"Um retrocesso para um Estado laico", afirma o deputado André Soares sobre o PL 122

"Um retrocesso para um Estado laico", afirma o deputado André Soares sobre o PL 122

Atualizado: Quinta-feira, 27 Novembro de 2008 as 12

Por Adriana Amorim

O Projeto de Lei 122, que criminaliza a homofobia (medo e aversão ao homossexual), tramita no Senado. Para o grupo GLBT, o PL representa uma forma de inibir atos de violência e discriminação. No entanto, alguns legisladores vêem a lei como uma maneira de censurar a liberdade de culto.

Para o deputado estadual André Soares (DEM-SP), há necessidade de se criar leis que se oponham à violência contra os homossexuais. "Eu sou contra qualquer forma de discriminação e violência. Acho que todo mundo merece respeito, ainda mais quem os cristãos consideram que estão no erro, e consideram que estão no erro por causa do que a Bíblia diz". Ele afirma que tem mantido contato com alguns senadores para obter resultados nesse propósito.

No entanto, o deputado afirma que o texto do PL 122 pode ser interpretado como gerador de garantias especiais ao homossexual: "Porque um heterossexual não precisa provar nada para ninguém e ele tem certos comportamentos que a sociedade tolera ou abomina [...] A lei tem que valer tanto para homem como para mulher [...] O comportamento do casal heterossexual tem que ser o mesmo do casal homossexual. Se o casal hetero está em beijos inflamados em um restaurante ou em uma praça pública e vem um guarda e diz que eles estão se excedendo, eles param. O homossexual em geral não, pelo contrário, se ele está se beijando, qualquer coisa que você fale, ele acha que é discriminatório, homofóbico". Soares exemplifica que um empregador que demitir um funcionário homossexual pode ser processado pela justiça criminal, quando na verdade deveria ser julgado na justiça trabalhista.

O deputado considera o Projeto de Lei "um retrocesso para um Estado laico": "Aqui é um dos poucos países no mundo que vive um muçulmano, um judeu, um umbandista, um evangélico, um católico, cada um pregando o que acha que é correto. Eu vejo que existe uma campanha contra o povo de Deus, que prega que a prática é errada. Há uma tentativa de vetar, de inibir, de proibir a pessoa de pregar [...] Isso para mim é colocar uma censura, uma tarja".

Com relação à atitude da igreja evangélica diante de uma possível aprovação da Lei, Soares tem uma visão de fé: "A Bíblia nos diz que nós faríamos mais do que o nosso Pai, que criou todas as coisas, fez, que o Senhor Jesus fez. Então, se a gente prega que a prática é errada e o homossexual desejar ir à nossa igreja e casar, então, a igreja tem que estar preparada espiritualmente, assim como nosso pastor, para mudar a vida dessa pessoa. Todos são bem vindos, mas o homossexual vai chegar aqui e o poder de Deus será tão grande que ele não conseguirá nem passar na porta da igreja para manifestar-se e, se entrar, será transformado, nem que seja na reta de chegada para o altar [...] Temos que ser usados independentemente da lei que obriga ou desobriga".

Para o deputado, o PL 122 não será aprovado: "Eu tenho certeza que o projeto não passa no Senado, se ele for aprovado lá, volta para a Câmara para virar lei". Segundo Soares, a mobilização da Igreja deve ser impedir que o projeto seja aprovado, permitindo assim a liberdade de culto, garantida pela Constituição. Porém, se o projeto tornar-se Lei, Soares entende que não há novidade para os cristãos: "Perseguição na igreja sempre teve e sempre vai existir, mas somos mais do que vencedores. Antigamente era vergonha carregar a Bíblia, crente era chamado de ladrão, de maluco. Hoje em dia, você vê sempre em um jogo de futebol o melhor jogador em campo levantando as mãos para o céu [...] O diabo fecha uma porta, o Senhor vai e abre dez janelas. Tem que ter sabedoria de Deus para saber pregar e ter a bênção Dele para passar por esse momento difícil".

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