"Trabalho escravo afronta ao Criador" diz deputado evangélico

"Trabalho escravo afronta ao Criador" diz deputado evangélico

Atualizado: Sexta-feira, 19 Agosto de 2011 as 1:09

O deputado estadual Carlos Bezerra Jr. (PSDB), vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), pediu a criação de Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar casos de trabalho escravo ou em condição análoga no Estado de São Paulo. A ação foi motivada pela fiscalização do Ministério do Trabalho que flagrou as empresas Inditex – controladora de várias marcas de vestuário -, Zara e AHA usando trabalhadores bolivianos, peruanos, paraguaios e brasileiros em estabelecimentos clandestinos em condições precárias de segurança e de higiene.

Em seu primeiro dia recolhendo assinaturas, Bezerra Jr. já obteve 60% do apoio necessário para dar início aos inquéritos – 19 dos 32 deputados exigidos para aprovação de novas CPIs na Alesp já são signatários do pedido do parlamentar evangélico. Se instaurada, a comissão será composta por nove integrantes e terá 120 dias para apresentar relatório final.

“Como cristãos, nós temos o compromisso de lutar contra toda forma de injustiça”, afirmou o Carlos Bezerra Jr. O deputado lembrou Willian Wilberforce (1759 –1833), político britânico cristão dedicou sua vida e seus mandatos à erradicação da escravidão até então normal na Inglaterra (em muitas igrejas, ele é conhecido por ter composto o hino “Graça Sublime”). 

“Além de ser uma afronta ao nosso próximo, esse crime é uma afronta ao Criador. Tenho certeza de que essa luta é uma prioridade dos cristãos que estão na vida pública. Cristianismo relevante é, sim, aquele que liberta espiritualmente, mas é também o que liberta de toda forma de escravidão social”, completou o parlamentar.

A iniciativa de Bezerra Jr. chamou atenção da imprensa. O deputado estadual foi procurado pela TV Globo e concedeu entrevista sobre os inquéritos que pretende conduzir. Os jornais O Estado de S. Paulo e Diário do Comércio, além da rádio Bandeirantes, também ouviram o parlamentar.

De acordo com o Ministério Público Estadual (MPE), outras seis marcas, além da grife Zara, podem estar explorando trabalho escravo em suas fábricas. “Estão fazendo uma investigação excelente. Nós vamos somar esforços: a apuração desenvolvida pelo MPE considera aspectos trabalhistas. Nós vamos nos dedicar à grave violação dos direitos humanos envolvida nesse tipo de crime”, adiantou o deputado. Sua expectativa é que até o início da próxima semana já tenha o restante das assinaturas requeridas para dar início à CPI.

Por Pollyanna Mattos

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