freira, porque era analfabeta, aos 16 anos fui para a cidade estudar".

Marina se diz uma pessoa movida pela fé e determinação, sempre se colocando no lugar do outro e amando ao próximo como a si mesmo, em referência a um dos dez mandamentos da Bíblia. "Tenho o compromisso de não fazer da minha fé, da minha religião, uma arma eleitoral. Fui muito transparente em abordar minhas convicções sobre o aborto e as drogas".

A atriz Marieta Severo e Chico Mendes foram citados pela senadora como pessoas por quem tem muita admiração. Também falou sobre a grande contribuição que a comunidade cristã ofereceu em todo o processo eleitoral.

A senadora ainda destacou o filme Tropa de Elite. "É um filme fantástico, uma transição do primeiro para o segundo, elaborando os problemas sociais e políticos. Senti um misto de alegria, por um trabalho muito bem feito, e uma certa impotência em ver que existe um sistema que precisa ser tratado. Eu saí do filme com o compromisso de ver de novo e escrever um artigo, assim como fiz em Avatar".

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