Teólogo da Visão Mundial comenta trabalho social da igreja brasileira

Teólogo da Visão Mundial comenta trabalho social da igreja brasileira

Atualizado: Quarta-feira, 20 Abril de 2011 as 11:38

Considerando o crescimento do Brasil no cenário econômico, sendo considerado atualmente como superpotência emergente, Dr. Valdir Steuernagel, teólogo Sênior da Visão Mundial Internacional, comentou se o Brasil pode ou não representar uma potência também no Cristianismo no contexto mundial.

Dr. Steuernagel concordou que o Brasil é uma superpotência emergente no cenário econômico internacional mas quanto a ser considerado potência no Cristianismo, achou difícil responder mas afirmou que a Igreja evangélica apesar de estar crescendo não está refletindo mudanças nos índices de um padrão de justiça.

“O crescimento da Igreja evangélica não está afetando na diminuição da injustiça no Brasil,” disse ele.

Primeiramente ele explicou que deve se considerar que as Igrejas estão passando por um processo de transição de “pessoas que estão deixando a Igreja católica e se tornando evangélicos. Ou até em alguns casos as pessoas estão deixando as Igrejas mais históricas para entrar em Igrejas mais novas.”

Concordando que as Igrejas evangélicas estão em grande crescimento, o estudioso indentificou que há dois tipos de crescimento de Igrejas: uma é de forma estratégia e não planejada e outra refletindo um crescimento em franchising, ou seja, “modelos de Igreja que se reproduzem de forma similar em todos os lugares.”

Dr. Steuernagel citou o movimento neopentecostalista como um dos movimentos de Igreja que mais cresce no Brasil, sendo “uma nova forma de um pentecostalismo mais consonante como meios de comunicação e administração dos nossos dias.” Olhando para as missões brasileiras, ele observou que antes o Brasil recebia missionários agora ele envia missionários para fora.

Os desafios da Igreja, apontou ele, é que os Cristãos se envolvam no crescimento de uma Igreja que “reflita os valores do Evangelho, uma Igreja que seja sinais do Reino de Deus.”

“O desafio é que a Igreja evangélica seja mais evangélica , que seja voltada para a palavra e vivendo a palavra no contexto da nossa realidade.”

Ele explicou que alguns dos problemas são culturais, ou seja, a “cultura de líderes históricos que permanecem por muito tempo e a Igreja tende a repetir os modelos 'caciquistas,'” e citou também o fato dos brasileiros serem “emocionais.”

“Temos uma cultura emocional em que as pessoas respondem rapidamente mas tem dificuldade de ser consistente com suas decisões.”

“Nós vivemos um problema de uma espiritualidade que reflete muito mais uma religiosidade afro-brasileira do que uma cosmovisão cristã.”

Com relação à teologia pregada, o teólogo levantou o problema da ‘teologia da prosperidade,’ dizendo que o perigo é de que “essa teologia esteja desvinculada do Evangelho, que enfatiza uma batalha espiritual que não tem a ver com a realidade do pecado nas nossas estruturas culturais sociais, políticas e econômicas.”

“O perigo de uma tegologia que esteja marcada por um empreendedorismo ‘tupiniquim’ que confia mais no nosso ‘taco brasileiro’ - ‘deixa que a gente faz’ - do que no Evangelho.”

A solução que ele encontra é que os Cristãos voltem “a uma boa, sólida e bonita base bíblica ... e redescubram o valor da unidade que está presente no Evangelho.”

Sua expectativa é de que a Igreja brasileira não cresça somente como templo mas também como Igreja que se aproxima ministerialmente dos diferentes segmentos da sociedade brasileira, as crianças os jovens, os artistas, os atletas, as enfermeiras, etc.

“Que ela [a Igreja] consiga desenvolver ministérios de atuação para dentro da realidade brasileira.”

Outra expectativa é que “essa Igreja redescubra ainda mais o chamado de Jesus para que sirvamos um ao outro. Para que possa ser vista como uma Igreja que servindo uma à outra passa a ser muito relevante no tecido social da nossa própria realidade.”

“Precisamos de um novo modelo político que lute pela justiça igualdade. Sonhamos com uma Igreja que seja relevante para a nossa cultura. A nossa cultura precisa ser resgatada. Somos uma cultura idólotra. ... precisamos contribuir com a nossa nação através do Evangelho de Jesus Cristo, para que o nosso crescimento econômico seja saudável.”  

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