Umbandistas reclamam, mas evangélicos aplaudem adiamento de plano

Umbandistas reclamam, mas evangélicos aplaudem adiamento de plano

Atualizado: Sexta-feira, 22 Janeiro de 2010 as 12

Para representantes da umbanda e do candomblé, a decisão da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, de protelar o anúncio do Plano Nacional de Proteção à Liberdade Religiosa é parte de uma tradicional marginalização das religiões afro-brasileiras. "Somos sempre a parte mais fraca de todas as raças, de todas as religiões. Estamos sempre à margem", protestou o presidente do Superior Órgão de Umbanda do Estado de São Paulo (Souesp), Milton Aguirri. O plano, que deveria ter sido anunciado ontem, legalizaria os imóveis em que funcionam terreiros de umbanda e candomblé, além de prever o tombamento de templos dessas religiões.

Para Muniz Sodré, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, a derrota política indica a pouca representação da umbanda e do candomblé. "Os cultos afro-brasileiros jamais participaram do jogo de poder. Não têm bancada parlamentar, não têm lobby de pressão, não têm representantes na sociedade civil", disse. O presidente da Federação Umbandista do Grande ABC, Ronaldo Linaris, encarou a suspensão do anúncio do plano como "violência à Constituição".

"Fala-se tanto em isonomia, em igualdade, mas onde está essa igualdade se estamos sendo preteridos para não melindrar evangélicos?", indagou, ressaltando o tamanho da população umbandista no Brasil. "E nós votamos, o governo não deveria se esquecer disso."

Representantes de igrejas evangélicas defendem a tese de que o governo não deveria se preocupar em legalizar os terreiros neste momento. "Em ano de eleição, mexer em questões religiosas só serve para constranger todas as partes", disse o bispo Manoel Ferreira, presidente da Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil (Conamad). Ele afirmou, contudo, ser favorável ao plano. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) afirmou que não vai se manifestar sobre o projeto.

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