"Um aborto não faz diferença", afirma Edir Macedo

"Um aborto não faz diferença", afirma Edir Macedo

Atualizado: Terça-feira, 26 Outubro de 2010 as 9:26

A discussão tem se tornado cada vez mais frequente no segundo turno das eleições de 2010 e ganhou força tal que acabou determinando novas estratégias de campanhas eleitorais. Repudiada pela maioria das igrejas cristãs, a legalização do aborto está sendo proposta por muitos como uma solução para a criminalidade e as desigualdades sociais.

Em um vídeo veiculado na internet (Youtube), o líder e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, bispo Edir Macedo fala durante uma de suas pregações sobre os "benefícios" que a discriminalização do aborto poderia trazer ao Brasil. Segundo ele, problemas como delinquência juvenil, orfanatos lotados e desigualdades sociais poderiam ser solucionados com a nova medida tomada a respeito da prática.

Confira a pregação no vídeo abaixo:

Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Silas Malafaia)

Conhecido por suas pregações de impacto e seus posicionamentos incisivos, o pr. Silas Malafaia abomina o aborto em qualquer circunstância. No primeiro turno das eleições, o líder chegou a mudar publicamente o seu voto para presidente - sendo antes de Marina Silva e passando a ser de José Serra - , motivado por um posicionamento aparentemente indeciso da candidata do Partido Verde. Em um pronunciamento aberto, Malafaia falou sobre o assunto.

" Pior do que o ímpio é um cristão que dissimula. Eu queria entender como uma pessoa que se diz cristã, membro da Assembleia de Deus, afirma que se for eleita presidente do Brasil vai convocar um plebiscito para que o povo decida se aprova ou não o aborto, ou se aprova ou não o uso da maconha.

Marina precisa aprender com a ex-senadora Heloísa Helena, católica praticante e pertencente a um partido ultrarradical. Heloísa Helena declarou peremptoriamente: “Sou contra o aborto!” Na audiência pública da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, deu um verdadeiro show, não apenas à luz de questões religiosas, como também científicas. Ela mostrou a desgraça, a mazela, e uma das coisas que mais aborrecem a Deus: a força dos poderosos contra os indefesos ", afirmou

Igreja católica

O posicionamento da Igreja Católica em relação ao tema já vem desde as primeiras propostas de legalização do aborto. Em um documento publicado no ano de 1998, a instituição se posicionou contra o aborto de forma irredutível.

"Reafirmamos a doutrina da Igreja, contrária a toda e qualquer legalização do aborto, seja em que circunstância for; e declarámos considerar que a vida não é referendável. Reafirmamos, agora, esta nossa posição, explicitando-a: nenhuma consulta popular legitimará, jamais, a interrupção voluntária da gravidez, do ponto de vista moral. Uma eventual aprovação, em referendo, daquela proposta de Lei, não tornaria o aborto menos imoral e não dispensaria os cristãos e outros cidadãos de lutarem, por todos os meios legítimos ao seu alcance, contra esse flagelo social, sobretudo através de iniciativas positivas de apoio às mães em situações difíceis porventura dramáticas ", pronuciou.

Igreja Presbiteriana Unida

Para o reverendo Enoc Teixeira Wenceslau, presidente da Igreja Presbiteriana Unida, há uma motivação por trás da discussão sobre o aborto no atual momento que o país está passando. Mas, agora que a questão está posta, ele defende a tese de que os candidatos ao governo federal assumam uma posição e digam ser contrários ao aborto. Ele não aceita nem mesmo a hipótese da realização de um plebiscito sobre o assunto, que defendeu a candidata Marina Silva (PV). "Isso é fazer como Pilatos, lavar as mãos."

Igreja Adventista

Quando questionado sobre a relação entre religião e política o professor de Teologia da Faculdade Adventista da Amazônia, Márcio Costa citou a prática do aborto como algo que deve ser abominado, não somente em um candidato ao governo, mas também como uma atitude, seja qual for a circunstância.

"Se entre dois candidatos, o primeiro é favorável ao casamento homossexual, venda indiscriminada de bebida alcoólica e se mostra favorável ao aborto. E se, ao contrário, o segundo candidato se mostra conservador em relação as essas questões morais, devemos ficar com o último. Se assuntos morais são o divisor de águas da eleição, devemos nos posicionar ", lembrou.

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