Termo de compromisso é firmado no Encontro Afro cristão

Termo de compromisso é firmado no Encontro Afro cristão

Atualizado: Quinta-feira, 7 Abril de 2011 as 11:29

O IV Encontro Afro-cristão que aconteceu entre os dias 1 a 3 de abril nas dependências da UMESP em São Bernardo do Campo, discutiu o tema “Juventude Negra, Sujeito de conhecimento e de direitos”.  De acordo com a coordenadora do evento, Diná da Silva Branchini, “o objetivo era de trazer temas relacionados à população negra para reflexão e o debate no âmbito da universidade e das igrejas, além de discutir temas do cotidiano e mostrar o que os próprios jovens estão fazendo nesse sentido”.

Pela primeira vez houve um espaço para a apresentação de trabalhos de pesquisas, que abordam a questão da juventude de um modo geral, compartilhando o saber acadêmico com a prática social. As apresentações ocorreram na tarde de sexta-feira, 1º de abril, com alunos do mestrado e doutorado. Dentre eles está o pastor metodista, José Roberto Loyola, que apresentou “um catálogo de reflexões de um cristianismo e religiões nas perspectivas africanas”. Para Loyola, “é preciso destilar a religião para não destilá-la; é preciso mergulhar, envolver para depois julgar” disse citando o teólogo Paul Tillich.

Ainda segundo o pastor metodista, é preciso ter uma orientação para se descrever os fenômenos, compreender as religiões para depois fazer algumas considerações, ou seja, “é olhar as religiões afros do lado de dentro e, do lado de fora, para entender a religião afro brasileira e cristianismo para se construir juntos algum tipo de projeto”.

Para os africanos, destaca Loyola, a liturgia é um espaço sagrado. “As religiões não precisam de templos, mas seus cultos estão ligados à natureza, ao ar, água e, quando os escravos chegam às Américas eles se misturam a outras culturas, daí a razão de olhar a religião do lado de fora” e, o grande desafio para Loyola como pastor metodista, “é falar da religião afro de dentro para fora, já que toda a sua pesquisa está sendo desenvolvida com base em textos “embranquiçados”, finalizou.

A Mestranda, Viviane Luz, que somente no sexto período da faculdade de pedagogia conheceu a Lei 10.639/03, o que lhe garantiu o tema para sua dissertação de mestrado. A referida lei propõe no artigo 26 a inclusão da história e cultura afro no currículo educacional: “Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira”, rege a lei.

“Experiência com a formação de professores: a Lei 10.639/03 e os diferentes modos de ser criança” é o título da dissertação em andamento de Viviane, para ela “é relevante trabalhar o imaginário da criança negra, pois a história é contada a partir da escravidão e não dá para zerar o passado do continente africano”.

Ao todo foram oito apresentações acadêmicas sobre as religiões afros. O encontro foi promovido pelo Ministério de Ações Afirmativas Afrodescendentes da Igreja Metodista (3ª. RE), em parceria com a Universidade Metodista de São Paulo e a Faculdade de Teologia, Rede Ecumênica da Juventude e Grupo identidade/Faculdades EST, de São Leopoldo (RS).  

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